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Alegoria

Uma alegoria (do grego αλλος, allos, "outro", e αγορευειν, agoreuein, "falar em público", pelo latim allegoria) é uma figura de linguagem, mais especificamente de uso retórico, que produz a virtualização do significado, ou seja, sua expressão transmite um ou mais sentidos além do literal. Diz-se b para significar a. Uma alegoria não precisa ser expressa no texto escrito: pode dirigir-se aos olhos e, com frequência, encontra-se na pintura, escultura ou noutras formas de linguagem. Embora opere de maneira semelhante a outras figuras retóricas, a alegoria vai da simples comparação da metáfora à sátira, passando pelo símbolo, a fábula, o apólogo, a prosopopeia, o oximoro, o Adynaton, ou implicando a ironia, oscilando entre a polissemia e a antífrase. A fábula, o apólogo, o mito e a parábola são exemplos genéricos (isto é, de gêneros textuais) de aplicação da alegoria, às vezes acompanhados de uma moral que deixa claro a relação entre o sentido literal e o sentido figurado.

João Adolfo Hansen estudou a alegoria em Alegoria: construção e interpretação da metáfora, distinguindo a alegoria greco-romana (de natureza essencialmente linguística, não obstante o anacronismo) da alegoria cristã, também chamada de exegese religiosa (na qual eventos, personagens e fatos históricos passam também a ser interpretados alegoricamente). Northrop Frye discutiu o espectro da alegoria desde o que ele designou como "alegoria ingênua" da The Faerie Queene de Edmund Spenser às alegorias mais privadas da literatura de paradoxos moderna. Os personagens numa alegoria "ingênua" não são inteiramente tridimensionais: para cada aspecto de suas personalidades individuais e eventos que se abatem sobre eles, personificam alguma qualidade moral ou outra abstração. A alegoria foi selecionada primeiro, e os detalhes meramente a preenchem. Já que histórias expressivas são sempre aplicáveis a questões maiores, as alegorias podem ser lidas em muitas dessas histórias, algumas vezes distorcendo o significado explícito expresso pelo autor.

A alegoria tem sido uma usada na literatura de praticamente todas as nações. As escrituras dos hebreus apresentam algumas das mais belas destacando-se a comparação da história de Israel ao crescimento de uma vinha no Salmo 80. Na tradição rabínica, leituras alegóricas têm sido aplicadas em todos os textos - uma tradição herdada pelos cristãos, para os quais as semelhanças alegóricas são a base da exegese.

Na literatura clássica duas das alegorias mais conhecidas são o mito da caverna, narrado na República de Platão (Livro VII) e o apólogo da revolta das várias partes do corpo contra o estômago, contado por Agripa Menenio Lanato, em 494 a.C., e reproduzido por Tito Lívio). Várias outras ocorrem nas Metamorfoses de Ovídio. O manuscrito grego mais antigo sobrevivente, Papiro de Derveni, fornece uma interpretação alegorizada de um poema órfico. A tradição grega atribui os primeiros pensadores alegóricos como sendo ou Teágenes de Régio, em sua interpretação em defesa do mito de Homero que associava deuses a atributos simbólicos (Atena à sabedoria, Ares à insensatez, etc.), ou a Ferécides de Siro.

  • Loraine Oliveira, .

    Referências

  1. MOISÉS, Massaud. , p. 14-16. Cultrix, 1974.
  2. . Por Jorge de Freitas. Revista Versalete. Curitiba, vol. 2, n° 3, jul.-dez. 2014 ISSN: 2318-1028
  3. Histoire romaine (Tite-Live)/Livre II:32 (tradução): (9) "Antigamente, quando a harmonia ainda não reinava, como hoje, no corpo humano, e cada parte do corpo seguia seu próprio instinto e falava sua própria língua, todas as partes do corpo se indignaram ao perceber que tudo o que era obtido com o trabalho delas, no cumprimento de suas funções, ia para o estômago, que, tranquilo em meio a elas, apenas gozava dos prazeres que lhe proporcionavam. (10) Então elas armaram uma conspiração: as mãos se recusaram a levar comida à boca; a boca recusou-se a recebê-la; os dentes, a mastigá-la. Enquanto, em seu ressentimento, as partes pretendiam domar o corpo pela fome, as próprias partes e todo o corpo caíram em estado de exaustão. (11) Assim ficou evidente que o estômago não funcionava, e que a nutrição que ele recebia não era maior do que a que ele dava, fazendo retornar a todas as partes do corpo este sangue que faz nossa vida e nossa força, igualmente distribuído através das nossa veias, depois de ser elaborado a partir da digestão dos alimentos. (12) Ao comparar essa sedição interna do corpo com a cólera da plebe contra os patrícios, ele apaziguou os espíritos."
  4. Janko, Richard (2001). (PDF). Classical Philology. 96 (1): 1–32. ISSN . doi:
  5. Loraine Oliveira.
  6. Domaradzki, Mikołaj (2011). . Elenchos. 32 (2)

Alegoria
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Alegoria figura de linguagem Lingua Vigiar Editar Redirecionado de Alegoria literatura Uma alegoria do grego allos allos outro e agoreyein agoreuein falar em publico pelo latim allegoria e uma figura de linguagem mais especificamente de uso retorico que produz a virtualizacao do significado ou seja sua expressao transmite um ou mais sentidos alem do literal Diz se b para significar a Uma alegoria nao precisa ser expressa no texto escrito pode dirigir se aos olhos e com frequencia encontra se na pintura escultura ou noutras formas de linguagem Embora opere de maneira semelhante a outras figuras retoricas a alegoria vai da simples comparacao da metafora a satira passando pelo simbolo a fabula o apologo a prosopopeia o oximoro o Adynaton ou implicando a ironia oscilando entre a polissemia e a antifrase A fabula o apologo o mito e a parabola sao exemplos genericos isto e de generos textuais de aplicacao da alegoria as vezes acompanhados de uma moral que deixa claro a relacao entre o sentido literal e o sentido figurado 1 A Liberdade guiando o povo de Delacroix uma alegoria da Franca revolucionaria Joao Adolfo Hansen estudou a alegoria em Alegoria construcao e interpretacao da metafora 2 distinguindo a alegoria greco romana de natureza essencialmente linguistica nao obstante o anacronismo da alegoria crista tambem chamada de exegese religiosa na qual eventos personagens e fatos historicos passam tambem a ser interpretados alegoricamente Northrop Frye discutiu o espectro da alegoria desde o que ele designou como alegoria ingenua da The Faerie Queene de Edmund Spenser as alegorias mais privadas da literatura de paradoxos moderna Os personagens numa alegoria ingenua nao sao inteiramente tridimensionais para cada aspecto de suas personalidades individuais e eventos que se abatem sobre eles personificam alguma qualidade moral ou outra abstracao A alegoria foi selecionada primeiro e os detalhes meramente a preenchem Ja que historias expressivas sao sempre aplicaveis a questoes maiores as alegorias podem ser lidas em muitas dessas historias algumas vezes distorcendo o significado explicito expresso pelo autor A alegoria tem sido uma usada na literatura de praticamente todas as nacoes As escrituras dos hebreus apresentam algumas das mais belas destacando se a comparacao da historia de Israel ao crescimento de uma vinha no Salmo 80 Na tradicao rabinica leituras alegoricas tem sido aplicadas em todos os textos uma tradicao herdada pelos cristaos para os quais as semelhancas alegoricas sao a base da exegese Na literatura classica duas das alegorias mais conhecidas sao o mito da caverna narrado na Republica de Platao Livro VII e o apologo da revolta das varias partes do corpo contra o estomago contado por Agripa Menenio Lanato em 494 a C e reproduzido por Tito Livio 3 Varias outras ocorrem nas Metamorfoses de Ovidio O manuscrito grego mais antigo sobrevivente Papiro de Derveni fornece uma interpretacao alegorizada de um poema orfico 4 A tradicao grega atribui os primeiros pensadores alegoricos como sendo ou Teagenes de Regio em sua interpretacao em defesa do mito de Homero que associava deuses a atributos simbolicos Atena a sabedoria Ares a insensatez etc ou a Ferecides de Siro 5 6 Ver tambem EditarExegese alegorica de Homero Evemerismo Hermeneutica Interpretacao alegorica da Biblia Interpretacoes alegoricas de Platao Parabola SemioticaLeitura adicional EditarLoraine Oliveira A interpretacao alegorica de mitos das origens a Platao Referencias MOISES Massaud Dicionario de termos literarios alegoria p 14 16 Cultrix 1974 Consideracoes sobre a alegoria a partir de Joao Adolfo Hansen em Alegoria construcao e interpretacao da metafora Por Jorge de Freitas Revista Versalete Curitiba vol 2 n 3 jul dez 2014 ISSN 2318 1028 Histoire romaine Tite Live Livre II 32 traducao 9 Antigamente quando a harmonia ainda nao reinava como hoje no corpo humano e cada parte do corpo seguia seu proprio instinto e falava sua propria lingua todas as partes do corpo se indignaram ao perceber que tudo o que era obtido com o trabalho delas no cumprimento de suas funcoes ia para o estomago que tranquilo em meio a elas apenas gozava dos prazeres que lhe proporcionavam 10 Entao elas armaram uma conspiracao as maos se recusaram a levar comida a boca a boca recusou se a recebe la os dentes a mastiga la Enquanto em seu ressentimento as partes pretendiam domar o corpo pela fome as proprias partes e todo o corpo cairam em estado de exaustao 11 Assim ficou evidente que o estomago nao funcionava e que a nutricao que ele recebia nao era maior do que a que ele dava fazendo retornar a todas as partes do corpo este sangue que faz nossa vida e nossa forca igualmente distribuido atraves das nossa veias depois de ser elaborado a partir da digestao dos alimentos 12 Ao comparar essa sedicao interna do corpo com a colera da plebe contra os patricios ele apaziguou os espiritos Janko Richard 2001 The Derveni Papyrus Diagoras of Melos Apopyrgizontes Logoi A New Translation PDF Classical Philology 96 1 1 32 ISSN 0009 837X doi 10 1086 449521 Loraine Oliveira A interpretacao alegorica de mitos das origens a Platao Domaradzki Mikolaj 2011 Theagenes of Rhegium and the Rise of Allegorical Interpretation Elenchos 32 2 Obtida de https pt wikipedia org w index php title Alegoria amp oldid 61597658,