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A Comuna de Paris, eclodida em 18 de março de 1871, foi uma das mais importantes insurreições populares do século XIX. A capital francesa foi evacuada assim que as massas populares a tomaram. Esse evento foi resultado de diversos fatores específicos do período: a crise nacional do regime bonapartista, que começava a declinar; o abalo provindo da Guerra Franco-Prussiana; e, principalmente, a ascensão da ideologia e do desenvolvimento político de ideais socialistas entre o proletariado europeu, expressos pela expansão da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT).

Comuna de Paris
Consequências do Cerco de Paris durante a Guerra Franco-Prussiana

Uma barricada na Rua Voltaire, após sua captura pelo exército regular durante a Semana Sangrenta
Data 18 de março – 28 de maio de 1871
Local Paris, França
Desfecho Revolta suprimida
Beligerantes
Comandantes
Forças
170 000 Oficialmente, 200 000; na realidade, provavelmente entre 25 000 e 50 000 combatentes
Baixas
877 mortos, 6 454 feridos e 183 desaparecidos 6 667 mortos confirmados e enterrados Estimativas não confirmadas variam entre 10 000 e 20 000 mortos
Barricade The Paris Commune May, 1871. Andre Devambez, 1911.

O advento da Comuna foi considerado por diversos historiadores como o primeiro autogoverno de caráter proletário e popular dentro do contexto de ascensão do capitalismo, o que corroborou ao desenvolvimento de uma consciência de classe dos trabalhadores na França (e na Europa ocidental) no século XIX, algo que ainda não havia ocorrido no século XVIII com a Revolução Francesa [apesar de os ideais jacobinos desenvolvidos neste acontecimento terem sido adotados durante o período da Comuna].

Na descrição de Marx, “a Comuna era composta de conselheiros municipais eleitos por sufrágio universal nos diversos distritos da cidade. Eram responsáveis e substituíveis a qualquer momento. A Comuna devia ser, não um órgão parlamentar, mas uma corporação de trabalho, executiva e legislativa ao mesmo tempo. Em vez de continuar sendo um instrumento do governo central, a polícia foi imediatamente despojada de suas atribuições políticas e convertida num instrumento da Comuna, responsável perante ela e demissível a qualquer momento. O mesmo foi feito em relação aos funcionários dos demais ramos da administração. A partir dos membros da Comuna, todos que desempenhavam cargos públicos deviam receber salários de operários. […] Como é lógico, a Comuna de Paris havia de servir de modelo a todos os grandes centros industriais da França. Uma vez estabelecido em Paris e nos centros secundários o regime comunal, o antigo governo centralizado teria que ceder lugar também nas províncias ao autogoverno dos produtores. No breve esboço de organização nacional que a Comuna não teve tempo de desenvolver, diz-se claramente que a Comuna devia ser a forma política inclusive das menores aldeias do país e que nos distritos rurais o exército permanente devia ser substituído por uma milícia popular, com um tempo de serviço extraordinariamente curto. As comunas rurais de cada distrito administrariam seus assuntos coletivos por meio de uma assembleia de delegados na capital do distrito correspondente a essas assembleias, por sua vez, enviariam deputados à delegação nacional em Paris […].”

A expansão do movimento socialista desde atuação Proudhon e publicação em 1840 de "O que é a propriedade", passando pela publicação do Manifesto Comunista de Marx e Engels, que já se expressava a tendência crescente de uma avanço do socialismo na classe operária internacional, impulsionada desde a década de 1830. Segundo Engels, “só os operários de Paris tinham a intenção bem definida, derrubando o governo, de derrubar o regime da burguesia”, ainda que “nem o progresso econômico do país nem o desenvolvimento intelectual das massas operárias francesas, contudo, tinham atingido ainda o grau que teria tornado possível uma reconstrução social”. Essa visão cada vez mais dissipada favoreceu questionamentos à República recém-instalada na França depois das derrotas na Guerra Franco-Prussiana, visto que o Estado francês se encontrava em uma condição crítica e caótica, na qual os trabalhadores e camponeses eram os mais prejudicados, ainda que houvesse também uma insatisfação da burguesia francesa com um governo que era meramente representativo.

Apesar de ter durado apenas dois meses [18 de março – 28 de maio de 1871], a Comuna de Paris foi uma manifestação de grande importância para a história das lutas proletárias e seu futuro, mesmo que seja considerada como uma insurreição inacabada por alguns historiadores. Derrubada pelo exército francês e alemão, a Comuna foi colocada pelo próprio Engels como um exemplo do que seria a ditadura do proletariado, importante conceito da teoria marxista.

Já para Mikhail Bakunin, um dos fundadores do sindicalismo revolucionário e dirigente da ala federalista da AIT, que teve decisiva participação na Comuna de Lyon e de outros levantes populares na França entre 1870 e 1871: “O socialismo revolucionário acaba de tentar uma primeira manifestação brilhante e prática na Comuna de Paris. Sou um partidário da Comuna de Paris, que, por ter sido esmagada, sufocada em sangue pelos verdugos da reação monárquica e clerical, não por isso deixou de se fazer mais vivaz, mais poderosa na imaginação e no coração do proletariado da Europa; sou seu partidário em grande parte porque foi uma negação audaz, bem pronunciada, do Estado. É um fato histórico imenso que essa negação do Estado tenha se manifestado justamente na França, que foi até agora o país por excelência da centralização política, e que seja precisamente Paris, a cabeça e o criador histórico dessa grande civilização francesa, que tenha tomado essa iniciativa.

Paris, que abdica de sua coroa e proclama com entusiasmo sua própria decadência para dar a liberdade e a vida à França, à Europa, ao mundo inteiro; Paris, que afirma de novo sua potência histórica de iniciativa ao mostrar a todos os povos escravos (e quais são as massas populares que não são escravas?) o único caminho de emancipação e de salvação; Paris, que dá um golpe mortal nas tradições políticas do radicalismo burguês e uma base real ao socialismo revolucionário; Paris, que merece de novo as maldições de toda gente reacionária da França e da Europa; Paris, que se envolve em suas ruínas para desmentir solenemente a reação triunfante; que salva com seu desastre a honra e o porvir da França e demonstra à humanidade consolada que se a vida, a inteligência e a força moral retiraram-se das classes superiores, conservaram-se enérgicas e cheias de porvir no proletariado; Paris, que inaugura a nova era, aquela da emancipação definitiva e completa das massas populares e de sua solidariedade de agora em diante completamente real, através e apesar das fronteiras dos Estados; Paris, que mata o patriotismo e funda sobre suas ruínas a religião da humanidade; Paris, que se proclama humanitária e ateia e substitui as ficções divinas pelas grandes realidades da vida social e a fé na ciência; as mentiras e as iniquidades da moral religiosa, política e jurídica pelos princípios da liberdade, da justiça, da igualdade e da fraternidade, estes fundamentos eternos de toda moral humana; Paris heroica, racional e crente, que confirma sua fé enérgica nos destinos da humanidade por sua queda gloriosa, por sua morte, e que a transmite muito mais enérgica e viva às gerações vindouras; Paris, inundada no sangue de seus filhos mais generosos, é a humanidade crucificada pela reação internacional coligada da Europa, sob a inspiração imediata de todas as igrejas cristãs e do grande sacerdote da iniquidade, o Papa; mas a próxima revolução internacional e solidária dos povos será a ressurreição de Paris”.

Os apoiadores da Comuna perceberam que não seria possível sustentar um autogoverno proletário sobre uma estrutura estatal burguesa. Com isso, e a fim de atender as necessidades da classe proletária, a Comuna foi obrigada a substituir essa estrutura por um outro tipo de organização política. Essa foi a maior contribuição da insurreição para o movimento revolucionário proletário, a ideia de que uma reestruturação completa era necessária.

Índice

A França passou por diversas turbulências em sua época moderna, sendo a Revolução Francesa, que ocorreu em 1789, a mais simbólica delas. Durante a Revolução Francesa, entretanto, não existia ainda uma consciência de classe específica dos trabalhadores, que só surgiu entre 1815 e 1848, tanto na França quanto na Inglaterra.

As bases agrárias francesas eram muito fortes e, por ser um país de artesãos, camponeses e comerciantes - ou seja, pequeno burgueses -, pode-se dizer que o capitalismo era pouco desenvolvido no Estado francês, se comparado com a Inglaterra, o que explica o surgimento tardio das agremiações proletárias.

O próprio conceito de socialismo só surgiu na década de 1820. Na década de 1830, entretanto, já era possível notar a formação de uma consciência de classe proletária - ainda que essa fosse muito menor quando comparada à consciência da burguesia - e, inclusive, algumas revoltas representativas desse sentimento, como a insurreição dos trabalhadores têxteis de Lyon, em 1844.

As chamadas Revoluções de 1848 já mostravam essa tomada de consciência das classes proletárias. Porém, para Engels:

"[...] nem o progresso econômico do país nem o desenvolvimento intelectual das massas operárias francesas, contudo, tinham atingido ainda o grau que teria tornado possível uma reconstrução social".

Com a derrota dos trabalhadores em 1848, a burguesia perdeu suas características progressistas e assumiu publicamente seu lado conservador e reacionário, projetando-se como classe dominante e admitindo um papel antagonista em relação aos trabalhadores. Nesse contexto, na década de 1860, foi criada a Associação Internacional de Trabalhadores, ou Primeira Internacional, que tinha por objetivo ser um ponto central de comunicação e cooperação entre os operários de diferentes países.

No campo político, esta época viu ascender ao poder Napoleão III: primeiramente, por vias democráticas; posteriormente, por um golpe, que instaurou seu Segundo Império. Sua posição como imperador foi muito questionada na década de 1870.

Guerra Franco-Prussiana

Os acontecimentos políticos ligados à Guerra Franco-Prussiana revelam o caráter burguês do Estado francês, que foi o que levou ao processo revolucionário. Dessa forma, a Guerra Franco-Prussiana pode ser compreendida como um antecedente chave para entender a Comuna de Paris.

A guerra eclodiu em 1870 e a França de Napoleão III foi duramente derrotada. O imperador foi preso e um governo provisório - a III República - foi estabelecido em 14 de setembro de 1870. No entanto, este governo se mostrou ineficaz, pois as insatisfações políticas que já existiam no governo de Napoleão III continuavam a se propagar e eram agora protagonizadas pelos trabalhadores. As massas estavam insatisfeitas com as condições da derrota e o governo falhou nas tentativas de acordo com os prussianos. Enquanto isso, tropas prussianas cercavam os portões de Paris.

Coluna de Vendôme, derrubada após a Guerra Franco-Prussiana. Franck. Chute de la colonne Vendôme, 1871.

Quando as tropas prussianas começaram a ocupar a França em direção a Paris em 2 de setembro de 1870, foi iniciado o processo histórico que culminou na Comuna de Paris. O governo francês estava fragmentado e o povo se encontrava à mercê do exército de ocupação. A população exigiu a criação de uma Guarda Nacional formada pelas classes populares para que pudesse agir.

Os trabalhadores, então, se armaram para a defesa das cidades e se recusaram a obedecer à rendição humilhante feita em Versalhes, através da qual a França cederia os territórios da Alsácia e Lorena à Prússia. As tropas prussianas ocuparam os fortes do leste de Paris, se convocaram eleições para uma nova Assembleia e o governo de defesa nacional foi convidado a renunciar. Os trabalhadores parisienses, por sua vez, não aceitavam largar as armas.

A revolta da população diante das tropas prussianas se transformou em uma revolta social. Foi nesse contexto de organização independente dos trabalhadores para a defesa de Paris que surgiram as lideranças proletárias que conduziram o país à Comuna.

Em 18 março de 1871, na capital francesa, aconteceu o evento da Comuna de Paris: a primeira tentativa da história de um governo regido pelo proletariado, que eclodiu em forma de insurreição social contra a burguesia parisiense, o governo francês e os ataques inimigos dos exércitos alemães que lutavam na Guerra Franco-Prussiana [1870-1871]. A Comuna de Paris, porém, só seria oficialmente proclamada no dia 28 de março, após eleições - realmente universais - realizadas dois dias antes pelo povo, que resultaram na ruptura do governo parisiense com o governo de Versalhes.

Horace Vernet- Barricade Rue Soufflot. Pintura da Batalha nas barricadas na Rua Soufflot no dia 24 de junho de 1848.

As tropas da Guarda Nacional (compostas por neojacobinos, blanquistas e internacionalistas) comandadas por Montmartre e Chaumont impediram que o exército francês, a mando de Adolf Thiers e comandadas pelos generais republicanos Thomas e Lecomte, confiscassem os canhões de Paris na noite do evento da Comuna. A ocupação de Paris pela Guarda Nacional, cuja vanguarda era formada por homens que já carregavam uma ideologia popular, aconteceu e a cidade foi evacuada: governantes, nobres e funcionários civis fugiram. Logo, Paris pertencia ao povo revolucionário.

O exército da Guarda Nacional ainda reprimiria novamente partidários de direita em contato com Thiers, que se manifestariam contra o Comitê Nacional em 21 de março. A partir de então, a França passou a ter duas capitais vigentes: Paris e Versalhes, cada uma com sua ideia de nação e de regime político apropriado para ser aplicado, dois centros políticos que competiam entre si.

Em seu período de governo na cidade de Paris, a Comuna tomou variadas medidas em prol do povo parisiense: a primeira foi destituir a centralização do poder estatal, abolindo depois o poderio da Igreja (posteriormente separada da escola e do plano educacional também), da polícia e do exército. Além disso, a burocracia estatal foi substituída pela autogestão social coletiva e uma previdência social foi instituída. A administração da Comuna de Paris introduziu ainda muito mais reformas:

Paris Commune conscription poster, 29 de março de 1871. Autor desconhecido.
  1. O trabalho noturno foi extinto;
  2. Oficinas que estavam fechadas foram reabertas para que cooperativas fossem instaladas;
  3. Residências vazias foram desapropriadas e reocupadas;
  4. Em cada residência oficial foi instalado um comitê para organizar a ocupação de moradias;
  5. Todos os descontos nos salários foram abolidos;
  6. A jornada de trabalho foi reduzida, e chegou-se a propor a jornada de oito horas;
  7. Os sindicatos foram legalizados;
  8. Instituiu-se a igualdade entre os sexos;
  9. Projetou-se a gestão operária das fábricas (sem, no entanto, implantá-la);
  10. O monopólio da lei pelos advogados, o juramento judicial e os honorários foram abolidos;
  11. Testamentos, adoções e a contratação de advogados se tornaram gratuitos;
  12. O casamento se tornou gratuito e simplificado;
  13. A pena de morte foi abolida;
  14. O cargo de juiz se tornou eletivo;
  15. O calendário revolucionário foi novamente adotado;
  16. O Estado e a Igreja foram separados; a Igreja deixou de ser subvencionada pelo Estado e os espólios sem herdeiros passaram a ser confiscados pelo Estado;
  17. A educação se tornou gratuita, secular e compulsória. Escolas noturnas foram criadas e todas as escolas passaram a ser de sexo misto;
  18. Imagens santas foram derretidas e sociedades de discussão foram criadas nas igrejas;
  19. A Igreja de Brea, erguida em memória de um dos homens envolvidos na repressão da Revolução de 1848 foi demolida. O confessionário de Luís XVI e a coluna Vendôme também;
  20. A bandeira vermelha foi adotada como símbolo da Unidade Federal da Humanidade.

Entretanto, por mais revolucionária que tenha sido toda a insurreição que resultou no regime da Comuna de Paris, desde o começo ela estava fadada ao fracasso. Isso se deu graças aos erros em questões estratégicas para a proteção militar da cidade parisiense contra as tropas de Adolf Thiers, que, posteriormente, junto às tropas prussianas, derrubariam o governo proletário que havia se instituído na capital francesa.

Louise Michel, 1880. Autor desconhecido.

Antes mesmo da Comuna, as mulheres, tanto burguesas quanto operárias, já haviam se levantado politicamente nas lutas revolucionárias de 1789. Porém, ao contrário da Revolução Francesa, na Comuna de Paris as mulheres podiam empunhar armas e lutar nas linhas de frente.

A proletarização das mulheres ocorreu, principalmente, através das indústrias têxteis, onde elas passaram a se organizar, participando de sindicatos e clubes políticos. Na Comuna, organizadas, as mulheres encontraram maior voz para lutar pela igualdade, inclusive pela igualdade de gênero.

Moloch. La barricade de la place Blanche défendue par des femmes lors de la Semaine sanglante.

Durante a Comuna as mulheres combateram - muitas vezes nas linhas de frente - as tropas prussianas e francesas, confeccionaram uniformes, cuidaram de feridos, prestaram assistências logísticas e fabricaram sacos que foram usados nas barricadas feitas pelo povo parisiense.

Uma importante mulher presente na Comuna de Paris foi Louise Michel, uma professora humanista que se negou a declarar lealdade ao império de Napoleão III, e se engajou na luta pela República. Durante a Comuna ela foi tanto combatente quanto enfermeira, além de se unir ao movimento anarquista e se dispor para ir até Versalhes assassinar o presidente Thiers. Ela foi presa e deportada em decorrência de suas ações.

Como resultado da ativa participação das mulheres na Comuna de Paris, em seu governo foi anunciada a igualdade de direitos entre os gêneros, apesar de ainda não ter sido instituído o sufrágio universal.

O fim da Comuna decorreu de um erro crucial ocorrido logo no primeiro dia do acontecimento, em que o governo de Thiers evacuou a cidade de Paris. Esse foi o momento em que o Comitê Central deveria ter movimentado a Guarda Nacional sobre Versalhes, tendo em vista que as tropas do exército estavam indefesas e o movimento tinha forte apoio da população, nesse momento amplamente mobilizada. Outro motivo que auxiliou a derrocada da Comuna foi o abandono de Paris pelo exército regular. Isso tudo se deveu ao fato de que a Comuna acreditava ser possível chegar em um acordo com Thiers. Com o passar do tempo e o descuido em não ter atacado Versalhes, diversas tropas passaram a chegar a Paris vindas do interior da França e Thiers recebeu a autorização da Alemanha para concentrar ainda mais tropas no local. Bismarck, com medo de uma possível vitória da Comuna, libertou por ordem de Thiers cerca de 60 mil soldados franceses presos pela Prússia e aumentou suas próprias tropas para 130 mil soldados. Com isso, a cidade de Paris foi cercada, e os communards tiveram de fugir, queimando, em protesto, tudo aquilo que deixavam para trás.

Para Paris, a tática de guerra era realizar um combate de certa forma limpo, que respeitasse os princípios de Genebra, enquanto para Thiers se tratava de uma guerra “suja”, na qual não haveria misericórdia. Portanto, era comum que os exércitos inimigos da Comuna realizassem fuzilamentos, atirassem contra ambulâncias e promovessem outras ações violentas deste gênero. Estes exércitos enxergavam aos civis como um objeto de guerra, algo que ia contra os princípios de Genebra. A Comuna tinha um alto poder bélico, porém não tinha plano e nem comando definido. Com isso, Thiers respondeu rispidamente, bombardeando, simulando conciliações e promovendo outras diversas maneiras de sua guerra “suja”, usando de corrupção e até mesmo de um falso patriotismo.

Cisões começaram a surgir dentro da própria Comuna, tendo em vista que enquanto os jacobinos e os blanquistas queriam concentrar os poderes político-militares no Comitê de Salvação, os proudhonianos e marxistas, que eram muito poucos no momento, acreditavam estar sob domínio de uma nova ditadura. Esses desentendimentos internos eram externados através de manifestos em jornais. Diversas perdas se efetivaram ao fim da insurreição, através, por exemplo, de renúncias de indivíduos de altos cargos de comando e da falta de clareza na liderança do movimento. Paris foi ficando desastrosa, com inúmeros sinais de destruição e uma quantidade enorme de vítimas da guerra. Os combates eram completamente desproporcionais entre as forças oponentes, de modo que um exército extremamente forte e bem armado lutava contra alguns poucos soldados sem comando, desatentos e sem esperança.

Os batalhões da Comuna haviam sido dizimados, se perderam diversos soldados - seja pela morte em guerra, por fuzilamento ou por terem sido levados prisioneiros. Diversas lojas foram saqueadas: os soldados destruíam as prateleiras, as mobílias, levavam diversas mercadorias e objetos de valor, como joias e bebidas e até itens de perfumaria. A força do exército francês, ligada à falta de organização da Comuna de Paris, resultou no fim desta. A “Semana Sangrenta”, como ficou conhecido o período entre 22 e 28 de Maio, entrou para a história dessa batalha, com mais de 20 mil parisienses mortos. Ao fim da Comuna, 17 mil parisienses foram executados, mais de 40 mil foram feitos prisioneiros e mais de 13 mil condenações se efetivaram.

Exécution en masse des communards capturés dans les cours de la caserne Lobau près de l'Hôtel de Ville - Gravure de Frédéric Lix pour L'Illustration du 10 juin 1871 - Bibliothèque historique de la Ville de Paris.

Enquanto a Comuna ainda resistia, só pessoas denunciadas ou os federados haviam sido mortos. Após o fim da Comuna, os soldados franceses não viam diferença e passavam a matar civis com frequência, revistando casas e cadáveres e levando tudo o que tinham, ação que ficou conhecida como “O último confisco”. Portanto, qualquer pessoa desconhecida poderia ser fuzilada, de modo que as pessoas passaram a ficar mais desconfiadas e a angústia e o desespero aumentaram conforme mais histórias de fuzilamento iam se dissipando por Paris. Como não havia polícia e muito menos informações precisas, o exército assassinava qualquer pessoa que se referisse a outra com algum nome revolucionário e os soldados já fuzilavam os denunciados na ânsia de receber o prêmio pela sua cabeça. Diversas pessoas eram fuziladas baseadas apenas no fato de que se parecessem o mínimo com algum membro ou funcionário da Comuna. Paris quase ficou sem sapateiros, alfaiates, ferreiros, pedreiros e marceneiros, homens esses que tinham vestido o uniforme da Guarda Nacional em prol da Comuna.

Cresceu, também, a onda de violência sobre a Europa. Republicanos e monarquistas, conservadores e liberais se uniram em uma aliança a fim de combater o proletariado revolucionário e principalmente combater a Internacional. Foi instaurada uma questão crucial: se a Comuna teria sido a primeira ou a última revolução proletária, já que pensadores como Franz Mehring a entendiam como o final de um ciclo, enquanto Engels e Marx falavam sobre como as consequências da derrota da Comuna resultaram na transferência do movimento operário para a Alemanha, proporcionando, portanto, continuidade.

A Comuna demonstrou que é possível realizar uma transição de um regime capitalista para um regime operário efetivo e a Paris dessa época é lembrada como a precursora de uma nova sociedade. Ela foi o berço de correntes ideológicas que ficaram fortes no anarquismo europeu nos anos seguintes, como o anarco-sindicalismo, antes da onda de violência que se desenvolveu no cenário político europeu. Os ideais da Comuna repercutiram até em lugares distantes, como Portugal, Argentina, Brasil e México. No começo do século XX, os trabalhadores, camponeses e soldados da Rússia que constituíram os sovietes passaram a agir e a Revolução Russa ficou compreendida como uma modernização da Comuna de Paris, tendo em vista que utilizou da mesma como um instrumento teórico, porém adaptado a um outro contexto. A Comuna de Paris, falhando ou não, apareceu novamente em diversos momentos dos séculos XX e XXI, quando foi mencionada na Revolução Cultural da China e até mesmo durante o governo de Salvador Allende no Chile, quando continua a ser adotada a ideia de ascensão ao poder pela via revolucionária. A Comuna serviu de base e até de prova para a construção dos pensamentos anarquistas e marxistas, já que Marx e Bakunin a analisaram e conseguiram dela tirar diversas conclusões acerca da importância do Estado para uma sociedade.

  1. . Association des Amies et Amis de la Commune de Paris 1871
  2. Milza, 2009a, p. 319
  3. Rapport d'ensemble de M. le Général Appert sur les opérations de la justice militaire relatives à l'insurrection de 1871, Assemblée nationale, annexe au procès verbal de la session du 20 juillet 1875 (Versailles, 1875)
  4. Tombs, Robert, "How Bloody was la Semaine sanglante of 1871? A Revision". The Historical Journal, September 2012, vol. 55, issue 03, pp. 619-704
  5. Rougerie, Jacques, La Commune de 1871," p. 118
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  7. COGGIOLA, Osvaldo. A primeira internacional operária e a comuna de paris. In.: Novos Temas: Revista de debate e cultura marxista, n°04. Salvador: Quarteto; São Paulo: ICP; Ano III, set. de 2011; p. 165
  8. COGGIOLA, Osvaldo. A primeira internacional operária e a comuna de paris. In.: Novos Temas: Revista de debate e cultura marxista, n°04. Salvador: Quarteto; São Paulo: ICP; Ano III, set. de 2011; p. 165
  9. Marx, Karl (2011). A Guerra Civil na França. São Paulo: Boitempo
  10. COGGIOLA, Osvaldo. A primeira internacional operária e a comuna de paris. In.: Novos Temas: Revista de debate e cultura marxista, n°04. Salvador: Quarteto; São Paulo: ICP; Ano III, set. de 2011; p. 166
  11. BAKUNIN, Mikhail (2020). A Comuna de Paris e a Noção de Estado. Piauí: Terra Sem Amos
  12. ANDRADE, Jaqueline. As mulheres na Comuna de Paris: de coadjuvantes a protagonistas. In.: Anais do V Simpósio Internacional Lutas Sociais na América Latina. 2013. p. 30-31
  13. COGGIOLA, Osvaldo. A primeira internacional operária e a comuna de paris. In.: Novos Temas: Revista de debate e cultura marxista, n°04. Salvador: Quarteto; São Paulo: ICP; Ano III, set. de 2011; pp.165
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  16. COGGIOLA, Osvaldo. A primeira internacional operária e a comuna de paris. In.: Novos Temas: Revista de debate e cultura marxista, n°04. Salvador: Quarteto; São Paulo: ICP; Ano III, set. de 2011; pp. 166
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  19. COGGIOLA, Osvaldo. A primeira internacional operária e a comuna de paris. In.: Novos Temas: Revista de debate e cultura marxista, n°04. Salvador: Quarteto; São Paulo: ICP; Ano III, set. de 2011; pp. 169
  20. ANDRADE, Jaqueline. As mulheres na Comuna de Paris: de coadjuvantes a protagonistas. In.: Anais do V Simpósio Internacional Lutas Sociais na América Latina. 2013. pp. 31-32
  21. MORAES, João Quartim de. Guerra. Revolução e contra-revolução na França (1870-1871). In.: Novos temas: Revista de debate e cultura marxista, n°4. Salvador: Quarteto; São Paulo: ICP; Ano III, set. de 2011, pp. 36-37
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  23. BARSOTTI, Paulo. Autoemancipação dos trabalhadores e destruição do estado. In.: In.: Novos temas: Revista de debate e cultura marxista, n°4. Salvador: Quarteto; São Paulo: ICP. Ano III, set. de 2011, pp. 96
  24. MORAES, João Quartim de. Guerra. Revolução e contra-revolução na França (1870-1871). In.: Novos temas: Revista de debate e cultura marxista, n°4. Salvador: Quarteto; São Paulo: ICP; Ano III, set. de 2011, pp. 74
  25. ANDRADE, Jaqueline. As mulheres na Comuna de Paris: de coadjuvantes a protagonistas. In.: Anais do V Simpósio Internacional Lutas Sociais na América Latina. 2013. pp. 33-34
  26. GONZÁLEZ, Horácio. A Comuna de Paris, Os Assaltantes do Céu. 1999. pp. 65.
  27. GONZÁLEZ, Horácio. A Comuna de Paris, Os Assaltantes do Céu. 1999. pp. 62-63.
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  30. D’Atri, Andrea. Comuna de Paris: mulheres parindo um mundo novo. Lutas Sociais, São Paulo, nº 25-26, p. 276-286, 2011. Disponível em: </https://revistas.pucsp.br/ls/article/view/18607/> Acesso em: 03 de jan. de 2021. p. 279-280
  31. D’Atri, Andrea. Comuna de Paris: mulheres parindo um mundo novo. Lutas Sociais, São Paulo, nº 25-26, p. 276-286, 2011. Disponível em: </https://revistas.pucsp.br/ls/article/view/18607/> Acesso em: 03 de jan. de 2021. p. 282
  32. ANDRADE, Jaqueline. As mulheres na Comuna de Paris: de coadjuvantes a protagonistas. In.: Anais do V Simpósio Internacional Lutas Sociais na América Latina. 2013. p. 35
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O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Comuna de Paris
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  • Jean Maitrón, Prosper-Olivier Lissagaray (2005). . Paris: La découverte

comuna, paris, período, insurrecional, história, paris, 1871, língua, vigiar, editar, esta, página, cita, fontes, estas, não, cobrem, todo, conteúdo, ajude, inserir, referências, conteúdo, não, verificável, poderá, removido, encontre, fontes, google, notícias,. Comuna de Paris Periodo insurrecional na historia de Paris 1871 Lingua Vigiar Editar Esta pagina cita fontes mas estas nao cobrem todo o conteudo Ajude a inserir referencias Conteudo nao verificavel podera ser removido Encontre fontes Google noticias livros e academico Fevereiro de 2010 A Comuna de Paris eclodida em 18 de marco de 1871 foi uma das mais importantes insurreicoes populares do seculo XIX A capital francesa foi evacuada assim que as massas populares a tomaram Esse evento foi resultado de diversos fatores especificos do periodo a crise nacional do regime bonapartista que comecava a declinar o abalo provindo da Guerra Franco Prussiana e principalmente a ascensao da ideologia e do desenvolvimento politico de ideais socialistas entre o proletariado europeu expressos pela expansao da Associacao Internacional dos Trabalhadores AIT 7 Comuna de ParisConsequencias do Cerco de Paris durante a Guerra Franco PrussianaUma barricada na Rua Voltaire apos sua captura pelo exercito regular durante a Semana SangrentaData 18 de marco 28 de maio de 1871Local Paris FrancaDesfecho Revolta suprimidaBeligerantesRepublica Francesa Forcas Armadas da Franca Communards Guarda NacionalComandantesPatrice de Mac Mahon Louis Charles Delescluze Jaroslaw Dabrowski Forcas170 000 1 Oficialmente 200 000 na realidade provavelmente entre 25 000 e 50 000 combatentes 2 Baixas877 mortos 6 454 feridos e 183 desaparecidos 3 6 667 mortos confirmados e enterrados 4 Estimativas nao confirmadas variam entre 10 000 5 e 20 000 6 mortos Barricade The Paris Commune May 1871 Andre Devambez 1911 O advento da Comuna foi considerado por diversos historiadores como o primeiro autogoverno de carater proletario e popular dentro do contexto de ascensao do capitalismo o que corroborou ao desenvolvimento de uma consciencia de classe dos trabalhadores na Franca e na Europa ocidental no seculo XIX algo que ainda nao havia ocorrido no seculo XVIII com a Revolucao Francesa apesar de os ideais jacobinos desenvolvidos neste acontecimento terem sido adotados durante o periodo da Comuna 8 Na descricao de Marx a Comuna era composta de conselheiros municipais eleitos por sufragio universal nos diversos distritos da cidade Eram responsaveis e substituiveis a qualquer momento A Comuna devia ser nao um orgao parlamentar mas uma corporacao de trabalho executiva e legislativa ao mesmo tempo Em vez de continuar sendo um instrumento do governo central a policia foi imediatamente despojada de suas atribuicoes politicas e convertida num instrumento da Comuna responsavel perante ela e demissivel a qualquer momento O mesmo foi feito em relacao aos funcionarios dos demais ramos da administracao A partir dos membros da Comuna todos que desempenhavam cargos publicos deviam receber salarios de operarios Como e logico a Comuna de Paris havia de servir de modelo a todos os grandes centros industriais da Franca Uma vez estabelecido em Paris e nos centros secundarios o regime comunal o antigo governo centralizado teria que ceder lugar tambem nas provincias ao autogoverno dos produtores No breve esboco de organizacao nacional que a Comuna nao teve tempo de desenvolver diz se claramente que a Comuna devia ser a forma politica inclusive das menores aldeias do pais e que nos distritos rurais o exercito permanente devia ser substituido por uma milicia popular com um tempo de servico extraordinariamente curto As comunas rurais de cada distrito administrariam seus assuntos coletivos por meio de uma assembleia de delegados na capital do distrito correspondente a essas assembleias por sua vez enviariam deputados a delegacao nacional em Paris 9 A expansao do movimento socialista desde atuacao Proudhon e publicacao em 1840 de O que e a propriedade passando pela publicacao do Manifesto Comunista de Marx e Engels que ja se expressava a tendencia crescente de uma avanco do socialismo na classe operaria internacional impulsionada desde a decada de 1830 10 Segundo Engels so os operarios de Paris tinham a intencao bem definida derrubando o governo de derrubar o regime da burguesia ainda que nem o progresso economico do pais nem o desenvolvimento intelectual das massas operarias francesas contudo tinham atingido ainda o grau que teria tornado possivel uma reconstrucao social Essa visao cada vez mais dissipada favoreceu questionamentos a Republica recem instalada na Franca depois das derrotas na Guerra Franco Prussiana visto que o Estado frances se encontrava em uma condicao critica e caotica na qual os trabalhadores e camponeses eram os mais prejudicados ainda que houvesse tambem uma insatisfacao da burguesia francesa com um governo que era meramente representativo Apesar de ter durado apenas dois meses 18 de marco 28 de maio de 1871 a Comuna de Paris foi uma manifestacao de grande importancia para a historia das lutas proletarias e seu futuro mesmo que seja considerada como uma insurreicao inacabada por alguns historiadores Derrubada pelo exercito frances e alemao a Comuna foi colocada pelo proprio Engels como um exemplo do que seria a ditadura do proletariado importante conceito da teoria marxista Ja para Mikhail Bakunin um dos fundadores do sindicalismo revolucionario e dirigente da ala federalista da AIT que teve decisiva participacao na Comuna de Lyon e de outros levantes populares na Franca entre 1870 e 1871 O socialismo revolucionario acaba de tentar uma primeira manifestacao brilhante e pratica na Comuna de Paris Sou um partidario da Comuna de Paris que por ter sido esmagada sufocada em sangue pelos verdugos da reacao monarquica e clerical nao por isso deixou de se fazer mais vivaz mais poderosa na imaginacao e no coracao do proletariado da Europa sou seu partidario em grande parte porque foi uma negacao audaz bem pronunciada do Estado E um fato historico imenso que essa negacao do Estado tenha se manifestado justamente na Franca que foi ate agora o pais por excelencia da centralizacao politica e que seja precisamente Paris a cabeca e o criador historico dessa grande civilizacao francesa que tenha tomado essa iniciativa Paris que abdica de sua coroa e proclama com entusiasmo sua propria decadencia para dar a liberdade e a vida a Franca a Europa ao mundo inteiro Paris que afirma de novo sua potencia historica de iniciativa ao mostrar a todos os povos escravos e quais sao as massas populares que nao sao escravas o unico caminho de emancipacao e de salvacao Paris que da um golpe mortal nas tradicoes politicas do radicalismo burgues e uma base real ao socialismo revolucionario Paris que merece de novo as maldicoes de toda gente reacionaria da Franca e da Europa Paris que se envolve em suas ruinas para desmentir solenemente a reacao triunfante que salva com seu desastre a honra e o porvir da Franca e demonstra a humanidade consolada que se a vida a inteligencia e a forca moral retiraram se das classes superiores conservaram se energicas e cheias de porvir no proletariado Paris que inaugura a nova era aquela da emancipacao definitiva e completa das massas populares e de sua solidariedade de agora em diante completamente real atraves e apesar das fronteiras dos Estados Paris que mata o patriotismo e funda sobre suas ruinas a religiao da humanidade Paris que se proclama humanitaria e ateia e substitui as ficcoes divinas pelas grandes realidades da vida social e a fe na ciencia as mentiras e as iniquidades da moral religiosa politica e juridica pelos principios da liberdade da justica da igualdade e da fraternidade estes fundamentos eternos de toda moral humana Paris heroica racional e crente que confirma sua fe energica nos destinos da humanidade por sua queda gloriosa por sua morte e que a transmite muito mais energica e viva as geracoes vindouras Paris inundada no sangue de seus filhos mais generosos e a humanidade crucificada pela reacao internacional coligada da Europa sob a inspiracao imediata de todas as igrejas cristas e do grande sacerdote da iniquidade o Papa mas a proxima revolucao internacional e solidaria dos povos sera a ressurreicao de Paris 11 Os apoiadores da Comuna perceberam que nao seria possivel sustentar um autogoverno proletario sobre uma estrutura estatal burguesa Com isso e a fim de atender as necessidades da classe proletaria a Comuna foi obrigada a substituir essa estrutura por um outro tipo de organizacao politica Essa foi a maior contribuicao da insurreicao para o movimento revolucionario proletario a ideia de que uma reestruturacao completa era necessaria 12 Indice 1 Antecedentes 1 1 Guerra Franco Prussiana 2 O Governo da Comuna de Paris 3 Participacao das mulheres 4 O fim da Comuna 5 Consequencias legado e memoria 6 Referencias 7 Bibliografia 8 Ligacoes externasAntecedentes EditarA Franca passou por diversas turbulencias em sua epoca moderna sendo a Revolucao Francesa que ocorreu em 1789 a mais simbolica delas Durante a Revolucao Francesa entretanto nao existia ainda uma consciencia de classe especifica dos trabalhadores que so surgiu entre 1815 e 1848 tanto na Franca quanto na Inglaterra 13 As bases agrarias francesas eram muito fortes 14 e por ser um pais de artesaos camponeses e comerciantes ou seja pequeno burgueses 15 pode se dizer que o capitalismo era pouco desenvolvido no Estado frances se comparado com a Inglaterra o que explica o surgimento tardio das agremiacoes proletarias O proprio conceito de socialismo so surgiu na decada de 1820 Na decada de 1830 entretanto ja era possivel notar a formacao de uma consciencia de classe proletaria ainda que essa fosse muito menor quando comparada a consciencia da burguesia 16 e inclusive algumas revoltas representativas desse sentimento como a insurreicao dos trabalhadores texteis de Lyon em 1844 As chamadas Revolucoes de 1848 ja mostravam essa tomada de consciencia das classes proletarias Porem para Engels nem o progresso economico do pais nem o desenvolvimento intelectual das massas operarias francesas contudo tinham atingido ainda o grau que teria tornado possivel uma reconstrucao social 17 Com a derrota dos trabalhadores em 1848 a burguesia perdeu suas caracteristicas progressistas e assumiu publicamente seu lado conservador e reacionario projetando se como classe dominante e admitindo um papel antagonista em relacao aos trabalhadores 18 Nesse contexto na decada de 1860 foi criada a Associacao Internacional de Trabalhadores ou Primeira Internacional que tinha por objetivo ser um ponto central de comunicacao e cooperacao entre os operarios de diferentes paises 19 No campo politico esta epoca viu ascender ao poder Napoleao III primeiramente por vias democraticas posteriormente por um golpe que instaurou seu Segundo Imperio Sua posicao como imperador foi muito questionada na decada de 1870 Guerra Franco Prussiana Editar Os acontecimentos politicos ligados a Guerra Franco Prussiana revelam o carater burgues do Estado frances que foi o que levou ao processo revolucionario 20 Dessa forma a Guerra Franco Prussiana pode ser compreendida como um antecedente chave para entender a Comuna de Paris A guerra eclodiu em 1870 e a Franca de Napoleao III foi duramente derrotada O imperador foi preso e um governo provisorio a III Republica foi estabelecido em 14 de setembro de 1870 No entanto este governo se mostrou ineficaz pois as insatisfacoes politicas que ja existiam no governo de Napoleao III continuavam a se propagar e eram agora protagonizadas pelos trabalhadores As massas estavam insatisfeitas com as condicoes da derrota e o governo falhou nas tentativas de acordo com os prussianos Enquanto isso tropas prussianas cercavam os portoes de Paris 21 Coluna de Vendome derrubada apos a Guerra Franco Prussiana Franck Chute de la colonne Vendome 1871 Quando as tropas prussianas comecaram a ocupar a Franca em direcao a Paris em 2 de setembro de 1870 foi iniciado o processo historico que culminou na Comuna de Paris O governo frances estava fragmentado e o povo se encontrava a merce do exercito de ocupacao A populacao exigiu a criacao de uma Guarda Nacional formada pelas classes populares 22 para que pudesse agir Os trabalhadores entao se armaram para a defesa das cidades e se recusaram a obedecer a rendicao humilhante 23 feita em Versalhes atraves da qual a Franca cederia os territorios da Alsacia e Lorena a Prussia As tropas prussianas ocuparam os fortes do leste de Paris se convocaram eleicoes para uma nova Assembleia e o governo de defesa nacional foi convidado a renunciar Os trabalhadores parisienses por sua vez nao aceitavam largar as armas 24 A revolta da populacao diante das tropas prussianas se transformou em uma revolta social Foi nesse contexto de organizacao independente dos trabalhadores para a defesa de Paris que surgiram as liderancas proletarias 25 que conduziram o pais a Comuna O Governo da Comuna de Paris EditarEm 18 marco de 1871 na capital francesa aconteceu o evento da Comuna de Paris a primeira tentativa da historia de um governo regido pelo proletariado que eclodiu em forma de insurreicao social contra a burguesia parisiense o governo frances e os ataques inimigos dos exercitos alemaes que lutavam na Guerra Franco Prussiana 1870 1871 A Comuna de Paris porem so seria oficialmente proclamada no dia 28 de marco apos eleicoes realmente universais realizadas dois dias antes pelo povo que resultaram na ruptura do governo parisiense com o governo de Versalhes 26 Horace Vernet Barricade Rue Soufflot Pintura da Batalha nas barricadas na Rua Soufflot no dia 24 de junho de 1848 As tropas da Guarda Nacional compostas por neojacobinos blanquistas e internacionalistas comandadas por Montmartre e Chaumont impediram que o exercito frances a mando de Adolf Thiers e comandadas pelos generais republicanos Thomas e Lecomte confiscassem os canhoes de Paris na noite do evento da Comuna A ocupacao de Paris pela Guarda Nacional cuja vanguarda era formada por homens que ja carregavam uma ideologia popular aconteceu e a cidade foi evacuada governantes nobres e funcionarios civis fugiram Logo Paris pertencia ao povo revolucionario O exercito da Guarda Nacional ainda reprimiria novamente partidarios de direita em contato com Thiers que se manifestariam contra o Comite Nacional em 21 de marco 27 A partir de entao a Franca passou a ter duas capitais vigentes Paris e Versalhes cada uma com sua ideia de nacao e de regime politico apropriado para ser aplicado dois centros politicos que competiam entre si Em seu periodo de governo na cidade de Paris a Comuna tomou variadas medidas em prol do povo parisiense a primeira foi destituir a centralizacao do poder estatal abolindo depois o poderio da Igreja posteriormente separada da escola e do plano educacional tambem da policia e do exercito Alem disso a burocracia estatal foi substituida pela autogestao social coletiva 28 e uma previdencia social foi instituida A administracao da Comuna de Paris introduziu ainda muito mais reformas Paris Commune conscription poster 29 de marco de 1871 Autor desconhecido O trabalho noturno foi extinto Oficinas que estavam fechadas foram reabertas para que cooperativas fossem instaladas Residencias vazias foram desapropriadas e reocupadas Em cada residencia oficial foi instalado um comite para organizar a ocupacao de moradias Todos os descontos nos salarios foram abolidos A jornada de trabalho foi reduzida e chegou se a propor a jornada de oito horas Os sindicatos foram legalizados Instituiu se a igualdade entre os sexos Projetou se a gestao operaria das fabricas sem no entanto implanta la O monopolio da lei pelos advogados o juramento judicial e os honorarios foram abolidos Testamentos adocoes e a contratacao de advogados se tornaram gratuitos O casamento se tornou gratuito e simplificado A pena de morte foi abolida O cargo de juiz se tornou eletivo O calendario revolucionario foi novamente adotado O Estado e a Igreja foram separados a Igreja deixou de ser subvencionada pelo Estado e os espolios sem herdeiros passaram a ser confiscados pelo Estado A educacao se tornou gratuita secular e compulsoria Escolas noturnas foram criadas e todas as escolas passaram a ser de sexo misto Imagens santas foram derretidas e sociedades de discussao foram criadas nas igrejas A Igreja de Brea erguida em memoria de um dos homens envolvidos na repressao da Revolucao de 1848 foi demolida O confessionario de Luis XVI e a coluna Vendome tambem A bandeira vermelha foi adotada como simbolo da Unidade Federal da Humanidade 29 Entretanto por mais revolucionaria que tenha sido toda a insurreicao que resultou no regime da Comuna de Paris desde o comeco ela estava fadada ao fracasso Isso se deu gracas aos erros em questoes estrategicas para a protecao militar da cidade parisiense contra as tropas de Adolf Thiers que posteriormente junto as tropas prussianas derrubariam o governo proletario que havia se instituido na capital francesa Participacao das mulheres Editar Louise Michel 1880 Autor desconhecido Antes mesmo da Comuna as mulheres tanto burguesas quanto operarias ja haviam se levantado politicamente nas lutas revolucionarias de 1789 Porem ao contrario da Revolucao Francesa 30 na Comuna de Paris as mulheres podiam empunhar armas e lutar nas linhas de frente 31 A proletarizacao das mulheres ocorreu principalmente atraves das industrias texteis onde elas passaram a se organizar participando de sindicatos e clubes politicos 32 Na Comuna organizadas as mulheres encontraram maior voz para lutar pela igualdade inclusive pela igualdade de genero 33 Moloch La barricade de la place Blanche defendue par des femmes lors de la Semaine sanglante Durante a Comuna as mulheres combateram muitas vezes nas linhas de frente as tropas prussianas e francesas confeccionaram uniformes cuidaram de feridos prestaram assistencias logisticas e fabricaram sacos que foram usados nas barricadas feitas pelo povo parisiense 34 Uma importante mulher presente na Comuna de Paris foi Louise Michel uma professora humanista que se negou a declarar lealdade ao imperio de Napoleao III e se engajou na luta pela Republica Durante a Comuna ela foi tanto combatente quanto enfermeira alem de se unir ao movimento anarquista e se dispor para ir ate Versalhes assassinar o presidente Thiers 35 Ela foi presa e deportada em decorrencia de suas acoes Como resultado da ativa participacao das mulheres na Comuna de Paris em seu governo foi anunciada a igualdade de direitos entre os generos apesar de ainda nao ter sido instituido o sufragio universal 36 O fim da Comuna EditarO fim da Comuna decorreu de um erro crucial ocorrido logo no primeiro dia do acontecimento em que o governo de Thiers evacuou a cidade de Paris Esse foi o momento em que o Comite Central deveria ter movimentado a Guarda Nacional sobre Versalhes tendo em vista que as tropas do exercito estavam indefesas e o movimento tinha forte apoio da populacao nesse momento amplamente mobilizada 37 Outro motivo que auxiliou a derrocada da Comuna foi o abandono de Paris pelo exercito regular Isso tudo se deveu ao fato de que a Comuna acreditava ser possivel chegar em um acordo com Thiers 38 Com o passar do tempo e o descuido em nao ter atacado Versalhes diversas tropas passaram a chegar a Paris vindas do interior da Franca e Thiers recebeu a autorizacao da Alemanha para concentrar ainda mais tropas no local 39 Bismarck com medo de uma possivel vitoria da Comuna libertou por ordem de Thiers cerca de 60 mil soldados franceses presos pela Prussia e aumentou suas proprias tropas para 130 mil soldados Com isso a cidade de Paris foi cercada e os communards tiveram de fugir queimando em protesto tudo aquilo que deixavam para tras 40 Para Paris a tatica de guerra era realizar um combate de certa forma limpo que respeitasse os principios de Genebra enquanto para Thiers se tratava de uma guerra suja na qual nao haveria misericordia Portanto era comum que os exercitos inimigos da Comuna realizassem fuzilamentos atirassem contra ambulancias e promovessem outras acoes violentas deste genero Estes exercitos enxergavam aos civis como um objeto de guerra algo que ia contra os principios de Genebra 41 A Comuna tinha um alto poder belico porem nao tinha plano e nem comando definido Com isso Thiers respondeu rispidamente bombardeando simulando conciliacoes e promovendo outras diversas maneiras de sua guerra suja usando de corrupcao e ate mesmo de um falso patriotismo 42 Cisoes comecaram a surgir dentro da propria Comuna tendo em vista que enquanto os jacobinos e os blanquistas queriam concentrar os poderes politico militares no Comite de Salvacao os proudhonianos e marxistas que eram muito poucos no momento acreditavam estar sob dominio de uma nova ditadura Esses desentendimentos internos eram externados atraves de manifestos em jornais 43 Diversas perdas se efetivaram ao fim da insurreicao atraves por exemplo de renuncias de individuos de altos cargos de comando e da falta de clareza na lideranca do movimento 44 Paris foi ficando desastrosa com inumeros sinais de destruicao e uma quantidade enorme de vitimas da guerra Os combates eram completamente desproporcionais entre as forcas oponentes de modo que um exercito extremamente forte e bem armado lutava contra alguns poucos soldados sem comando desatentos e sem esperanca 45 Consequencias legado e memoria EditarOs batalhoes da Comuna haviam sido dizimados se perderam diversos soldados seja pela morte em guerra por fuzilamento ou por terem sido levados prisioneiros 46 Diversas lojas foram saqueadas os soldados destruiam as prateleiras as mobilias levavam diversas mercadorias e objetos de valor como joias e bebidas e ate itens de perfumaria 47 A forca do exercito frances ligada a falta de organizacao da Comuna de Paris resultou no fim desta A Semana Sangrenta como ficou conhecido o periodo entre 22 e 28 de Maio entrou para a historia dessa batalha com mais de 20 mil parisienses mortos Ao fim da Comuna 17 mil parisienses foram executados mais de 40 mil foram feitos prisioneiros e mais de 13 mil condenacoes se efetivaram 48 Execution en masse des communards captures dans les cours de la caserne Lobau pres de l Hotel de Ville Gravure de Frederic Lix pour L Illustration du 10 juin 1871 Bibliotheque historique de la Ville de Paris Enquanto a Comuna ainda resistia so pessoas denunciadas ou os federados haviam sido mortos Apos o fim da Comuna os soldados franceses nao viam diferenca e passavam a matar civis com frequencia revistando casas e cadaveres e levando tudo o que tinham acao que ficou conhecida como O ultimo confisco 49 Portanto qualquer pessoa desconhecida poderia ser fuzilada de modo que as pessoas passaram a ficar mais desconfiadas e a angustia e o desespero aumentaram conforme mais historias de fuzilamento iam se dissipando por Paris 50 Como nao havia policia e muito menos informacoes precisas o exercito assassinava qualquer pessoa que se referisse a outra com algum nome revolucionario e os soldados ja fuzilavam os denunciados na ansia de receber o premio pela sua cabeca Diversas pessoas eram fuziladas baseadas apenas no fato de que se parecessem o minimo com algum membro ou funcionario da Comuna 51 Paris quase ficou sem sapateiros alfaiates ferreiros pedreiros e marceneiros homens esses que tinham vestido o uniforme da Guarda Nacional em prol da Comuna 52 Cresceu tambem a onda de violencia sobre a Europa Republicanos e monarquistas conservadores e liberais se uniram em uma alianca a fim de combater o proletariado revolucionario e principalmente combater a Internacional 53 Foi instaurada uma questao crucial se a Comuna teria sido a primeira ou a ultima revolucao proletaria ja que pensadores como Franz Mehring a entendiam como o final de um ciclo enquanto Engels e Marx falavam sobre como as consequencias da derrota da Comuna resultaram na transferencia do movimento operario para a Alemanha proporcionando portanto continuidade 54 A Comuna demonstrou que e possivel realizar uma transicao de um regime capitalista para um regime operario efetivo 55 e a Paris dessa epoca e lembrada como a precursora de uma nova sociedade 56 Ela foi o berco de correntes ideologicas que ficaram fortes no anarquismo europeu nos anos seguintes como o anarco sindicalismo antes da onda de violencia que se desenvolveu no cenario politico europeu 57 Os ideais da Comuna repercutiram ate em lugares distantes como Portugal Argentina Brasil e Mexico 58 No comeco do seculo XX os trabalhadores camponeses e soldados da Russia que constituiram os sovietes passaram a agir e a Revolucao Russa ficou compreendida como uma modernizacao da Comuna de Paris tendo em vista que utilizou da mesma como um instrumento teorico porem adaptado a um outro contexto 59 A Comuna de Paris falhando ou nao apareceu novamente em diversos momentos dos seculos XX e XXI quando foi mencionada na Revolucao Cultural da China e ate mesmo durante o governo de Salvador Allende no Chile quando continua a ser adotada a ideia de ascensao ao poder pela via revolucionaria 60 A Comuna serviu de base e ate de prova para a construcao dos pensamentos anarquistas e marxistas ja que Marx e Bakunin a analisaram e conseguiram dela tirar diversas conclusoes acerca da importancia do Estado para uma sociedade 61 Referencias Editar Les aspects militaires de la Commune par le colonel Rol Tanguy Association des Amies et Amis de la Commune de Paris 1871 Milza 2009a p 319 Rapport d ensemble de M le General Appert sur les operations de la justice militaire relatives a l insurrection de 1871 Assemblee nationale annexe au proces verbal de la session du 20 juillet 1875 Versailles 1875 Tombs Robert How Bloody was la Semaine sanglante of 1871 A Revision The Historical Journal September 2012 vol 55 issue 03 pp 619 704 Rougerie Jacques La Commune de 1871 p 118 Lissagaray Prosper Olivier 1876 Histoire de la Commune de 1871 La Decouverte Poche 2000 p 383 COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 p 165 COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 p 165 Marx Karl 2011 A Guerra Civil na Franca Sao Paulo Boitempo COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 p 166 BAKUNIN Mikhail 2020 A Comuna de Paris e a Nocao de Estado Piaui Terra Sem Amos ANDRADE Jaqueline As mulheres na Comuna de Paris de coadjuvantes a protagonistas In Anais do V Simposio Internacional Lutas Sociais na America Latina 2013 p 30 31 COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 165 SARToRIO Lucia Ap Valadares A Comuna de Paris e a perspectiva do trabalho Anais do XXVI Simposio Nacional de Historia 2011 pp 3 COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 p 175 COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 166 COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 168 MORAES Joao Quartim de Guerra Revolucao e contra revolucao na Franca 1870 1871 In Novos temas Revista de debate e cultura marxista n 4 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 32 33 COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 169 ANDRADE Jaqueline As mulheres na Comuna de Paris de coadjuvantes a protagonistas In Anais do V Simposio Internacional Lutas Sociais na America Latina 2013 pp 31 32 MORAES Joao Quartim de Guerra Revolucao e contra revolucao na Franca 1870 1871 In Novos temas Revista de debate e cultura marxista n 4 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 36 37 DE JESUS BENTO Angelita SALVIA Denis Berte HOFFMANN Jeferson Comuna de Paris pp 4 BARSOTTI Paulo Autoemancipacao dos trabalhadores e destruicao do estado In In Novos temas Revista de debate e cultura marxista n 4 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 96 MORAES Joao Quartim de Guerra Revolucao e contra revolucao na Franca 1870 1871 In Novos temas Revista de debate e cultura marxista n 4 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 74 ANDRADE Jaqueline As mulheres na Comuna de Paris de coadjuvantes a protagonistas In Anais do V Simposio Internacional Lutas Sociais na America Latina 2013 pp 33 34 GONZALEZ Horacio A Comuna de Paris Os Assaltantes do Ceu 1999 pp 65 GONZALEZ Horacio A Comuna de Paris Os Assaltantes do Ceu 1999 pp 62 63 VIANA Nildo O Significado Politico da Comuna de Paris 2011 pp 66 72 COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 170 171 D Atri Andrea Comuna de Paris mulheres parindo um mundo novo Lutas Sociais Sao Paulo nº 25 26 p 276 286 2011 Disponivel em lt https revistas pucsp br ls article view 18607 gt Acesso em 03 de jan de 2021 p 279 280 D Atri Andrea Comuna de Paris mulheres parindo um mundo novo Lutas Sociais Sao Paulo nº 25 26 p 276 286 2011 Disponivel em lt https revistas pucsp br ls article view 18607 gt Acesso em 03 de jan de 2021 p 282 ANDRADE Jaqueline As mulheres na Comuna de Paris de coadjuvantes a protagonistas In Anais do V Simposio Internacional Lutas Sociais na America Latina 2013 p 35 D Atri Andrea Comuna de Paris mulheres parindo um mundo novo Lutas Sociais Sao Paulo nº 25 26 p 276 286 2011 Disponivel em lt https revistas pucsp br ls article view 18607 gt Acesso em 03 de jan de 2021 p 279 280 ANDRADE Jaqueline As mulheres na Comuna de Paris de coadjuvantes a protagonistas In Anais do V Simposio Internacional Lutas Sociais na America Latina 2013 p 35 ANDRADE Jaqueline As mulheres na Comuna de Paris de coadjuvantes a protagonistas In Anais do V Simposio Internacional Lutas Sociais na America Latina 2013 p 37 ANDRADE Jaqueline As mulheres na Comuna de Paris de coadjuvantes a protagonistas In Anais do V Simposio Internacional Lutas Sociais na America Latina 2013 p 35 DE JESUS BENTO Angelita SALVIA Denis Berte HOFFMANN Jeferson Comuna de Paris p 9 COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 p 172 173 COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 p 174 DE JESUS BENTO Angelita SALVIA Denis Berte HOFFMANN Jeferson Comuna de Paris p 10 GONZALEZ Horacio A Comuna de Paris os assaltantes do ceu 24 ed Sao Paulo Brasiliense 1999 p 67 BARSOTTI Paulo Autoemancipacao dos trabalhadores e destruicao do estado In In Novos temas Revista de debate e cultura marxista n 4 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 p 99 100 GONZALEZ Horacio A Comuna de Paris os assaltantes do ceu 24 ed Sao Paulo Brasiliense 1999 p 72 73 GONZALEZ Horacio A Comuna de Paris os assaltantes do ceu 24 ed Sao Paulo Brasiliense 1999 p 74 GONZALEZ Horacio A Comuna de Paris os assaltantes do ceu 24 ed Sao Paulo Brasiliense 1999 p 91 MORAES Joao Quartim de Guerra Revolucao e contra revolucao na Franca 1870 1871 In Novos temas Revista de debate e cultura marxista n 4 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 31 A COMUNA DE PARIS Versao Portuguesa Marco Fernandes baseado na versao de Eleanor Marx p 145 DE JESUS BENTO Angelita SALVIA Denis Berte HOFFMANN Jeferson Comuna de Paris p 10 A COMUNA DE PARIS Versao Portuguesa Marco Fernandes baseado na versao de Eleanor Marx p 151 A COMUNA DE PARIS Versao Portuguesa Marco Fernandes baseado na versao de Eleanor Marx p 161 A COMUNA DE PARIS Versao Portuguesa Marco Fernandes baseado na versao de Eleanor Marx p 167 GONZALEZ Horacio A Comuna de Paris os assaltantes do ceu 24 ed Sao Paulo Brasiliense 1999 p 93 COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 176 GARCIA Marco Aurelio A Comuna de Paris como paradigma revolucionario In Boito Jr Armando A Comuna de Paris na Historia Sao Paulo Xama CEMARX Unicamp 2001 p 153 154 MORAES Joao Quartim de Guerra Revolucao e contra revolucao na Franca 1870 1871 In Novos temas Revista de debate e cultura marxista n 4 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 45 Marx Karl Engels Friedrich Sobre a Comuna In the marxists internet archive 1871 COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 175 176 COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 175 MORAES Joao Quartim de Guerra Revolucao e contra revolucao na Franca 1870 1871 In Novos temas Revista de debate e cultura marxista n 4 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 pp 43 GARCIA Marco Aurelio A Comuna de Paris como paradigma revolucionario In Boito Jr Armando A Comuna de Paris na Historia Sao Paulo Xama CEMARX Unicamp 2001 p 154 GARCIA Marco Aurelio A Comuna de Paris como paradigma revolucionario In Boito Jr Armando A Comuna de Paris na Historia Sao Paulo Xama CEMARX Unicamp 2001 p 153 154Bibliografia EditarANDRADE Jaqueline As mulheres na Comuna de Paris de coadjuvantes a protagonistas In Anais do V Simposio Internacional Lutas Sociais na America Latina 2013 p 30 43 BAKUNIN Mikhail A comuna de Paris e a nocao de Estado In Revistas pucsp 1871 p 75 98 BARSOTTI Paulo Autoemancipacao dos trabalhadores e destruicao do estado In In Novos temas Revista de debate e cultura marxista n 4 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 p 91 BERDET Marct Walter Benjamin e a Memoria da Comuna Limiar vol 3 no 6 p 141 162 2016 D Atri Andrea Comuna de Paris mulheres parindo um mundo novo Lutas Sociais Sao Paulo nº 25 26 p 276 286 2011 DE JESUS BENTO Angelita SALVIA Denis Berte HOFFMANN Jeferson Comuna de Paris FERNANDES Marcos A Comuna de Paris baseado na versao de Eleanor Marx S I s n COGGIOLA Osvaldo A primeira internacional operaria e a comuna de paris In Novos Temas Revista de debate e cultura marxista n 04 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 p 49 GARCIA Marco Aurelio A Comuna de Paris como paradigma revolucionario In Boito Jr Armando A Comuna de Paris na Historia Sao Paulo Xama CEMARX Unicamp 2001 p 149 156 GONZALEZ Horacio A Comuna de Paris os assaltantes do ceu 24 ed Sao Paulo Brasiliense 1999 MATTOS Marcelo Badaro A Comuna de Paris no Brasil Outubro s l p 105 114 fev 2002 Marx Karl Engels Friedrich Sobre a Comuna In the marxists internet archive 1871 MENDES Samanta Colhado A Comuna de Paris segundo Louise Michel Espaco Academico Sao Paulo v 118 p 29 46 mar 2011 MORAES Joao Quartim de Guerra Revolucao e contra revolucao na Franca 1870 1871 In Novos temas Revista de debate e cultura marxista n 4 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 p 11SARToRIO Lucia Ap Valadares A Comuna de Paris e a perspectiva do trabalho Anais do XXVI Simposio Nacional de Historia 2011 Tartakowsky Danielle As analises tradicionais e a bibliografia recente sobre a Comuna In Boito Jr Armando A Comuna de Paris na Historia Sao Paulo Xama CEMARX Unicamp 2001 p 29 46 IASI Mauro Luis A Comuna de Paris as raizes terrenas da critica ao ceu In Novos temas Revista de debate e cultura marxista n 4 Salvador Quarteto Sao Paulo ICP Ano III set de 2011 p 73 VIANA Nildo O significado Politico da Comuna de Paris Rev Dig Florianopolis n 6 p 60 82 jul dez 2011 Ligacoes externas Editar O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Comuna de Paris Deutsche Welle 1871 Termina a Semana Sangrenta de Paris Fotos da Comuna de Paris A cidade sem Estado Por Nildo Viana Revista de Historia 1º de novembro de 2015 Lissagaray Prosper Olivier 2018 Les huit journees de mai derriere les barricades Paris Hachette 340 paginas Jean Maitron Prosper Olivier Lissagaray 2005 L histoire de la commune de 1871 Paris La decouverte Portal da Franca Portal do comunismo Obtida de https pt wikipedia org w index php title Comuna de Paris amp oldid 62212700,