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Biografia

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A biografia (do grego antigo: βιογραφία , de βíος - bíos, "vida" e γράφειν – gráphein, "escrever") é um gênero literário em que o autor narra a história da vida de uma pessoa ou de várias pessoas. De um modo geral as biografias contam a vida de alguém. Em certos casos a biografia inclui aspectos da obra dos biografados, como por exemplo Plutarco, em suas Bíoi parálleloi (Vidas paralelas), numa abordagem muitas vezes de um ponto de vista crítico e não apenas historiográfico. Em francês, o termo biographie é documentado em 1721; no inglês, a palavra biography foi documentada em 1791 e na forma biographia já em 1683; em espanhol, biografía, e, em português, biografia aparecem somente na segunda metade doséculo XIX. Mais recentemente é comum se solicitar a biodata de pessoas que produzem trabalhos artísticos, científicos etc. Este termo remete à vida e às experiências de trabalho do biodatado, bem como a itens que revelem suas opiniões, valores, crenças e atitudes. Os dados biográficos transcritos nesta categoria contêm, por vezes, o mesmo tipo da informação que um resumo de trabalho acadêmico, podendo também incluir a descrição dos atributos físicos e fotos.

The Death of King Arthur ("A Morte do Rei Arthur"), óleo de James Archer (1860). Sir Thomas Malory escreveu a mais famosa biografia ficcional da Idade Média com A Morte de Arthur sobre a vida do Rei Arthur

Índice

A partir da obra de Plutarco Bíoi parálleloi, que fixa algumas diretrizes básicas do gênero, o mundo ocidental passou a conhecer figuras como Péricles, Licurgo, Alcibíades, Júlio César, Pompeu, Catão de Útica ou Marco Júnio Bruto. A biografia, na maioria das vezes, aborda pessoas públicas como políticos, cientista, esportistas, escritores ou pessoas que, através de suas atividades, provocaram um importante impacto para a sociedade. Quando o biografado (pessoa que está tendo a vida contada na biografia) é o próprio autor, chama-se autobiografia.

Antigo Oriente

Não se tem notícia de que o antigo Oriente houvesse conhecido o gênero biográfico, ao menos na maneira como ela é conhecida hoje em dia. As crônicas sobre os assírios e outros povos, bem como algumas inscrições em túmulos com dados referentes à existência dos mesmos, contêm, sem dúvida, semente do gênero, mas não constituem verdadeiros documentos biográficos. O mesmo ocorre no Egito, onde se registram vestígios biográficos sobre faraós, sacerdotes e outros personagens ilustres. As fontes mais remotas da arte da biografia devem ser buscadas no patrimônio documental e lendário que nos deixaram os relatos sobre episódios e acontecimentos comuns à vida dos patriarcas e reis de Israel (Antigo Testamento) e dos heróis épicos das antigas sagas gregas, germânicas e célticas.

Outro tipo de biografia, embora ainda de natureza embrionária, surge dos ensinamentos de santos e sábios, encontrados nos livros proféticos da Bíblia, das sentenças e ditos de Buda, dos fragmentos antológicos de Confúcio e das palavras dos sete sábios da Grécia antiga, conservadas pela tradição doxográfica. Muitos exemplos também oferece a literatura medo-persa, com suas crônicas de reis. Na literatura islâmica há um surpreendente perfil biográfico de Maomé, de autor desconhecido, além de esboços já mais elaborados de vidas de califas, sultões, ministros, cientista, escritores e religiosos do complexo mosaico da cultura muçulmana. Na Índia, onde os admiradores do gênero sempre juntaram o dado histórico às tradições mitológicas, são inúmeras as tentativas de perfis biográficos de alguns sultões mongóis que dominaram a região, em especial de Akbar.

China e Japão tampouco chegaram a definir com clareza as características do gênero biográfico. Na China, ele permaneceu restrito às informações de comentaristas e historiógrafos como Tso Ch’iu-ming, Kungyang e Kuliang, cujos ideais tradicionalistas ilustram o Livro da primavera e do outono. O conceito de biografia será apenas ampliado pelo grande historiador Ssu-ma Ch’ien(145–86 a.C.)), mas tampouco este ultrapassou os limites do estudo monográfico, de caráter coletivo. Outra manifestação biográfica típica do universo cultural sino-nipônico é o grande número de necrológios sobre figuras importantes.

Período Clássico

A palavra “biografia” foi utilizada pela primeira vez somente noséculo V a.C. e, na antiguidade clássica, caracterizou-se por diferentes tipos de narrativa em prosa que se aproximavam do gênero biográfico de escrita moderna. Os primeiros textos completos encontrados que se relacionaram ao gênero biográfico são os de Cornelius Nepos e de Nicolau de Damasco, noséculo I a.C.. Além disso, destacam-se como modelos mais amplos os textos de Plutarco e Suetônio, escritos no primeiro século depois de Cristo. Entre os gêneros mais comuns na antiguidade, elencam-se o bios, documentos dos quais não se possui vestígio, mas que se sabe da existência pela citação indireta de outros autores, e o encomium.

Segundo Arnaldo Momigliano, o homem moderno insere todo o discurso biográfico dentro do ramo disciplinar da história, diferindo-se da antiguidade helenística, em que a descrição biográfica não era necessariamente considerada histórica. Na antiguidade, como nas obras de Plutarco e Suetônio, a noção dos autores sobre a personalidade dos indivíduos é estática. Não há um desenvolvimento da personalidade, muito menos um ganho gradual de valores e características. Além disso, a narrativa historiográfica tinha como objetivo a apreensão da realidade dos homens, principalmente em seu caráter coletivo, indo além das ações individuais. Para Momigliano, o bios se aproximava mais do antiquarismo do que da história, devido a características específicas como: 1) descrição e esboço de um caráter, de uma personalidade, mesmo que essa personalidade fosse um corpo coletivo; 2) uso de anedotas; 3) descrição direta e adjetivação; 4) episódios emblemáticos de vida que demonstram características de caráter do biografado.

Já o encomium estava diretamente relacionado com a retórica, buscando o elogio e a valorização da personalidade descrita, fugindo de eventos e características que pudessem soar de forma negativa. Nesse sentido, em comparação, o bios oferecia uma perspectiva mais neutra de determinado indivíduo, enquanto o encomium se caracterizava na estética exterior do sujeito.

A partir doséculo IV a.C., com o fortalecimento do império macedônico e a perda de importância das estruturas políticas gregas, nota-se uma transformação nos gêneros de escrita, com a valorização de determinados indivíduos em posição de destaque no relato histórico (encominum), aproximando-se cada vez mais da história política.

Os dois primeiros grandes biógrafos da civilização ocidental são, sem dúvida, Tácito e Plutarco. Antecipam-nos, contudo, Platão e Xenofonte. Aquele, com sua Apologia Sokrátou (Apologia de Sócrates), traça um retrato antes filosófico do que biográfico do grande pensador ateniense, mas Xenofonte, nas Apomnemonéumata Sokrátou (Memórias de Sócrates), oferece visão bem diversa, mais realística, de Sócrates, em sua intimidade e vida cotidiana. Em várias outras obras, aliás, Xenofonte continuaria a ser biógrafo, como em Anábase, que relata um episódio de sua própria vida, e na Kyropaideia. Ainda na Grécia, não devem ser esquecidos os trabalhos biográficos de Aristóxeno de Tarento (para alguns o criador da biografia literária), Dicearco de Messina, Flávio Filóstrato e, sobretudo, Diógenes Laércio (este, porém, já em plenoséculo III, posterior, portanto, a Tácito e Plutarco).

Em Roma, onde o interesse pelo indivíduo humano sempre constituiu traço característico das obras de escritores e historiógrafos, destacam-se as contribuições precursoras de Áccio, Ático, Cornélio Nepos ou Nepote (De excellentibus ducibus; De historicis latinis - Sobre os historiadores romanos), Valério Probo, Públio Terêncio Varrão (De imaginibus – Retratos), com cerca de setecentas biografias de poetas gregos e romanos, em 15 volumes; De poetis – Sobre os poetas, Quinto Cúrcio (autor de uma vida de Alexandre o Grande) e, acima de todos, Suetônio, com um modelo de biografia literária, De viris illustribus (Sobre os homens ilustres), e outro, de biografia política, De vita Caesarum (As Vidas dos imperadores), famoso pelos detalhes sinistros ou escabrosos das vidas dos tiranos.

Frequentemente considerada a primeira biografia, De vita et moribus Julii Agricolae (ou simplesmente Agrícola, como é mais conhecida), de Tácito, data do ano 98 da nossa era. Trata-se de um elogio às virtudes de seu sogro.

Idade Média

O acervo biográfico medieval é particularmente rico em vidas de santos, abades, heróis nacionais e senhores feudais (estes, aliás, encomendavam muitas vezes aos escribas da época que lhes redigissem a sua biografia ou a de seus antepassados ilustres). No domínio da hagiografia, a Antiguidade cristã deixou as numerosas Vitae sanctorum, às quais seguem, na Idade Média, os Actus beati Francisci, Vite dei santi padri, Gesta archi-episcoporum Mediolanensium, Gesta Berengarii imperatoris, Gesta episcoporum, Gesta abbatum e outras tantas coleções hagiográficas. No que diz respeito aos textos profanos: Vita Conradi II, de Wipone (século XI); Vita Caroli Magni, de Eginhardo (séculos VIII–IX); Vita Ludovici regis (trata-se de Luís VI o Gordo), de Abade Suger de Saint-Denis (século XII); Histoire de saint Louis, de João de Joinville (séculos XIII–XIV); Annales rerum gestarum Alfredi Magni, de Johan Asser (século X). A famosa Legenda Áurea (Lenda áurea), de Jacopo de Voragine ou Varagine (século XIII), é uma coleção hagiográfica.

Cabe ainda mencionar, ao fim do período medieval, as contribuições biográficas de Francesco Petrarca, com De viris illustribus, e de Giovanni Boccaccio, autor de De claris mulieribus (Sobre as famosas mulheres) e de De Casibus Virorum Illustrium (Sobre a vida de homens ilustres), obras que, apesar de seu espírito medieval, já incluem preocupações humanistas, devendo por isso ser consideradas como obras de transição. De Boccaccio, aliás, é muito mais importante para a evolução deste gênero a sua Vita di Dante, também conhecida como Trattatello in laude di Dante, que, de certa forma, dá início aos modernos métodos de análise psicológica.

Renascimento

O interesse da mentalidade renascentista pela personalidade humana, individualmente caracterizada, criou coleções biográficas nacionais e dicionários biográficos tanto nacionais como universais, que depois se tornariam muito populares durante oséculo XIX e mesmo até hoje. Tais obras foram favorecidas pela invenção da imprensa e seu número atinge soma bibliográfica espantosa. Os perfis individuais são bem menos numerosos. Na Itália destaca-se a Vita di Torquato Tasso, de Giuseppe de Manso, além de uma outra de Galileu Galilei, escrita por Vicenzo Viviani.

Na Inglaterra, não podem ficar sem registro The History of King Richard the Third (1557), de Thomas More; Life of Cardinal Wolsey, de Thomas Cavendish, que permaneceu em manuscrito até 1641; e The Life of Sir Thomas More, de William Roper, escrita por volta de 1558–1560 e que constitui um dos maiores textos biográficos do período Tudor.

Em Portugal, finalmente, publicou-se a Crônica do condestável D. Nuno Álvares Pereira, atribuída a Fernão Lopes.

Idade Moderna

Dicionário de biografias da década de 1950.

Dominado pelas teses estéticas do Barroco e do Classicismo, oséculo XVII não assinala exemplos particularmente significativos da evolução do gênero biográfico, menos na Inglaterra. Um primeiro grande passo foi dado por Isaak Walton, que introduziu diversas modificações na técnica do relato biográfico, passando inclusive a incorporar cartas como fonte de informações no próprio texto de suas obras. Entre 1640 e 1678, Walton escreveu magníficas biografias dos chamados metaphysical poets (Donne, Herbert, Hooker, Sanderson). Outro biógrafo de relevo é John Aubrey, autor de Brief lives (1669-1696, "'Biografias breves), somente publicadas em 1898.

Na França, porém, dominam as memórias: Mémoires(1662–1677), só publicadas em 1717), do cardeal de Retz. Mas Brantôme escreveu uma série de Biographies (1665) e Jacques de Thou publicou uma Historia mei temporis (1604-1620, História de minha época), de caráter nitidamente moralístico. No fim doséculo XVII, entra no gênero a crítica histórica, de caráter polêmico: exemplo dessa tendência é o Dictionnaire historique et critique(1694–1696), de Pierre Bayle, que exercerá influência decisiva sobre a crítica da religião noséculo XVIII.

Em Portugal, o primeiro modelo de uma biografia de espírito nacional é a Vida de D. João de Castro, de Jacinto Freire de Andrade.

A partir doséculo XIX, algumas correntes de pensamento marcaram a escrita biográfica. Na corrente positivista, por exemplo, destacavam-se os herois da sociedade, taxados como exemplos a serem seguidos por seus contemporâneos. Em tais narrativas, os atos públicos e feitos notáveis eram contemplados, dispostos cronologicamente e de forma linear, assumindo premissas como a evolução e o progresso destes indivíduos ao longo da vida.

Em oposição, para a corrente marxista, a própria definição de história é um processo de desenvolvimento do sujeito que seria findado apenas com a extinção da luta de classes, projetando-se que as relações sociais são indispensáveis e independentes da vontade dos homens. Nesse sentido, existe um enfoque nas estruturas sociais e nos sujeitos coletivos, e, por esse motivo, a biografia passou a receber menos relevância como gênero de escrita.

Já entre expoentes da Escola dos Annales, de 1929, que combate a percepção de história política tradicional, destaca-se a figura de Lucien Febvre na produção de biografias, que passa a se caracterizar pela diminuição da autonomia dos grandes homens, inserindo-os em seu contexto. Nesse sentido, a biografia seria uma forma de analisar um problema mais amplo, como por exemplo, o protestantismo estudado através da descrição e explanação da vida de Martinho Lutero.

Na segunda geração dos Annales, representada principalmente pela figura de Fernand Braudel, a biografia perdeu espaço, concentrando-se nas discussões do pós-guerra e no estruturalismo. Destaca-se, portanto, que tanto marxistas quanto os representantes dos Annales acabaram optando por enfoques macro-estruturais e totalizantes. Diante disso, a partir da década de 80, o discurso pós-moderno traz uma valorização das micro-ações individuais e suas pluralidades, numa busca pela subjetividade dos sujeitos. Dessa forma, projeta-se um contexto de crise no espaço público — com ênfase no individualismo e críticas às formas tradicionais de participação política e social —, despertando o interesse pela vida privada dos homens. Assim, reivindica-se um resgate da participação dos indivíduos na construção dos laços sociais.

A terceira geração dos Annales, também conhecida como a Nova história francesa, passa a se concentrar no resgate de temas antes abandonados pela escola, principalmente por causa do enfoque estruturalista. Nesse sentido, retorna-se à análise dos acontecimentos, da história narrativa, da história política e da biografia. Nesta, foge-se da escrita pautada nos grandes homens, destacando-se as histórias de vida dos populares. Assim, mantém-se a perspectiva de história-problema característica dos Annales, apesar dos critérios de inovação.

Neste período também se projeta a visão do grupo contemporâneo de historiadores ingleses de orientação marxista, caracterizados na figura de Eric Hobsbawn, Edward Thompson e Christopher Hill, que de forma análoga irão se debruçar na recuperação da dimensão subjetiva dos processos sociais negligenciada pelas tendências estruturalistas do marxismo.

Seguem nessa perspectiva de inovação os pensadores da micro-história italiana e da psico-história. A primeira, difundida nas décadas de 70 e 80, ofereceu uma possível solução aos grandes sistemas explicativos, reduzindo a escala de observação e análise sobre problemas que transcendem a individualidade. Já na psico-história, os historiadores buscaram explicar as ações humanas na história através de instrumentais da psicologia e da psicanálise, oferecendo uma ligação direta entre a subjetividade individual e o contexto social. Diante de tais colocações, ambas as visões possuem a biografia como um dos eixos centrais de escrita historiográfica.

Apesar das diferentes correntes que englobam a escrita biográfica, esta possui pontos comuns que são centro do debate historiográfico. Elenca-se, por exemplo, 1) o caráter de relato, que conta uma história sem excluir aspectos contextuais; 2) aspectos do sentimental, do inconsciente; 3) a cultura; 4) a vida privada; 5) e a inserção classista, política e religiosa.

Oséculo XX marca o advento de uma modalidade do gênero até então desconhecida ou pouquíssimo cultivada: a biografia romanceada, na qual o autor recria, ficcionalmente, o material documental e de pesquisa coletado sobre a vida dos biografados. Os mestres dessa nova corrente, que deve muito a Strachey, são Stefan Zweig e Emil Ludwig, na Alemanha, e André Maurois e Romain Rolland, na França.

A literatura de língua portuguesa inclui alguns bons exemplos do gênero no século passado: Lúcio de Azevedo, autor de uma História do padre Antônio Vieira (1931, 2 volumes) e João Gaspar Simões, que responde por uma combatida mas fundamental Vida e obra de Fernando Pessoa (1950, 2 volumes).

No Brasil, o gênero biográfico teve ou tem seus melhores cultores em Joaquim Nabuco (Um Estadista do império - 1899); Lúcia Miguel Pereira (Machado de Assis, estudo crítico e biográfico – 1936; A Vida de Gonçalves Dias – 1943); Raimundo Magalhães Júnior (Machado de Assis desconhecido – 1955; Rui, o homem e o mito - 1965); Viana Moog (Eça de Queirós e o século XX – 1938).

Ver artigo principal: Autobiografia

A autobiografia é a biografia escrita pela pessoa de quem a biografia fala, e geralmente resulta de quando o autor procede ao levantamento de sua própria existência. O gênero da autobiografia inclui manifestações literárias semelhantes entre si, como confissões, memórias e cartas, que revelam sentimentos íntimos e a experiência do autor. Na atualidade, quando vive-se a chamada era biográfica, em que o interesse na vida cotidiana das pessoas comuns bem como das famosas cresceu enormemente, muitas pessoas conhecidas do grande público (as ditas celebridades), que desejam atender a essa demanda na forma de autobiografia, mas não têm habilidade literária, utilizam-se de um profissional Ghostwriter (traduzindo literalmente, escritor fantasma), que escreve a biografia em tom autobiográfico, de modo que a autoria passa a ser alegadamente da pessoa biografada. No entanto, autores consagrados escreveram suas biografias e deram consistência a esse ramo de atividade literária e, mais recentemente, acadêmica. Exemplos notáveis de autobiografias incluem: The Words, de Jean Paul Sartre, os quatro volumes da autobiografia de Simone de Beauvoir, dentre outros.

Fato curioso na cultura sino-nipônica da Antiguidade é o número elevado de autobiografias, todas, porém com poucas indicações biográficas e surpreendentemente farto material bibliográfico, traço esse mais característico das literaturas coreana e japonesa. Vale a pena citar, dentro do contexto literário da Antiguidade clássica, duas obras da natureza confessional ou apologética, espécie de autobiografias parciais: uma de índole filosófica, o Ta eis heautón, do imperador e pensador estoico Marco Aurélio; outras, de tendência política, os Commentarii, de Júlio César, que abrangem o De bello gallico e o De bello civili.

É no início da Idade Média que surge o primeiro grande modelo de obra autobiográfica, as Confessiones (Confissões) de santo Agostinho (século IV, que, por sua introspeção psicológica e antevisão existencialista, permanecem vivas até hoje, tendo exercido profunda influência sobre filósofos como Pascal e Kierkegaard ou escritores como Rousseau. Temos ainda Paulino de Pela (séculos IV–V), que escreveu Eucharisticos de vita sua.

A literatura |italiana dá também um notável exemplo de autobiografia no Renascimento com a pouca fidedigna, mas vivíssima, Vita di Benvenuto Cellini, escrita pelo grande escultor em 1558, mas somente publicada quase dois séculos depois, em 1728.

A literatura russa dá notável exemplo de ensaio autobiográfico com a obra do arcipreste Avvakum, Zhitie protopopa Avvakuma (1673; Vida de protopopo Avvakum), em estilo vigoroso e realista. Na Inglaterra doséculo XVIII, Gibbon escreveria aquela que é considerada por alguns a melhor das autobiografias lançadas até hoje em língua inglesa: Memoirs of my life and writings, publicadas por sua filha Marie Josephe em 1795.

A literatura norte-americana assinala sua contribuição para o gênero através da Autobiography (1766), de Benjamin Franklin. Na Itália, as autobiografias de Carlo Goldoni (Mémoires – 1787, escritas originalmente em francês), e a de Carlo Gozzi (Memorie inutili - 1797) são dignas de menção. A obra-prima do gênero autobiográfico Les Conféssions(1781–1788), de Jean-Jacques Rousseau, que, filiado à linha intimista e subjetiva, se insurge contra a raison classicista e antecipa a mentalidade romântica doséculo XIX.

No Brasil, no plano autobiográfico, um dos iniciadores foi Joaquim Nabuco com o clássico Minha Formação. No século passado, vale lembrar de Graciliano Ramos (Infância – 1945), Oswald de Andrade (Sob as ordens de mamãe – 1954), Helena Morley (Minha vida de menina – 1952), Afonso Arinos de Melo Franco (A Alma do Tempo, Formação e mocidade – 1961, A Escalada – 1952 e Planalto (1968) e Pedro Nava (Baú de ossos – 1972) com clara influência proustiana.

Uma biografia não autorizada é publicada sem a autorização prévia do visado. É normalmente escrita por jornalistas ou acadêmicos, ou por antigos confidentes ou empregados do sujeito. A publicação de biografias não autorizadas envolve questões legais, éticas e morais como o direito à privacidade, liberdade de informação, difamação, direitos de personalidade, direitos de autor ou quebra de sigilo.

Referências

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Biografia
biografia, língua, vigiar, editar, este, artigo, secção, contém, lista, referências, texto, suas, fontes, não, são, claras, porque, não, são, citadas, corpo, artigo, compromete, confiabilidade, informações, ajude, melhorar, este, artigo, inserindo, citações, c. Biografia Lingua Vigiar Editar Este artigo ou seccao contem uma lista de referencias no fim do texto mas as suas fontes nao sao claras porque nao sao citadas no corpo do artigo o que compromete a confiabilidade das informacoes Ajude a melhorar este artigo inserindo citacoes no corpo do artigo Janeiro de 2009 A biografia do grego antigo biografia de bios bios vida e grafein graphein escrever e um genero literario em que o autor narra a historia da vida de uma pessoa ou de varias pessoas De um modo geral as biografias contam a vida de alguem Em certos casos a biografia inclui aspectos da obra dos biografados como por exemplo Plutarco em suas Bioi paralleloi Vidas paralelas numa abordagem muitas vezes de um ponto de vista critico e nao apenas historiografico Em frances o termo biographie e documentado em 1721 no ingles a palavra biography foi documentada em 1791 e na forma biographia ja em 1683 em espanhol biografia e em portugues biografia aparecem somente na segunda metade do seculo XIX Mais recentemente e comum se solicitar a biodata de pessoas que produzem trabalhos artisticos cientificos etc Este termo remete a vida e as experiencias de trabalho do biodatado bem como a itens que revelem suas opinioes valores crencas e atitudes Os dados biograficos transcritos nesta categoria contem por vezes o mesmo tipo da informacao que um resumo de trabalho academico podendo tambem incluir a descricao dos atributos fisicos e fotos The Death of King Arthur A Morte do Rei Arthur oleo de James Archer 1860 Sir Thomas Malory escreveu a mais famosa biografia ficcional da Idade Media com A Morte de Arthur sobre a vida do Rei Arthur Indice 1 Historia 1 1 Antigo Oriente 1 2 Periodo Classico 1 3 Idade Media 1 4 Renascimento 1 5 Idade Moderna 2 Autobiografia 3 Biografia nao autorizada 4 Referencias 5 Bibliografia 6 Ver tambemHistoria EditarA partir da obra de Plutarco Bioi paralleloi que fixa algumas diretrizes basicas do genero o mundo ocidental passou a conhecer figuras como Pericles Licurgo Alcibiades Julio Cesar Pompeu Catao de Utica ou Marco Junio Bruto A biografia na maioria das vezes aborda pessoas publicas como politicos cientista esportistas escritores ou pessoas que atraves de suas atividades provocaram um importante impacto para a sociedade Quando o biografado pessoa que esta tendo a vida contada na biografia e o proprio autor chama se autobiografia Antigo Oriente Editar Nao se tem noticia de que o antigo Oriente houvesse conhecido o genero biografico ao menos na maneira como ela e conhecida hoje em dia As cronicas sobre os assirios e outros povos bem como algumas inscricoes em tumulos com dados referentes a existencia dos mesmos contem sem duvida semente do genero mas nao constituem verdadeiros documentos biograficos O mesmo ocorre no Egito onde se registram vestigios biograficos sobre faraos sacerdotes e outros personagens ilustres As fontes mais remotas da arte da biografia devem ser buscadas no patrimonio documental e lendario que nos deixaram os relatos sobre episodios e acontecimentos comuns a vida dos patriarcas e reis de Israel Antigo Testamento e dos herois epicos das antigas sagas gregas germanicas e celticas Outro tipo de biografia embora ainda de natureza embrionaria surge dos ensinamentos de santos e sabios encontrados nos livros profeticos da Biblia das sentencas e ditos de Buda dos fragmentos antologicos de Confucio e das palavras dos sete sabios da Grecia antiga conservadas pela tradicao doxografica Muitos exemplos tambem oferece a literatura medo persa com suas cronicas de reis Na literatura islamica ha um surpreendente perfil biografico de Maome de autor desconhecido alem de esbocos ja mais elaborados de vidas de califas sultoes ministros cientista escritores e religiosos do complexo mosaico da cultura muculmana Na India onde os admiradores do genero sempre juntaram o dado historico as tradicoes mitologicas sao inumeras as tentativas de perfis biograficos de alguns sultoes mongois que dominaram a regiao em especial de Akbar China e Japao tampouco chegaram a definir com clareza as caracteristicas do genero biografico Na China ele permaneceu restrito as informacoes de comentaristas e historiografos como Tso Ch iu ming Kungyang e Kuliang cujos ideais tradicionalistas ilustram o Livro da primavera e do outono O conceito de biografia sera apenas ampliado pelo grande historiador Ssu ma Ch ien 145 86 a C mas tampouco este ultrapassou os limites do estudo monografico de carater coletivo Outra manifestacao biografica tipica do universo cultural sino niponico e o grande numero de necrologios sobre figuras importantes Periodo Classico Editar A palavra biografia foi utilizada pela primeira vez somente no seculo V a C e na antiguidade classica caracterizou se por diferentes tipos de narrativa em prosa que se aproximavam do genero biografico de escrita moderna Os primeiros textos completos encontrados que se relacionaram ao genero biografico sao os de Cornelius Nepos e de Nicolau de Damasco no seculo I a C Alem disso destacam se como modelos mais amplos os textos de Plutarco e Suetonio escritos no primeiro seculo depois de Cristo 1 Entre os generos mais comuns na antiguidade elencam se o bios documentos dos quais nao se possui vestigio mas que se sabe da existencia pela citacao indireta de outros autores e o encomium 2 Segundo Arnaldo Momigliano o homem moderno insere todo o discurso biografico dentro do ramo disciplinar da historia diferindo se da antiguidade helenistica em que a descricao biografica nao era necessariamente considerada historica 3 Na antiguidade como nas obras de Plutarco e Suetonio a nocao dos autores sobre a personalidade dos individuos e estatica Nao ha um desenvolvimento da personalidade muito menos um ganho gradual de valores e caracteristicas 4 Alem disso a narrativa historiografica tinha como objetivo a apreensao da realidade dos homens principalmente em seu carater coletivo indo alem das acoes individuais 3 Para Momigliano o bios se aproximava mais do antiquarismo do que da historia devido a caracteristicas especificas como 1 descricao e esboco de um carater de uma personalidade mesmo que essa personalidade fosse um corpo coletivo 2 uso de anedotas 3 descricao direta e adjetivacao 4 episodios emblematicos de vida que demonstram caracteristicas de carater do biografado 5 Ja o encomium estava diretamente relacionado com a retorica buscando o elogio e a valorizacao da personalidade descrita fugindo de eventos e caracteristicas que pudessem soar de forma negativa Nesse sentido em comparacao o bios oferecia uma perspectiva mais neutra de determinado individuo enquanto o encomium se caracterizava na estetica exterior do sujeito 6 A partir do seculo IV a C com o fortalecimento do imperio macedonico e a perda de importancia das estruturas politicas gregas nota se uma transformacao nos generos de escrita com a valorizacao de determinados individuos em posicao de destaque no relato historico encominum aproximando se cada vez mais da historia politica 4 Os dois primeiros grandes biografos da civilizacao ocidental sao sem duvida Tacito e Plutarco Antecipam nos contudo Platao e Xenofonte Aquele com sua Apologia Sokratou Apologia de Socrates traca um retrato antes filosofico do que biografico do grande pensador ateniense mas Xenofonte nas Apomnemoneumata Sokratou Memorias de Socrates oferece visao bem diversa mais realistica de Socrates em sua intimidade e vida cotidiana Em varias outras obras alias Xenofonte continuaria a ser biografo como em Anabase que relata um episodio de sua propria vida e na Kyropaideia Ainda na Grecia nao devem ser esquecidos os trabalhos biograficos de Aristoxeno de Tarento para alguns o criador da biografia literaria Dicearco de Messina Flavio Filostrato e sobretudo Diogenes Laercio este porem ja em pleno seculo III posterior portanto a Tacito e Plutarco Em Roma onde o interesse pelo individuo humano sempre constituiu traco caracteristico das obras de escritores e historiografos destacam se as contribuicoes precursoras de Accio Atico Cornelio Nepos ou Nepote De excellentibus ducibus De historicis latinis Sobre os historiadores romanos Valerio Probo Publio Terencio Varrao De imaginibus Retratos com cerca de setecentas biografias de poetas gregos e romanos em 15 volumes De poetis Sobre os poetas Quinto Curcio autor de uma vida de Alexandre o Grande e acima de todos Suetonio com um modelo de biografia literaria De viris illustribus Sobre os homens ilustres e outro de biografia politica De vita Caesarum As Vidas dos imperadores famoso pelos detalhes sinistros ou escabrosos das vidas dos tiranos Frequentemente considerada a primeira biografia De vita et moribus Julii Agricolae ou simplesmente Agricola como e mais conhecida de Tacito data do ano 98 da nossa era Trata se de um elogio as virtudes de seu sogro Idade Media Editar O acervo biografico medieval e particularmente rico em vidas de santos abades herois nacionais e senhores feudais estes alias encomendavam muitas vezes aos escribas da epoca que lhes redigissem a sua biografia ou a de seus antepassados ilustres No dominio da hagiografia a Antiguidade crista deixou as numerosas Vitae sanctorum as quais seguem na Idade Media os Actus beati Francisci Vite dei santi padri Gesta archi episcoporum Mediolanensium Gesta Berengarii imperatoris Gesta episcoporum Gesta abbatum e outras tantas colecoes hagiograficas No que diz respeito aos textos profanos Vita Conradi II de Wipone seculo XI Vita Caroli Magni de Eginhardo seculos VIII IX Vita Ludovici regis trata se de Luis VI o Gordo de Abade Suger de Saint Denis seculo XII Histoire de saint Louis de Joao de Joinville seculos XIII XIV Annales rerum gestarum Alfredi Magni de Johan Asser seculo X A famosa Legenda Aurea Lenda aurea de Jacopo de Voragine ou Varagine seculo XIII e uma colecao hagiografica Cabe ainda mencionar ao fim do periodo medieval as contribuicoes biograficas de Francesco Petrarca com De viris illustribus e de Giovanni Boccaccio autor de De claris mulieribus Sobre as famosas mulheres e de De Casibus Virorum Illustrium Sobre a vida de homens ilustres obras que apesar de seu espirito medieval ja incluem preocupacoes humanistas devendo por isso ser consideradas como obras de transicao De Boccaccio alias e muito mais importante para a evolucao deste genero a sua Vita di Dante tambem conhecida como Trattatello in laude di Dante que de certa forma da inicio aos modernos metodos de analise psicologica Renascimento Editar O interesse da mentalidade renascentista pela personalidade humana individualmente caracterizada criou colecoes biograficas nacionais e dicionarios biograficos tanto nacionais como universais que depois se tornariam muito populares durante o seculo XIX e mesmo ate hoje Tais obras foram favorecidas pela invencao da imprensa e seu numero atinge soma bibliografica espantosa Os perfis individuais sao bem menos numerosos Na Italia destaca se a Vita di Torquato Tasso de Giuseppe de Manso alem de uma outra de Galileu Galilei escrita por Vicenzo Viviani Na Inglaterra nao podem ficar sem registro The History of King Richard the Third 1557 de Thomas More Life of Cardinal Wolsey de Thomas Cavendish que permaneceu em manuscrito ate 1641 e The Life of Sir Thomas More de William Roper escrita por volta de 1558 1560 e que constitui um dos maiores textos biograficos do periodo Tudor Em Portugal finalmente publicou se a Cronica do condestavel D Nuno Alvares Pereira atribuida a Fernao Lopes Idade Moderna Editar Dicionario de biografias da decada de 1950 Dominado pelas teses esteticas do Barroco e do Classicismo o seculo XVII nao assinala exemplos particularmente significativos da evolucao do genero biografico menos na Inglaterra Um primeiro grande passo foi dado por Isaak Walton que introduziu diversas modificacoes na tecnica do relato biografico passando inclusive a incorporar cartas como fonte de informacoes no proprio texto de suas obras Entre 1640 e 1678 Walton escreveu magnificas biografias dos chamados metaphysical poets Donne Herbert Hooker Sanderson Outro biografo de relevo e John Aubrey autor de Brief lives 1669 1696 Biografias breves somente publicadas em 1898 Na Franca porem dominam as memorias Memoires 1662 1677 so publicadas em 1717 do cardeal de Retz Mas Brantome escreveu uma serie de Biographies 1665 e Jacques de Thou publicou uma Historia mei temporis 1604 1620 Historia de minha epoca de carater nitidamente moralistico No fim do seculo XVII entra no genero a critica historica de carater polemico exemplo dessa tendencia e o Dictionnaire historique et critique 1694 1696 de Pierre Bayle que exercera influencia decisiva sobre a critica da religiao no seculo XVIII Em Portugal o primeiro modelo de uma biografia de espirito nacional e a Vida de D Joao de Castro de Jacinto Freire de Andrade A partir do seculo XIX algumas correntes de pensamento marcaram a escrita biografica Na corrente positivista por exemplo destacavam se os herois da sociedade taxados como exemplos a serem seguidos por seus contemporaneos Em tais narrativas os atos publicos e feitos notaveis eram contemplados dispostos cronologicamente e de forma linear assumindo premissas como a evolucao e o progresso destes individuos ao longo da vida 7 Em oposicao para a corrente marxista a propria definicao de historia e um processo de desenvolvimento do sujeito que seria findado apenas com a extincao da luta de classes projetando se que as relacoes sociais sao indispensaveis e independentes da vontade dos homens Nesse sentido existe um enfoque nas estruturas sociais e nos sujeitos coletivos 8 e por esse motivo a biografia passou a receber menos relevancia como genero de escrita 9 Ja entre expoentes da Escola dos Annales de 1929 que combate a percepcao de historia politica tradicional destaca se a figura de Lucien Febvre na producao de biografias que passa a se caracterizar pela diminuicao da autonomia dos grandes homens inserindo os em seu contexto Nesse sentido a biografia seria uma forma de analisar um problema mais amplo como por exemplo o protestantismo estudado atraves da descricao e explanacao da vida de Martinho Lutero 9 Na segunda geracao dos Annales representada principalmente pela figura de Fernand Braudel a biografia perdeu espaco concentrando se nas discussoes do pos guerra e no estruturalismo 10 Destaca se portanto que tanto marxistas quanto os representantes dos Annales acabaram optando por enfoques macro estruturais e totalizantes 10 Diante disso a partir da decada de 80 o discurso pos moderno traz uma valorizacao das micro acoes individuais e suas pluralidades numa busca pela subjetividade dos sujeitos 11 Dessa forma projeta se um contexto de crise no espaco publico com enfase no individualismo e criticas as formas tradicionais de participacao politica e social despertando o interesse pela vida privada dos homens Assim reivindica se um resgate da participacao dos individuos na construcao dos lacos sociais 12 A terceira geracao dos Annales tambem conhecida como a Nova historia francesa passa a se concentrar no resgate de temas antes abandonados pela escola principalmente por causa do enfoque estruturalista Nesse sentido retorna se a analise dos acontecimentos da historia narrativa da historia politica e da biografia Nesta foge se da escrita pautada nos grandes homens destacando se as historias de vida dos populares Assim mantem se a perspectiva de historia problema caracteristica dos Annales apesar dos criterios de inovacao 13 Neste periodo tambem se projeta a visao do grupo contemporaneo de historiadores ingleses de orientacao marxista caracterizados na figura de Eric Hobsbawn Edward Thompson e Christopher Hill que de forma analoga irao se debrucar na recuperacao da dimensao subjetiva dos processos sociais negligenciada pelas tendencias estruturalistas do marxismo 14 Seguem nessa perspectiva de inovacao os pensadores da micro historia italiana e da psico historia A primeira difundida nas decadas de 70 e 80 ofereceu uma possivel solucao aos grandes sistemas explicativos reduzindo a escala de observacao e analise sobre problemas que transcendem a individualidade 15 Ja na psico historia os historiadores buscaram explicar as acoes humanas na historia atraves de instrumentais da psicologia e da psicanalise oferecendo uma ligacao direta entre a subjetividade individual e o contexto social Diante de tais colocacoes ambas as visoes possuem a biografia como um dos eixos centrais de escrita historiografica 16 Apesar das diferentes correntes que englobam a escrita biografica esta possui pontos comuns que sao centro do debate historiografico 17 Elenca se por exemplo 1 o carater de relato que conta uma historia sem excluir aspectos contextuais 2 aspectos do sentimental do inconsciente 3 a cultura 4 a vida privada 5 e a insercao classista politica e religiosa 18 O seculo XX marca o advento de uma modalidade do genero ate entao desconhecida ou pouquissimo cultivada a biografia romanceada na qual o autor recria ficcionalmente o material documental e de pesquisa coletado sobre a vida dos biografados Os mestres dessa nova corrente que deve muito a Strachey sao Stefan Zweig e Emil Ludwig na Alemanha e Andre Maurois e Romain Rolland na Franca A literatura de lingua portuguesa inclui alguns bons exemplos do genero no seculo passado Lucio de Azevedo autor de uma Historia do padre Antonio Vieira 1931 2 volumes e Joao Gaspar Simoes que responde por uma combatida mas fundamental Vida e obra de Fernando Pessoa 1950 2 volumes No Brasil o genero biografico teve ou tem seus melhores cultores em Joaquim Nabuco Um Estadista do imperio 1899 Lucia Miguel Pereira Machado de Assis estudo critico e biografico 1936 A Vida de Goncalves Dias 1943 Raimundo Magalhaes Junior Machado de Assis desconhecido 1955 Rui o homem e o mito 1965 Viana Moog Eca de Queiros e o seculo XX 1938 Autobiografia Editar Ver artigo principal Autobiografia A autobiografia e a biografia escrita pela pessoa de quem a biografia fala e geralmente resulta de quando o autor procede ao levantamento de sua propria existencia O genero da autobiografia inclui manifestacoes literarias semelhantes entre si como confissoes memorias e cartas que revelam sentimentos intimos e a experiencia do autor Na atualidade quando vive se a chamada era biografica em que o interesse na vida cotidiana das pessoas comuns bem como das famosas cresceu enormemente muitas pessoas conhecidas do grande publico as ditas celebridades que desejam atender a essa demanda na forma de autobiografia mas nao tem habilidade literaria utilizam se de um profissional Ghostwriter traduzindo literalmente escritor fantasma que escreve a biografia em tom autobiografico de modo que a autoria passa a ser alegadamente da pessoa biografada No entanto autores consagrados escreveram suas biografias e deram consistencia a esse ramo de atividade literaria e mais recentemente academica Exemplos notaveis de autobiografias incluem The Words de Jean Paul Sartre os quatro volumes da autobiografia de Simone de Beauvoir dentre outros Fato curioso na cultura sino niponica da Antiguidade e o numero elevado de autobiografias todas porem com poucas indicacoes biograficas e surpreendentemente farto material bibliografico traco esse mais caracteristico das literaturas coreana e japonesa Vale a pena citar dentro do contexto literario da Antiguidade classica duas obras da natureza confessional ou apologetica especie de autobiografias parciais uma de indole filosofica o Ta eis heauton do imperador e pensador estoico Marco Aurelio outras de tendencia politica os Commentarii de Julio Cesar que abrangem o De bello gallico e o De bello civili E no inicio da Idade Media que surge o primeiro grande modelo de obra autobiografica as Confessiones Confissoes de santo Agostinho seculo IV que por sua introspecao psicologica e antevisao existencialista permanecem vivas ate hoje tendo exercido profunda influencia sobre filosofos como Pascal e Kierkegaard ou escritores como Rousseau Temos ainda Paulino de Pela seculos IV V que escreveu Eucharisticos de vita sua A literatura italiana da tambem um notavel exemplo de autobiografia no Renascimento com a pouca fidedigna mas vivissima Vita di Benvenuto Cellini escrita pelo grande escultor em 1558 mas somente publicada quase dois seculos depois em 1728 A literatura russa da notavel exemplo de ensaio autobiografico com a obra do arcipreste Avvakum Zhitie protopopa Avvakuma 1673 Vida de protopopo Avvakum em estilo vigoroso e realista Na Inglaterra do seculo XVIII Gibbon escreveria aquela que e considerada por alguns a melhor das autobiografias lancadas ate hoje em lingua inglesa Memoirs of my life and writings publicadas por sua filha Marie Josephe em 1795 A literatura norte americana assinala sua contribuicao para o genero atraves da Autobiography 1766 de Benjamin Franklin Na Italia as autobiografias de Carlo Goldoni Memoires 1787 escritas originalmente em frances e a de Carlo Gozzi Memorie inutili 1797 sao dignas de mencao A obra prima do genero autobiografico Les Confessions 1781 1788 de Jean Jacques Rousseau que filiado a linha intimista e subjetiva se insurge contra a raison classicista e antecipa a mentalidade romantica do seculo XIX No Brasil no plano autobiografico um dos iniciadores foi Joaquim Nabuco com o classico Minha Formacao No seculo passado vale lembrar de Graciliano Ramos Infancia 1945 Oswald de Andrade Sob as ordens de mamae 1954 Helena Morley Minha vida de menina 1952 Afonso Arinos de Melo Franco A Alma do Tempo Formacao e mocidade 1961 A Escalada 1952 e Planalto 1968 e Pedro Nava Bau de ossos 1972 com clara influencia proustiana Biografia nao autorizada EditarUma biografia nao autorizada e publicada sem a autorizacao previa do visado E normalmente escrita por jornalistas ou academicos ou por antigos confidentes ou empregados do sujeito A publicacao de biografias nao autorizadas envolve questoes legais eticas e morais como o direito a privacidade liberdade de informacao difamacao direitos de personalidade direitos de autor ou quebra de sigilo 19 Referencias Silva 2008 p 70 Silva 2008 p 69 70 a b Silva 2008 p 71 73 a b Silva 2008 p 75 Silva 2008 p 73 Silva 2008 p 74 Schimidt 1996 p 167 Schimidt 1996 p 168 a b Schimidt 1996 p 169 a b Schimidt 1996 p 170 Conceicao 2011 p 1 Schimidt 1996 p 171 Schimidt 1996 p 172 173 Schimidt 1996 p 173 174 Schimidt 1996 p 175 176 Schimidt 1996 pp 177 179 Schmidt 1996 p 166 Schimidt 1996 p 180 Lloyd L Rich 2002 Publication of an unauthorized biography Publishing Law Center Bibliografia EditarConceicao Livia Beatriz da 2011 O genero biografico em questao possibilidades teoricas de analise da escrita biografica no campo do conhecimento historico PDF Sao Paulo Anais do XXVI Simposio Nacional de Historia HISGAIL Fani Org Biografia Sintoma da Cultura Hacker Editores 1997 ISBN 85 86179 08 6 PENA Felipe Teoria da Biografia sem Fim Sao Paulo Mauad 2004 ISBN 85 7478 132 0 Schimidt Benito Bisso 1996 O genero biografico no campo do conhecimento historico trajetorias tendencias e impasses atuais e uma proposta de investigacao Porto Alegre Anos 90 6 165 192 Silva Uiran Gebara da 2008 A escrita biografica na antiguidade uma tradicao incerta PDF Vitoria da Conquista Politeia Historia e Sociedade 8 1 67 81 Ver tambem EditarProsopografia Personalidade Artigos sobre Cultura Artesanato Biografias Cibercultura Cinema Desporto Esporte Entretenimento Folclore Gastronomia Passatempos Jogos Misticismo Mitologia Ocultismo Religiao Turismo Portal da cultura Portal da sociedade Portal de biografias Obtida de https pt wikipedia org w index php title Biografia amp oldid 61236263,