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Reino de Roma

Reino de Roma (em latim:Regnum Romanum), também designado como monarquia romana ou período régio, é a expressão utilizada por convenção para definir o estado monárquico romano desde a sua origem (21 de abril de753 a.C.) até a queda da realeza em509 a.C.. A documentação deste período é precária e até mesmo os nomes dos reis são incertos, citando-se apenas os reis lendários, apresentados nas obras de Virgílio (Eneida) e Tito Lívio (Ab Urbe condita libri). Suas origens são imprecisas, se bem parece claro que foi a primeira forma de governo da cidade, um dado que a arqueologia e a linguística parecem confirmar.

Reino de Roma
753 a.C.509 a.C.

Estado romano ca.500 a.C.
Região
Capital Roma
Países atuais Itália

Línguas oficiais
Religião

Forma de governo Monarquia absoluta
Rei
753-717 a.C. Rômulo
717-673 a.C. Numa Pompílio
673-642 a.C. Túlio Hostílio
640-616 a.C. Anco Márcio
616-579 a.C. Tarquínio Prisco
578-535 a.C. Sérvio Túlio
534-509 a.C. Tarquínio, o Soberbo

Período histórico Antiguidade
753 a.C. Rômulo funda Roma
509 a.C. Tarquínio é deposto pelo senado
Estados antecessores e sucessores

Segundo a tradição lendária, Roma foi governada por sete reis.[a] Os antigos atribuem a cada soberano uma inovação para a formação das instituições romanas: Rômulo(r. 753–717 a.C.) fundou a cidade e raptou as sabinas; Numa Pompílio(r. 717–673 a.C.) criou as instituições religiosas, os sacerdócios e os ritos; Túlio Hostílio(r. 673–642 a.C.) destruiu Alba Longa; Anco Márcio(r. 640–616 a.C.) fundou a colônia de Óstia; Tarquínio Prisco(r. 616–579 a.C.) realizou grandes trabalhos de construção em Roma; Sérvio Túlio(r. 578–535 a.C.) dividiu a sociedade romana em classes censitárias; e Tarquínio, o Soberbo(r. 534–509 a.C.) representou o típico tirano romano.

O rei (rex) acumulava funções executivas, judiciais, legislativas e religiosas. A ratificação de leis era feita pela Assembleia das cúrias, composta por todos os cidadãos em idade militar (até 45 anos), e o senado, ou "conselho de anciões", atuava como conselho régio e escolhia novos reis. Na fase final da realeza, a partir do fim doséculo VII a.C., Roma foi dominada pelos etruscos. Eles influenciaram os romanos tanto no plano cultural (disseminação do uso de túnicas, práticas religiosas e culto a novos deuses), como no plano material (ampliação do comércio e criação de canais de drenagem para secagem de pântanos locais).

As crônicas tradicionais, que chegaram até a atualidade através de autores como Tito Lívio, Plutarco, Dionísio de Halicarnasso entre outros, contam que houve uma sucessão de sete reis. A cronologia tradicional, narrada por Marco Terêncio Varrão, mostra que foram 243 anos de duração total para estes reinados, isto é, há uma média de 35 anos por reinado (muito maior que qualquer dinastia documentada), ainda reavaliada atualmente, desde o trabalho de Barthold Georg Niebuhr. Os reinados dos primeiros monarcas levantam grandes dúvidas aos historiadores, devido à sua grande duração média e ao fato de alguns parecerem estar arredondados.

Índice

Ver artigo principal: Fundação de Roma

Lenda

Ver artigos principais: Eneias, Rômulo e Remo e Rômulo
Eneias carregando Anquises (enócoa com pintura negra ática c.520−510 a.C.), Museu do Louvre
Verso de um didracma romano, autor anônimo(ca. 269-266 a.C.)

Na Eneida de Virgílio e na Ab Urbe condita libri de Tito Lívio, Eneias, filho da deusa Vênus foge de Troia com seu pai Anquises, seu filho Ascânio e os sobreviventes da cidade. Com este realiza diversas peregrinações que o levam, por fim, ao Lácio, na Itália, onde é recebido pelo rei local, Latino, que oferece a mão de sua filha, Lavínia. Isto provoca a fúria do rei dos rútulos, Turno, um poderoso monarca itálico que havia se interessado por ela. Uma terrível guerra entre as populações da península eclode e como resultado, Turno é morto. Eneias, agora casado, funda a cidade de Lavínio em homenagem a sua esposa. Seu filho, Ascânio, governa na cidade por trinta anos até que resolve se mudar e fundar sua própria cidade, Alba Longa.

Cerca de 400 anos depois, o filho e legítimo herdeiro do décimo-segundo rei de Alba Longa, Numitor, é deposto por um estratagema de seu irmão Amúlio. Para garantir o trono, Amúlio assassina os descendentes varões de Numitor e obriga sua sobrinha Reia Sílvia a tornar-se vestal (sacerdotisa virgem, consagrada a deusa Vesta), no entanto, esta engravida do deus Marte e desta união foram gerados os irmãos Rômulo e Remo (nascidos em março de771 a.C.). Como punição Amúlio prende Reia em um calabouço e manda jogar seus filhos no rio Tibre. Por milagre o cesto onde estavam as crianças acaba se atolando em uma das margens do rio no sopé do monte Palatino onde são encontrados por uma loba que os amamenta; próximos às crianças estava um pica-pau, ave sagrada para os latinos e para o deus Marte, que os protege. Tempos depois, um pastor de ovelhas chamado Fáustulo encontra os meninos próximo ao pé da Figueira Ruminal (Ficus Ruminalis), na entrada de uma caverna chamada Lupercal. Ele os recolhe e leva-os para sua casa onde são criados por sua mulher Aca Larência.

Rômulo e Remo crescem junto dos pastores da região praticando caça, corrida e exercícios físicos; saqueavam as caravanas que passavam pela região à procura de espólio. Em um dos assaltos, Remo é capturado e levado para Alba Longa. Fáustulo, então, revela a Rômulo a história de sua origem. Este parte para a cidade de seus antepassados liberta seu irmão, mata Amúlio, repõe Numitor no trono e dá a sua mãe todas as honrarias que lhe eram devidas. Percebendo que não teriam futuro na cidade, os gêmeos decidem partir da cidade junto com todos os indesejáveis para então fundarem uma nova cidade no local onde foram abandonados. Rômulo queria chamá-la Roma e edificá-la no Palatino, enquanto Remo desejava nomeá-la Remora e fundá-la sobre o Aventino. Como forma de decidir, foi estabelecido que se deveria indicar através dos auspícios, quem seria escolhido para dar o nome à nova cidade e reinar depois da fundação. Tal gerou divergência entre os espectadores o que originou uma acirrada discussão entre os irmãos que terminou com a morte de Remo. Uma versão alternativa afirma que, para surpreender o irmão, Remo teria escalado o recém-construído pomério quadrangular da cidade e, tomado em fúria, Rômulo tê-lo-ia assassinado.

Arqueologia

Cabanas primitivas encontradas no monte Palatino (século VIII a.C.)

Autores clássicos como Tito Lívio, Plutarco e Dionísio de Halicarnasso basearam seus relatos em fragmentos de obras de escritores mais antigos, como Helânico de Mitilene, autor grego doséculo V a.C. Além disso, tais autores, tentaram encontrar explicações racionais para passagens improváveis do mito de criação da cidade, como a loba capitolina. Os romanos designavam pela mesma palavra, lupa, a fêmea do lobo e a prostituta. Dessa forma, historiadores afirmam que na realidade a ama dos gêmeos teria sido Aca Larência, mulher de Fáustulo, que teria exercido o ofício de prostituta.

Os primeiros habitantes de Roma, os latinos e sabinos, integram o grupo de populações indo-europeias originárias da Europa Central que vieram para a península Itálica em ondas sucessivas em meados domilênio II a.C.; Velho Lácio (Latium Vetus) era o antigo território dos latinos, atualmente o sul do Lácio; em caso de perigo, as habitações latino-sabinas uniam-se em confederações para enfrentar seus inimigos.[b] As colinas de Roma começaram a ser ocupadas nos primórdios domilênio I a.C.; restos arqueológicos datados entre osséculos XIV-X a.C. são as primeiras evidências de habitação no Palatino. Três recintos muralhados sucessivos sobrepostos foram datados no local, dois dosséculos VIII-VII a.C. e um dosséculos VII-VI a.C..

Localização

Roma cresceu na margem esquerda de um trecho navegável do rio Tibre, a cerca de 25 quilômetros de sua foz, portanto com acesso fácil ao mar Tirreno. Tinha as vantagens de uma posição ao mesmo tempo marítima e do interior. Situada a cerca de vinte quilômetros das colinas Albanas, que constituem uma defesa natural, numa planície suficientemente afastada do mar, a cidade não precisaria temer incursões dos piratas. Além disso, tanto o próprio rio (e a ilha Tiberina) como os montes Capitólio e Palatino operavam como cidadelas naturais facilmente defensáveis. Contudo, o maior trunfo de Roma quanto a sua localização foi a proximidade com o rio Tibre. Este desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento econômico da cidade porque as mercadorias que provinham do mar tinham que subir pelo curso do rio para serem dirigidas quer para a Etrúria, quer para a Campânia grega (Magna Grécia). Desse modo, Roma era capaz de monopolizar o tráfego terrestre, uma vez que estava situada na intersecção das principais estradas do interior italiano. Além disso, por haver importantes salinas nas proximidades da cidade, Roma conseguiu transformar-se em ponto de mercado perfeito da "via do sal", futuramente conhecida como via Salária.

Desenvolvimento

Urna funerária de terracota datada doséculo VIII a.C. encontrada no Lácio. Sua forma seria uma representação artística das habitações do período. Mais informações aqui

Roma inicialmente era um pequeno povoado ou grupo de povoados situado no Palatino e nas colinas vizinhas. Sua população girava em torno de poucas centenas de habitantes que baseavam sua economia na agricultura (trigo, cevada, ervilha, feijão), pecuária (cabras, porcos), pesca, caça e coleta; a manufatura de artigos cerâmicos, roupas e outros artigos de uso doméstico eram produzidos pelas famílias para consumo interno; não havia estratificação social definida. A partir de ca.770 a.C. sítios arqueológicos da região, em especial necrópoles, começaram a demonstrar maior número de restos humanos, o que indica crescimento humano, influências externas derivadas de contatos comerciais, em especial com as colônias gregas da Campânia, maior especialização artesanal (emprego de roda de oleiro), e o aparecimento de classes sociais economicamente diferenciadas; tais processos intensificaram-se entre o final doséculo VIII e oVII a.C..

Muitas sepulturas do período, encontradas em diversos locais no Lácio, contêm indivíduos com ornamentos pessoas que ressaltam sua riqueza o que pode ser entendido como indícios da formação progressiva de uma aristocracia dominante, que controlou os meios de produção, bem como os excedentes, adquirindo uma característica hereditária na manutenção do poder. Nesse contexto, muitos assentamentos apresentam notório crescimento, tornando-se núcleos de poder que foram fortificados com terraços e fossas (restos de uma muralha datada de730 a.C. foi encontrada no nordeste no Palatino); Roma, antes um pequeno povoado no Palatino, abrangia em meados doséculo VII a.C. o Vale do Fórum, o Quirinal, parte do Esquilino e o Célio. No final doséculo VII a.C. indícios arqueológicos apontam para um intenso processo de urbanização: cabanas foram substituídas por casas mais sólidas (alicerces de pedra, estruturas de madeira e cobertura de telhas); no Fórum foi aberta uma praça pública; vestígios de prédios públicos, santuários e templos foram detectados juntamente com telhas, terracotas e frisos decorativos.

Ver artigo principal: Sociedade romana
Representação de uma família romana, Museu do Vaticano

A base social romana eram as gentes (clãs), associações de parentesco entre famílias que acreditavam descender de ancestrais comuns que, de modo a expressar sua relação, utilizavam o mesmo nome. Nestas condições, cada membro de um gente (o "gentil") possuía dois nomes, um pessoal (prenome; p. ex. Marco, Cneu, Tito) e um gentilício (nome; por exemplo Márcio, Névio, Tácio);[c] devido a autonomia evidência que as gentes possuíam no contexto social, especula-se que existam desde antes da formação do Estado romano. Cada família que compunha a gente era controlada por um respectivo pater familias que exercia poder absoluto (in potestate) sobre sua propriedade, animais, escravos, filhos e mulher; baseado em seu poder (patria potestas), o pater famílias tinha o direito de matar ou vender qualquer membro de sua família, a representava em suas relações com outras famílias e com a comunidade e efetuava os ritos e sacrifícios em honra aos antepassados e deuses. Desse modo, mesmo adultos, seus filhos não adquiriam autonomia legal até a morte do pater familias, quando por direito próprio eram considerados patres familiarum.

A partir do termo pater foi cunhado o termo patrício, nome da camada social dominante em Roma. Esta camada ostentava maior número de rebanhos, terras e escravos, da mesma forma que a eles era legado o direito a exercer funções públicas, militares, religiosas, jurídicas e administrativas; por vezes apropriavam-se das ager publicus, terras que pertenciam ao governo. Abaixo dos patrícios estava a clientela (singular: cliente), classe constituída por plebeus, escravos libertos, estrangeiros ou filhos ilegítimos que associavam-se aos patrícios prestando-lhes diversos serviços em troca de auxílio econômico e proteção social. Esta relação entre patrícios e a clientela baseava-se principalmente em conotações morais, ao invés de legais, uma vez que o clientes gozava da "confiança" (fides) de seus senhores. A clientela tinha entre suas obrigações o cultivo de parte das terras dos patrícios, bem como prestações de serviços militares. Quanto maior fosse o número de clientes sob proteção de um patrício, maior era seu prestígio social e político.

Os plebeus (de plebs, multidão) eram camponeses, pequenos agricultores, artesãos e comerciantes. No período monárquico, os plebeus não possuíam direitos políticos embora estivessem sujeitos a carga tributária e a obrigações militares. Era proibido o casamento entre plebeus e patrícios para evitar a mistura de ambas as classes sociais. No limiar da pirâmide social romana estavam os escravos que eram vencidos de guerra ou plebeus endividados. No caso dos plebeus, a escravidão podia ocorrer de duas formas. A primeira ocorria quando uma família empobrecida vendia os seus próprios filhos, na condição de escravos. A segunda era uma forma de pagamento de dívidas, ou seja, o devedor, impossibilitado de saldar suas dividas, podia se tornar escravo do credor. Eram vistos como instrumentos de trabalho, sendo considerados como propriedade de seu senhor, podendo ser vendidos, trocados, alugados ou castigados. Como escravo, a pessoa não detinha nenhum direito, como o de se casar, deslocar-se de um lugar para outro, participar das assembleias e tomar decisões. Durante a monarquia eram pouco numerosos.

As mulheres romanas, as matronas (matronae), tinham direito de possuir propriedade, ser educadas e participar mais ativamente de atividades sociais, como os banquetes e campanhas eleitorais.

Senado

Ver artigo principal: Senado romano
Cícero denuncia Catilina, afresco que representa o senado romano reunido na Cúria Hostília. Palazzo Madama, Roma

O termo latino senātus é derivado de senex, que significa "homem velho". Portanto, senado significa, literalmente, "conselho de anciãos". Sua origem possivelmente provém da estrutura tribal das comunidades do Lácio nas quais muitas vezes havia um conselho aristocrático de anciãos tribais. As famílias romanas primitivas eram denotadas gentes ou clãs que eram governadas por um patriarca, o "pai" (pater). Quando estas primeira famílias agregaram-se para formar Roma os patriarcas das principais gentes foram selecionados para participar de um conselho de anciãos (o futuro senado). Com o tempo, contudo, reconheceram a necessidade de um único líder, levando-o a eleger um rei (rex) e investir nele seu poder soberano. Quando o rei morria, o poder seria naturalmente revertido para eles. O senado tinha três responsabilidades principais: funcionava como repositório definitivo para o poder executivo, conselheiro do rei e como corpo legislativo em sintonia com o povo de Roma. Os senadores romanos reuniam-se em um templo (templum) ou qualquer outro local que havia sido consagrado por um funcionário religioso (áugure).

Durante a monarquia a mais importante função do senado foi a de selecionar novos reis. O período entre a morte de um rei e a eleição do próximo era conhecida como interregno. Quando um rei morria, um membro do senado (o inter-rei) indicava um candidato para substituí-lo. No primeiro interregno, ocorrido após o sumiço de Rômulo, o senado, que então era composto por cem homens, dividiu-se em dez decúrias, cada uma regida por um decurião que exerceu a função de inter-rei por cinco dias. Por um ano os decúrios alternaram-se no poder até que o novo rei foi aclamado. Após o senado dar sua aprovação inicial do candidato, ele era formalmente eleito pelo povo e, em seguida, receberia a aprovação final do senado. Assim, apesar do rei ser oficialmente eleito pelo povo, efetivamente a decisão era do senado. O mais significativo papel do senado além das eleições reais era a de conselho consultivo do rei. Apesar do rei não estar limitado pelo conselho senatorial, o crescente prestígio do senado fez seu conselho cada vez mais imprudente. Tecnicamente, o senado poderia fazer leis, apesar de que seria incorreto ver os decretos do senado como legislação em sentido moderno. Apenas o rei poderia decretar novas leis, embora muitas vezes envolvesse tanto o senado quanto a assembleia curial (assembleia popular) no processo. No entanto, o rei era livre para ignorar qualquer decisão que o senado tivesse aprovado.

Assembleias legislativas

Ver artigo principal: Assembleia das cúrias
Muralha Serviana (em vermelho) e seus respectivos portões

As assembleias legislativas foram as principais instituições. Uma delas, a assembleia das cúrias, embora tivesse alguns poderes legislativos, possuía apenas direito de ratificar simbolicamente decretos emitidos pelo rei. As funções de outra, a "Assembleia calada" (comitia calata), eram puramente religiosas. Nesse período todos os cidadãos de Roma, ou seja, indivíduos em idade militar (até 45 anos), eram divididos num total de 30 cúrias, as unidades básicas de divisão nas duas assembleias populares. Os membros de cada cúria votariam, e aí a maioria determinava como que a cúria votaria antes da assembleia.

A assembleia das cúrias (comitia curiata) foi a única assembleia popular com algum significado político durante o Reino de Roma. O rei presidia a assembleia, e submetia decretos para a assembleia ratificar. Um inter-rei presidia a assembleia durante os períodos intercalares entre reis. Após a seleção de um novo rei e a aprovação inicial do senado ser concebida, o inter-rei realizava a eleição formal antes da assembleia das cúrias. O novo rei interpretava os auspícios (presságios dos deuses), e caso estes fossem favoráveis, eram concedidos poderes legais (a lex curiata de imperio) ao candidato. Nas Calendas (primeiro dia do mês) e nas Nonas (quinto ou sétimo dia do mês), esta assembleia se reunia para ouvir anúncios. Apelações ouvidas pela assembleia curial muitas vezes tratavam de questões relativas ao direito familiar.

Durante dois dias fixos na primavera, agendava-se a assembleia para testemunhos de vontades e adorações. Todas as outras reuniões não tinham datas pré-fixadas e eram realizadas conforme necessário. Ela também tinha jurisdição sobre a admissão de novas famílias para uma cúria, a transferência de família entre duas cúrias, bem como a transferência de indivíduos plebeus para o estado patrício (ou vice-versa), ou a restauração da cidadania a um indivíduo. A assembleia geralmente decidia tais questões sob a presidência de um pontífice máximo. Uma vez que a assembleia era principalmente uma assembleia legislativa, era (teoricamente) responsável por ratificar leis. No entanto, a rejeição de tais leis pela assembleia não impedia sua promulgação. Em algumas ocasiões a assembleia das cúrias reafirmou a autoridade legal de um rei, e por vezes ratificou a decisão de ir para a guerra.

A Assembleia calada (comitia calata) foi a mais antiga assembleia romana. Reunia-se no Capitólio e era convocada pelas assembleias das cúrias e/ou das centúrias. A assembleia tinha a função de inaugurar o rei das coisas sagradas (rex sacrorum) ou qualquer flâmine ou vestal. Ocasionalmente o povo era convocado para as reuniões que tratavam casos como o detentatio sacrorum, ou seja, situações onde um indivíduo renunciava o culto de seu gente e, através da adoção, prática muito corriqueira com finalidade de estabelecer-se laços entre os gentes, adotava o culto de seu novo gente. o povo tinha participação nominal na assembleia.

Magistraturas executivas

Ver artigo principal: Cursus honorum
Circo Máximo (em vermelho)

Durante o reino de Roma, o rei era a principal magistratura executiva. Ele era o chefe executivo, sumo sacerdote, chefe legislador, juiz supremo, e comandante em chefe do exército. Seus poderes repousavam na lei e precedência legal, e ele só poderia receber esses poderes através do processo político de uma eleição democrática. Na prática, ele não tinha restrições reais em seu poder. Quando rebentava uma guerra, ele tinha a competência exclusiva para organizar as tropas, selecionar líderes para o exército, e conduzir a campanha como bem entendesse. Ele controlava todos os bens em poder do Estado, tinha a competência exclusiva para dividir a terra e os espólios de guerra, era o principal representante da cidade na relação com os deuses ou os líderes de outras comunidades, e podia decretar unilateralmente qualquer nova lei. De acordo com o historiador Salústio, o grau de autoridade legal (imperium) detido pelo rei romano era conhecido como legitimum imperium. Isso provavelmente significa que a única restrição sobre o rei era a mos maiorum. Isso, por exemplo, sugere (mas não exige) que ele deveria consultar o senado antes de tomar decisões.

Enquanto o rei podia declarar guerra unilateralmente, por exemplo, ele normalmente preferia ter essas declarações ratificadas pela assembleia popular. Além disso, ele normalmente não decidia questões que tratavam do direito familiar romano, antes deixava a assembleia popular decidir essas questões. Enquanto o rei tinha poder absoluto sobre os julgamentos criminais e civis, provavelmente ele só atuou em processos em seu estágio inicial (in iure), encaminhando em seguida o caso para um de seus assistentes (um juiz; em latim:iudex) para decisão. Nos casos penais mais graves, o rei podia remeter o processo para o povo, reunido em assembleia popular, para julgamento. Além disso,o rei costumava receber consentimento dos outros sacerdotes antes de introduzir novas divindades.

Às vezes, ele apresentava seus decretos tanto à assembleia popular quanto ao senado para uma ratificação cerimonial, mas a rejeição de seus decretos não impedia a promulgação dos mesmos. O rei escolhia vários oficiais para ajudá-lo e concedia unilateralmente os seus poderes. Quando o rei deixava a cidade, um prefeito urbano (praefectus urbi) presidia a cidade em seu lugar. O rei também tinha dois questores como assistentes gerais, enquanto vários outros oficiais, os duúnviros perduliões (duumviri perduellionis), auxiliavam-o durante os casos de traição. Na guerra, o rei comandava ocasionalmente apenas a infantaria, e delegava o comando da cavalaria para um de seus guarda-costas pessoais, o tribuno dos céleres (tribunus celerum). Segundo algumas teorias, a partir doséculo VI a.C., com a decadência do sistema monárquico, os reis foram substituídos por mestres do povo (magistri populi) vitalícios (ditador) na conduta executiva.

Reis romanos

As crônicas tradicionais, que chegaram até a atualidade através de autores como Tito Lívio, Plutarco, Dionísio de Halicarnasso, etc., contam que houve uma sucessão de sete reis. A cronologia tradicional, narrada por Marco Terêncio Varrão, mostra que foram 243 anos de duração total para estes reinados, isto é, há uma média de 35 anos por reinado (muito maior que qualquer dinastia documentada), ainda reavaliada atualmente, desde o trabalho de Barthold Georg Niebuhr. Os gauleses, liderados por Breno, saquearam Roma após a vitória na Batalha do Ália em390/387 a.C., de forma que todos os registros históricos da cidade foram destruídos, incluindo aqueles de fases mais antigas. Assim, as fontes posteriores, referentes ao período mais antigo, têm de ser analisadas com cautela, por terem sido escritas séculos depois dos eventos.

Os reinados dos primeiros monarcas levantam grandes dúvidas aos historiadores, devido à sua grande duração média e ao fato de alguns parecerem estar arredondados em torno dos 40 anos de duração. Este dado curioso, que se destaca ainda mais quando comparado com os reinados da atualidade, em que a esperança de vida é maior, era explicado nas tradições romanas devido a que a maioria dos reis havia sido parente de seu predecessor. Não obstante, é mais provável que somente os últimos reis tenham existido realmente, e por enquanto ainda não foram descobertas evidências históricas referentes aos primeiros.

Rômulo
Ver artigo principal: Rômulo
Rômulo transporta rico espólio para o templo de Júpiter, Jean-Auguste Dominique Ingres, École des Beaux-Arts, Paris
Rapto das Sabinas, óleo de Pietro de Cortona(ca 1627–1629), Museus Capitolinos, Roma

Rômulo foi não só o primeiro rei de Roma, como também seu fundador, junto a seu gêmeo Remo. No ano753 a.C., ambos começaram a construir a cidade junto ao monte Palatino, quando, segundo a lenda, Rômulo matou Remo por ter atravessado sacrilegamente o pomério. Após a fundação da urbe (cidade), Rômulo convidou criminosos, escravos fugidos e auxiliares para darem auxílio na nova cidade, chegando assim a povoar cinco das sete colinas de Roma. Para conseguir esposas para seus cidadãos, Rômulo convidou os sabinos a um festival, onde raptou as mulheres sabinas e as levou a Roma. Após a conseguinte guerra com os sabinos, Rômulo uniu os sabinos e os romanos sob o governo de uma diarquia junto com o líder sabino Tito Tácio.[d]

Rômulo dividiu a população de Roma entre homens fortes e aqueles não aptos para combater. Os combatentes constituíram as primeiras legiões romanas; embora o resto tenha se convertido em plebeus de Roma, Rômulo selecionou cem dos homens de linhagem mais alta como senadores. Estes homens foram chamados pais e seus descendentes seriam os patrícios, a nobreza romana. Após a união entre romanos e sabinos, Rômulo agregou outros cem homens ao senado. Sob o reinado de Rômulo se estabeleceu também a instituição dos áugures como parte da religião romana, assim como a assembleia das cúrias. Rômulo dividiu o povo de Roma em três tribos: romanos (ramnes), sabinos (tícios) e o resto (lúceres). Cada tribo elegia dez cúrias (comunidade de varões), fornecendo também 100 cavaleiros (celeres) e 1 000 soldados de infantaria (milites) cada uma, formando assim a primeira legião de 300 ginetes e 3 000 infantes; ocasionalmente podia convocar uma segunda legião em caso de urgência. Estes contingentes tribais eram comandados pelos tribunos militares (tribuni militum) e tribunos de cavalaria (tribuni celerum).

Depois de 38 anos de reinado, Rômulo havia travado numerosas guerras, estendendo a influência de Roma por todo o Lácio e outras áreas circundantes. Pronto seria recordado como o primeiro grande conquistador e como um dos homens mais devotos da história de Roma. Após sua morte aos 54 anos de idade, foi divinizado como o deus da guerra Quirino, honrado não só como um dos três deuses principais de Roma.

Numa Pompílio
Ver artigo principal: Numa Pompílio
Numa Pompílio e a ninfa Egéria, óleo sobre tela (c. 1631-1633), Museu Condé

Numa Pompílio, de origem sabina, foi o sucessor de Rômulo. Relutante quanto ao cargo, foi convencido por seu pai com a alegação de que estaria servindo a vontade dos deuses. Recordado por sua sabedoria, seu reinado foi marcado pela paz e prosperidade. Numa reformou o calendário romano, ajustando-o para o ano solar e lunar, adicionando também os meses de janeiro e fevereiro até completar os doze meses do novo calendário. Instituiu numerosos rituais religiosos romanos (p. ex. a Agonália) e designou novos sacerdócios: os sálios (salii) para adorar Marte e um flâmine maior (flamen maioris) como sacerdote supremo de Quirino, o flâmine quirinal (flamen quirinalis). Organizou o território circundante de Roma em distritos, para uma melhor administração, e repartiu as terras conquistadas por Rômulo entre os cidadãos, organizando a cidade em grêmios e ofícios.

Numa foi recordado como o mais religioso dos reis, mesmo acima do próprio Rômulo. Sob seu reinado se erigiram templos a Vesta e Jano, se consagrou um altar no Capitólio ao deus da fronteira Término, e se organizaram os flâmines, as vestais e os pontífices de Roma, assim como o Colégio de Pontífices. A tradição conta que durante o governo de Numa um escudo de Júpiter caiu do céu com o destino de Roma escrito nele. O rei ordenou fazer onze cópias do mesmo, que foram reverenciadas como sagradas pelos romanos. Como homem bondoso e amante da paz, Numa semeou ideias de piedade e de justiça na mentalidade romana. Durante seu reinado, as portas do Templo de Jano estiveram sempre fechadas, como mostra de que não havia empreendido nenhuma guerra ao longo de seu mandato. Após 43 anos de reinado, a morte de Numa ocorreu de forma pacífica e natural.

Túlio Hostílio
Ver artigo principal: Túlio Hostílio
Túlio Hostílio derrota exército proveniente de Veios e Fidenas, óleo sobre madeira de Cavalier D'Arpino (ca. 1601), Petit Palais, Paris

Túlio Hostílio, de origem latina, foi o sucessor de Numa Pompílio. Muito parecido a Rômulo quanto a seu caráter guerreiro, era completamente oposto a Numa em sua falta de atenção com os deuses. Túlio fomentou várias guerras contra Alba Longa, Fidenas e Veios, que granjearam a Roma novos territórios e maior poder. Foi durante o reinado de Túlio que Alba Longa foi completamente destruída, sendo toda a população escravizada e enviada a Roma. Desta forma, Roma se impôs à sua cidade materna como poder hegemônico do Lácio. Apesar de sua natureza beligerante, Túlio Hostílio selecionou um terceiro grupo de indivíduos que chegaram a pertencer à classe patrícia de Roma, eleito entre todos aqueles que haviam chegado a Roma buscando asilo e uma nova vida. Também erigiu um novo edifício para albergar o senado, a Cúria Hostília.

Em seu reinado o rei envolveu-se em tantas guerras que descuidou sua atenção das divindades, o que levou, segundo sustentam as lendas, a que uma praga se abatesse sobre Roma, que afetou muitos romanos, incluindo o próprio rei. Quando Túlio solicitou ajuda a Júpiter, o deus respondeu como um raio que reduziu a cinzas tanto o monarca como sua residência. Seu reinado chegou ao fim após 32 anos de duração.

Anco Márcio
Ver artigo principal: Anco Márcio
Denário de Caio Censorino emitido em88 a.C. com efígie de Numa Pompílio e Anco Márcio

Com a morte de Túlio Hostílio, os romanos elegeram o sabino Anco Márcio, um personagem pacífico e religioso. Era neto de Numa Pompílio e, como seu avô, apenas estendeu os limites de Roma, lutando em defesa dos territórios romanos quando foi preciso. Durante seu reinado fortificou o monte Janículo, na margem ocidental do rio Tibre, para assim garantir maior proteção à cidade por este flanco, também construindo a primeira ponte de Roma, a Ponte Sublícia, assim como a primeira prisão romana, a Prisão Mamertina. Outras das obras do rei foram a construção do porto romano de Óstia na costa do Tirreno, assim como as primeiras fábricas de salga, aproveitando a rota fluvial tradicional do comércio de sal (via Salária) que abastecia os agricultores sabinos.

A extensão da cidade de Roma foi incrementada devido à diplomacia exercida por Anco, permitindo a união pacífica de várias aldeias menores através de alianças. Graças a este método, conseguiu o controle dos latinos, realojados no Aventino, consolidando assim a classe plebeia de Roma. Todavia, ainda são evidentes os conflitos entre romanos e latinos durante seu reinado. Após 24 anos de reinado, morreu possivelmente de morte natural, como seu avô, sendo recordado como um dos grandes pontífices de Roma. Foi o último dos reis latino-sabinos de Roma.

Tarquínio Prisco
Ver artigo principal: Tarquínio Prisco
Túlia dirige sobre o cadáver de seu pai, óleo sobre lona de Jean Bardin (c. 1735), Museu Estadual de Mogúncia

Tarquínio Prisco foi o quinto rei de Roma, e o primeiro de origem etrusca, presumivelmente de ascendência coríntia. Após emigrar a Roma, obteve o favor de Anco, que o adotou como seu filho. Ao ascender ao trono, combateu em várias guerras vitoriosas contra sabinos e etruscos, dobrando assim o tamanho de Roma e obtendo grandes tesouros para a cidade. Uma de suas primeiras reformas foi adicionar cem novos membros ao senado, procedentes das tribos etruscas conquistadas, pelo que o número de senadores ascendeu a um total de trezentos. Também ampliou o exército, duplicando o número de efetivos até 6 000 infantes e seiscentos ginetes. Além disso, a ele é creditada a criação dos Jogos Romanos.

Tarquínio Prisco utilizou o grande butim obtido em suas campanhas militares para construir grandes monumentos em Roma, dos quais destaca-se o grande sistema de esgoto na cidade, a Cloaca Máxima (cujo fim era drenar as águas de pequenos córregos que tendiam a estagnar nos vales situados entre as colinas de Roma para o rio Tibre), o Fórum Romano e o Circo Máximo, um grande estádio que albergava carreiras de cavalos e que contava com um templo-fortaleza sobre a colina do Capitólio, consagrado a Júpiter. Tarquínio foi assassinado após 38 anos de reinado pelos filhos de seu predecessor, Anco Márcio. Seu reinado é recordado por haver introduzido os símbolos militares romanos e os cargos civis, assim como pela celebração do primeiro triunfo romano.

Sérvio Túlio
Ver artigo principal: Sérvio Túlio
Versão retocada digitalmente dum afresco etrusco situado na Tumba François, Vulcos. Nele estão representados o nobre etrusco Célio Vibena, Mastarna e Sérvio Túlio. Ver original aqui

Sérvio Túlio, genro de Tarquínio Prisco, assumiu o trono e, como seu predecessor, travou várias guerras vitoriosas contra os etruscos. O butim adquirido foi utilizado para o financiamento das primeiras muralhas que cercavam as sete colinas romanas sobre o pomério, as chamadas muralhas servianas, assim como um templo dedicado a Diana na colina do Aventino.

No âmbito bélico Sérvio Túlio introduziu novas táticas militares, aos moldes etruscos e gregos, e empenhou-se em tornar o exército romano mais disciplinado e basicamente composto de infantaria pesada, a exemplo das falanges hoplitas gregas. Seu exército, composto por 6 000 infantes e 600 ginetes, era formado de homens com quantidade mínima de bens chamados adsíduos (adsidui), de modo a diferenciá-los dos proletários (proletarii), os pobres da sociedade que compunham a infra classem ("classe inferior") e que não tinham direito a participar do exército. No âmbito social desenvolveu uma nova constituição para os romanos, com maior atenção às classes cidadãs. Instituiu o primeiro censo da história, dividindo a população de Roma em cinco classes censitárias, criando também a Assembleia das centúrias. Utilizou também o censo para dividir a cidade em quatro "tribos" urbanas (tribus urbanae), baseadas em sua localização espacial dentro da cidade, e o restante do território romano em 16 tribos rurais (tribus rusticae) estabelecendo a assembleia tribal (comitia tributa).

As reformas de Sérvio supuseram uma grande mudança na vida romana: o direito a voto foi estabelecido com base na riqueza econômica, pelo qual grande parte do poder político permaneceu reservado às elites romanas. Contudo, no tempo de Sérvio, as classes mais desfavorecidas foram gradualmente favorecidas, para desta forma obter maior apoio por parte dos plebeus, razão pela qual sua legislação pode definir-se como insatisfatória para a classe patricial. O grande reinado de 44 anos de Sérvio Túlio terminou com seu assassinato em uma conspiração urdida por sua própria filha Túlia e seu marido Tarquínio, seu sucessor no trono.

A morte de Lucrécia, óleo sobre tela, Eduardo Rosales (ca. 1871), Museu do Prado
Os lictores trazem os filhos de Bruto, Jacques-Louis David (1784)
Tarquínio, o Soberbo

O sétimo e último rei de Roma foi Tarquínio, o Soberbo. Filho de Prisco e genro de Sérvio, Tarquínio também era de origem etrusca. Usou a violência, o assassinato e o terror para manter o controle sobre Roma como nenhum rei anterior havia utilizado, revogando inclusive muitas das reformas constitucionais que haviam estabelecido seus predecessores. Sua melhor obra para Roma foi a finalização do templo de Júpiter, iniciado por seu pai Prisco; chamou o escultor etrusco Vulca de Veios para produzir a estátua de Júpiter do templo.

Tarquínio aboliu e destruiu todos os santuários e altares sabinos da rocha Tarpeia, enfurecendo desta forma o povo romano. O ponto crucial de seu reinado tirânico sucedeu quando permitiu a violação de Lucrécia, uma patrícia romana, por seu filho Sexto Tarquínio. Um parente de Lucrécia e sobrinho do rei Lúcio Júnio Bruto (antepassado de Marco Júnio Bruto), convocou o senado que decidiu a expulsão de Tarquínio no ano509 a.C. Tarquínio pode ter recebido então ajuda do lars Porsena que, não obstante, ocupou Roma para seu próprio benefício.[e] Tarquínio fugiu em seguida para a cidade de Túsculo e posteriormente para Cumas, onde morreria no ano495 a.C.. Esta expulsão supostamente pôs fim à influência etrusca tanto em Roma como no Lácio e levou ao estabelecimento de uma constituição republicana.

Após a expulsão de Tarquínio, o senado decidiu abolir a monarquia, convertendo Roma em uma república no ano509 a.C. Lúcio Júnio Bruto e Lúcio Tarquínio Colatino, sobrinho de Tarquínio e viúvo de Lucrécia, se converteram nos primeiros cônsules[p] do novo governo de Roma. Neste mesmo ano, durante a embaixada de membros da família real em Roma, um estratagema conhecido como Conspiração Tarquiniana foi planejado por patrícios e membros do senado que eram apoiantes da monarquia tombada; entre os participantes do golpe estavam os filhos de Bruto, Tito Júnio Bruto e Tibério Júnio Bruto. O estratagema, contudo, mostrou-se falho, e os conspiradores foram condenados a morte.

Ver artigo principal: Religião na Roma Antiga

Assim como as demais instituições romanas, as práticas religiosas da Roma Antiga, segundo a tradição, foram estabelecidas durante o Reino de Roma. De acordo com Tito Lívio, Numa Pompílio fundou a religião romana após ter dedicado um altar a Júpiter Elício no monte Aventino e consultar os deuses por meio de um augúrio. Ele dividiu o sistema de ritos religiosos romanos, o que inclui a forma e o tempo dos sacrifícios, a supervisão dos fundos religiosos, autoridade sobre todas as instituições religiosas públicas e privadas e instrução da população nos ritos celestes e funerários. Numa também estabeleceu as cerimônias (caerimoniae), originalmente as instruções rituais secretas, que são descritas como statae et sollemnes ("estabelecidas e solenes") e que foram interpretadas e supervisionadas pelo Colégio de Pontífices, flâmines, o rei das coisas sagradas e as vestais.

Sacerdócios

O Colégio de Pontífices, o sacerdócio mais importante da Roma Antiga, assim como o cargo de pontífice máximo (pontifex maximus), foram estabelecidos no reinado de Numa Pompílio. Os pontífice tinham a superintendência (judicial e prática) suprema de todos os assuntos, privados ou públicos, e da religião, além de serem os guardiões dos livros que continham as ordenações rituais dos romanos. Os detalhes acerca de suas atribuições e funções estavam contidos nos chamados livros pontifícios (libri pontificalis ou libri pontificii), os textos fundamentais da religião romana, que sobreviveram em transcrições fragmentárias e comentários, dos quais os primeiros escritos foram creditados a Numa Pompílio, a quem se atribui a codificação dos textos e princípios fundamentais do direito civil e religioso (ius divinum e ius civile) de Roma. Esses livros foram sancionados durante o reinado de Anco Márcio.

Os flâmines, sacerdotes romanos dedicados ao serviço de deuses particulares, estiveram entre os mais importantes sacerdócios da Roma Antiga. Durante a monarquia foram estabelecidos os três que compunham o grupo chamado flâmine maior, aqueles que eram escolhidos entre os patrícios e dedicados aos deuses Júpiter (flâmine dial), Marte (flâmine marcial), e Quirino (flâmine quirinal). Posteriormente estabeleceram-se outros 15 flâmines, os flâmines menores, que eram escolhidos entre os plebeus para dedicarem-se a deuses menores como Carmenta, Ceres, Flora, Pomona e Vulcano. Segundo Plutarco, Rômulo estabeleceu em seu reinado o sacerdócio dos dois primeiros, no entanto a maior parte dos estudiosos acredita que estes, assim como o flâmine quirinal, foram criados por Numa. Os flâmines, cujos cargos eram vitalícios, eram inaugurados pela assembleia calada e estavam sujeitos à autoridade do pontífice máximo.

O rei das coisas sagradas, cargo característico da religião etrusca, assim como de algumas cidades latinas (Túsculo, Lavínio e Velitras), teve importância notória na religião romana. Em Roma, o sacerdócio foi deliberadamente despolitizado de modo que o rei das coisas sagradas não era eleito e sim escolhido pelo pontífice máximo entre os patrícios subordinados a ele, e sua inauguração era testemunhada pela assembleia calada. Com a derrubada em509 a.C. dos reis de Roma, o rei das coisas sagradas assumiu algumas das obrigações sacrais antes exercidas por eles.

Cerâmica etrusca encontrada perto de Régia, no Fórum Romano, contendo uma inscrição de um rex (ca. séculos VI-V a.C.). Ainda é um mistério se a palavra rex gravada esteja mencionando um dos reis de Roma, ou então um rei das coisas sagradas
Busto do imperador romano Lúcio Vero(r. 161–169) como um arval
Museu do Louvre

As vestais, sacerdotisas castas[f] da deusa Vesta, foram criadas, como sacerdócio, durante o reinado de Numa Pompílio. Contudo, segundo Tito Lívio, as origens das vestais provêm de Alba Longa.[g] Numa, segundo Plutarco, fundou o Templo de Vesta, nomeou as primeiras quatro sacerdotisas (duas dos tícios e duas dos ramnes) e nomeou um pontífice máximo para assisti-las. Tarquínio Prisco (segundo Plutarco) ou Sérvio Túlio (segundo Dionísio de Halicarnasso) adicionou outras duas vestais ao templo, estas provenientes dos lúceres. Tinham como principais funções vigiar, em turnos, o fogo eterno que ardia no altar da deusa Vesta e as relíquias sagradas de Roma, as fatale pignus imperii, apresentar ofertas à deusa em prazos estabelecidos, participar da consagração de templos, banquetes sacerdotais e de festivais como o de Bona Dea e aspergir e purificar o santuário todas as manhãs com água, que, de acordo com Numa, deveria ser proveniente da fonte egeriana (frequentada pela ninfa Egéria). Posteriormente considerou-se que qualquer água que proviesse de uma fonte ou um riacho era aceitável. Em rituais sacrificiais oficiais, preparavam e aspergiam uma mistura conhecida como mola salsa (farinha de trigo e/ou cevada com sal) sobre a testa e entre os chifres de vítimas sacrificiais, bem como no altar e no fogo sagrado. Tal prática, muito popular durante os sacrifícios romanos, foi atribuída a Numa Pompílio.

Os áugures tiveram notória participação nas religião romana, uma vez que eram eles que interpretavam as vontades divinas acerca de ações propostas através da interpretação de auspícios e/ou augúrios.[h] Durante o período monárquico um dos rituais dos áugures, a inauguração (inauguratio), que consistia em um rito no qual os deuses aprovavam por meio de sinais a nomeação e/ou posse de alguém, foi privilégio do rei e dos sacerdotes principais. Na república o rei das coisas sagradas, os flâmines maiores, os áugures e os pontífices adquiriram o direito de serem aprovados no ritual.

Os sálios, usualmente conhecidos como sálios palatinos (salii palatini), foram sacerdotes instituídos por Numa e eram escolhidos entre os patrícios de Roma para dedicarem-se a Marte Gradivo em seu templo no Palatino. Túlio Hostílio, em cumprimento de um voto feito durante a segunda Guerra com Fidenas e Veios, estabeleceu outro grupo de sálios, os sálios colinos (salii collini), que dedicavam-se a Quirino. Os sálios palatinos tiveram como uma de suas obrigações o cuidado dos 12 ancis de bronze (ancilia) de Marte que encontravam-se no Palatino. Além disso, celebravam, em 1 de março, o festival de Marte no qual percorriam a cidade carregando-os, cantando e dançando; no fim do percurso havia um celebração ao deus no Templo de Marte no Palatino.

Os feciais (fetiales), estabelecidos em Roma por Anco Márcio, foram um sacerdócio dedicado ao deus Júpiter. Suas principais funções consistiam na declaração formal de paz e de guerra, confirmação de tratados e, em casos específicos, o exercício de missões como diplomatas ou embaixadores. Outros, os irmãos arvais (fratres arvales), eram sacerdotes que dedicavam-se à prestação de oferendas públicas para os deuses campestres da fertilidade. Especula-se que tenham sido estabelecidos durante o reinado de Rômulo e que presumivelmente possuíam afinidades com os sacerdotes conhecidos como sodais tícios (titii sodales) que, segundo a tradição, foram estabelecidos por Tito Tácio.

Cultos e rituais

Ver artigo principal: Mitologia romana
Esculturas representando a tríade capitolina, Museu Arqueológico Prenestino, em Palestrina
Modelo representando a estrutura do Templo de Júpiter Capitolino erigido por Tarquínio, o Soberbo

Na Roma Antiga os cultos (sacer; singular sacra) eram os cultos tradicionais, públicos (publica) ou privados (privata), ambos supervisionados pelo Colégio de Pontífices. A criação do culto público (sacra publica) é atribuída a Numa Pompílio, embora muitos considerem uma origem prévia, possivelmente anterior à fundação de Roma. Desse modo, Numa pode ser visto como o reformador e reorganizador do culto de acordo com seus próprios pontos de vista e sua educação. Os cultos públicos eram realizadas e custeadas pelo Estado, de acordo com as disposições deixadas por Numa, e contavam com a presença de todos os senadores e magistrados.

Os cultos públicos (sacer publica) eram realizados em nome de todo o povo romano ou suas subdivisões principais, as tribos e cúrias. Eles incluíam "ritos em nome do povo romano" (sacra por populo), ou seja, todos os feriados públicos (feriae publicae) do calendário romano e as outras festas que eram consideradas de interesse público, incluindo as relativas às colinas de Roma, aos pagos, às cúrias e aos santuários (sacelos). Os cultos públicos destinavam-se aos gentes, a uma família, ou a um indivíduo. Os indivíduos tinham cultos em datas peculiares para eles, tais como aniversários, o "dia da consagração" (dies lustricus), funerais e expiações. Famílias tinham seu culto caseiro ou na tumba de seus ancestrais. Estes foram considerados necessários e imperecíveis, e o desejo de perpetuar o culto familiar foi um dos motivos para a adoção na idade adulta. No seio dos cultos públicos havia os cultos gentilícios (sacer gentilicia), ritos privados particulares de uma gente. Estes ritos estavam relacionados com a crença de ancestralidade comum dos membros de uma gente, o que está na base das práticas de culto dos mortos.

Devido ao contato com os etruscos, os romanos assimilaram diversos deuses destes que começaram a ser cultuados por eles ao modo romano. Durante o processo de conquista ocorrido a partir da república, tais deuses tenderam a adquirir características de divindades cultuadas em outras regiões, em especial da Grécia. Roma não ofereceu nenhum mito nativo da criação, e a mitografia romana pouco explica o caráter de suas divindades, suas relações ou suas aspirações com o mundo humano, mas reconheceu que a teologia romana de deuses imortais (di immortales) que governaram todos os reinos dos céus e da terra. Havia deuses dos céus, deuses do submundo e uma miríade de divindades menores. Entre todos os deuses cultuados os que se destacavam compunham as chamadas tríades: a'tríade arcaica (Júpiter, Marte e Quirino, de origem indo-europeia) e a tríade capitolina (Júpiter,[i] Juno e Minerva, de origem etrusca).

Segundo alguns estudiosos, Vulcano, deus das forjas e do fogo, tem seu nome originado de palavras latinas ligadas ao relâmpago (fulgur, fulgure, fulmen), que por sua vez estão relacionadas com chamas. Por outro lado, estudos recentes apontam para que possivelmente a palavra Vulcano esteja relacionada com o deus cretense Velcano, ligado à natureza e ao mundo inferior, que por sua vez está relacionado com o deus etrusco Velchans. Foi um dos mais antigos deuses romanos e a ele foi dedicado o mais antigo santuário de Roma, o Vulcanal no pé do Capitólio no Fórum Romano, que havia sido fundado por Tito Tácio noséculo VIII a.C. e foi ponto de encontro dos arúspices etruscos. Um fragmento de cerâmica grega encontrado no Vulcanal datado doséculo VI a.C. tem uma representação do deus Hefesto, o que pode ser encarado como um indicativo da união de ambos os deuses.

Ruínas do Templo de Vesta, Fórum Romano
Ruínas do Templo de Saturno, Fórum Romano

Vesta, deusa protetora do lar, tem seu nome proveniente, segundo Georges Dumézil, de uma raiz indo-europeia; segundo estudiosos, suas origens estão associadas com o deus védico Agni. Vinculada com o fogo sagrado da fecundidade, esteve envolvida em uma versão do nascimento de Rômulo, Sérvio Túlio e de Cêculo, fundador de Palestrina. Além de Vesta, os romanos cultuavam outras entidades que atuavam como guardiões do lar, assim como, por extensão, dos romanos: os lares, penates, gênios e junos. Os lares eram espíritos que atuavam tanto como entidades boas (protetores dos lares, famílias, marinheiros e militares, campos, estradas e da própria Roma[j]) ou ruins. Os penates, originários de Troia (foram trazidos por Eneias), eram uma dupla de deuses protetores da despensa das residências romanas. Os gênios, segundo a tradição romana, eram entidades que atuavam como protetores de todos os homens (as mulheres eram protegidas pelas junos, servas da deusa Juno), de modo que cada um tinha o seu, até mesmo Roma; apresentavam-se como figuras aladas ou como homens com uma cornucópia.

Diana, deusa associada à caça, à Lua e aos partos, tem em seu nome uma raiz indo-europeia, a mesma da qual deriva o nome do deus védico Diaus e as palavras latinas deus e dies (dia, luz do dia); em tabuletas de Pilos o teônimo διϝια é, segundo estudiosos, uma referência a Diana. Seu culto presumivelmente iniciou-se em Arícia com cultos ao ar-livre entre os latinos, tendo se espalhado para as cercanias de Roma onde, noséculo VI a.C., Sérvio Túlio erigiu no monte Aventino um templo dedicado a ela. O culto aos deuses romanos que simbolizavam o Sol e a Lua (Luna), segundo a tradição, foi estabelecido em Roma por Tito Tácio, a partir de divindades sabinas. Sol foi identificado como o avô do rei latino. A Luna foram dedicados dois templos, um no monte Aventino, abaixo do Templo de Diana, e outro no Palatino.

No panteão romano havia uma infinidade de divindades ligadas com os cultos campestres. Ceres, deusa da fertilidade pastoral, agrícola e humana, hipoteticamente possui uma origem indo-europeia, como sugere a raiz de seu nome. Cultos arcaicos são evidenciados entre muitos vizinhos dos romanos, como latinos, oscos, samnitas e uma inscrição falisca datada deséculo 600 a.C. ressalta preces à deusa. Ao longo do tempo, em solo romano, o nome Ceres tornou-se sinônimo de grãos e, por extensão, de pão. Saturno, deus ligado aos primórdios da agricultura e do cultivo de parreiras, foi cultuado como uma das divindades fundadoras romanas; um templo iniciado durante o reinado de Tarquínio, o Soberbo e concluído em497 a.C., localizado no Capitólio, foi dedicado a ele.[k] Ops, esposa de Saturno, foi a deusa vinculada à colheita, riqueza, abundância e prosperidade; foi introduzida nos cultos romanos por Tito Tácio a partir de uma divindade sabina; a ela foi dedicado um templo no Capitólio, próximo aquele dedicado a seu esposo. Fauno, padroeiro da agricultura e protetor dos pastores, por vezes é identificado, nomeadamente na obra de Virgílio, como um dos antigos reis do Lácio, tendo sido filho de Pico, filho de Saturno. Foi, como Numa, um disseminador de cultos no Lácio e, segundo as tradições, em seu reinado chegaram ao Lácio os heróis Evandro e Hércules. Conso, deus protetor dos grãos e silos, de possível origem etrusca ou sabina, foi uma das mais antigas divindades agrárias romanas. Representado como uma semente, a ele foi dedicado um altar próximo do Circo Máximo. Mater Matuta, originalmente uma deusa sabina, foi incorporada ao panteão romano e a ela foi dedicado um templo erigido por Sérvio Túlio próximo ao local onde futuramente seria fundado o Fórum Boário.

Imagem do templo de Jano em um sestércio do reinado de Nero(r. 54–68)

Durante a monarquia, antes da propagação do culto de alguns deuses como Plutão e Prosérpina, os romanos criaram os primeiros conceitos de seu submundo através de divindades indo-europeias. Orco,[l] deus dos mortos e dos juramentos, posteriormente associado com outro deus romano, Dis Pater, foi uma das primeiras divindades do submundo; seu culto foi amplo em meios rurais. Outra divindade importante do submundo foi Libitina,[m] deusa dos funerais e sepultamentos. A ela foi dedicado um bosque situado no monte Esquilino que, assim como outras localidades associadas com entidades do submundo, foi considerado "insalubre e de mau agouro". Sérvio Túlio, em seu reinado, estabeleceu uma taxação conhecida como "imposto da morte" que consistia no pagamento de uma moeda para o templo de Libitina quando uma pessoa falecia.

Segundo autores clássicos, Rômulo e Tito Tácio, ou Numa Pompílio,[n] estabeleceram o culto a Término, deus dos marcos de fronteira, a partir de uma divindade sabina, uma vez que a palavra Término (em latim:Terminus significava em latim pedra fronteiriça; presumivelmente esta divindade originou-se de um deus protoindo-europeu. Especula-se que uma pedra dedicada ao deus estava situada no monte Capitólio antes de Tarquínio Prisco ou Tarquínio, o Soberbo erigirem um templo no local; a pedra foi levada ao templo e acreditava-se que sua imobilidade era um bom presságio para a permanência das fronteiras da cidade. Fortuna, deusa romana da sorte e da fortuna, foi estabelecida por Anco Márcio ou Sérvio Túlio. O primeiro templo dedicado a ela foi erigido durante o reinado de Sérvio Túlio nas margens do rio Tibre (em Trastevere). Sanco, originalmente uma divindade úmbria, introduzida ao panteão romano por Tito Tácio, foi o deus da verdade, honestidade e juramentos. Durante o reinado de Tarquínio, o Soberbo foi erigido um templo em sua homenagem.

Numa Pompílio associou Jano, deus dos começos e transições, ao primeiro mês do calendário, Janeiro. Devido a suas características como divindade, a ele foram associadas diversos elementos como a luz, a Lua, o Sol, o tempo, o movimento, o ano, as portas,e as pontes. Numa erigiu o Jano Gemino (Ianus Geminus), templo consagrado ao deus que foi ritualmente aberto em tempos de guerra e fechado quando as forças romanas descansavam, além de uma estátua, ambos localizadas em Argileto (antiga estrada romana). Especula-se que o epíteto Gêmeo (Geminus) tenha sido cunhado durante o reinado de Numa.

Festivais

Ver artigo principal: Lista de festivais da Roma Antiga
Festival de Pales, ou O verão, óleo sobre lona, Joseph-Benoît Suvée (ca. 1783), Museu de Belas Artes de Ruão
Ave, Caesar! Io, Saturnalia!, óleo sobre painel, Lawrence Alma-Tadema (ca. 1880), Museu de Arte de Akron

Os calendários romanos mostram cerca de 40 festivais religiosos anuais. Alguns duravam vários dias, outros um único dia ou menos: havia no calendários os dias sagrados (dies fasti), em menor números, e os não sagrados (dies nefasti). A comparação de calendários religiosos romanos sobreviventes sugere que festivais oficiais foram organizados de acordo com grandes grupos sazonais que permitiram diferentes tradições locais. Alguns festivais podem ter exigido apenas a presença e os ritos de seus sacerdotes e acólitos, ou grupos específicos.

Um dos mais antigos rituais conhecidos dos romanos foi o Férias latinas (Feriae Latinae) celebrado desde antes da fundação de Roma, num contexto pastoril pré-urbano, de modo a reafirmar a aliança entre os membros da povos albenses (em latim:populi albenses;século X -século VIII a.C.)[o] e da liga Latina (século VII-338 a.C.). Cada cidade latina enviava um representante com ofertas, tais como ovelhas, queijo, ou outros produtos pastorais. O líder romano que estivesse presidindo o festival oferecia uma libação de leite e realizava um sacrifício de uma ovelha, sendo a carne do sacrifício consumida como parte de uma refeição comunal. Em meio às festividades, figurinhas chamadas oscila eram penduradas nas árvores. A Lupercália, outro festival pastoral romano, presumivelmente foi estabelecido antes da fundação da cidade. Realizado entre 13-15 de fevereiro, tinha como finalidade evitar maus espíritos e purificar a cidade, propiciando saúde e fertilidade. Na Antiguidade acreditava-se que o nome Lupercália demonstrava alguma ligação com o antigo festival grego de Licaia (em grego:λύκος; romaniz.:lukos; em latim: lupus) e a adoração do deus , assumido como um equivalente do deus grego Fauno, instituído por Evandro; durante a república associou-se o festival à loba capitolina, uma instituição atribuída a Rômulo e Remo. Os ritos eram realizados pelos lupercos (Quintilianos [Quinctiliani] e Fabianos [Fabiani]), uma corporação de sacerdotes de Fauno, que vestiam-se apenas com pele de cabra.

A Parília, celebrada anualmente em 21 de abril, visava a purificação tanto dos pastores como das ovelhas. Esse festival era celebrado em reconhecimento da divindade romana Pales (patrona dos pastores e ovelhas) e, segundo Ovídio, antecede a fundação de Roma; durante a república tardia foi associado ao aniversário da cidade. A Cereália era um dos grandes festivais dedicados à deusa Ceres. Era realizado durante sete dias a partir de meados para o final de abril, no entanto, as datas são incertas. Sua natureza arcaica é evidência de sua relação com um ritual noturno descrito por Ovídio, no qual tochas eram amarradas na cauda de raposas vivas. A finalidade e origem desse ritual são desconhecidas, mas pode ter sido destinado a limpar as culturas e protegê-las de doenças e pragas, ou trazer calor e vitalidade para o seu crescimento.

A Lemúria era celebrada nos dias 9, 11 e 13 de maio. Durante esse festival, os romanos realizavam ritos para exorcizar os fantasmas (lemures ou larvae) de suas residências. Sua origem provém de outro festival, a Remúria, instituída por Rômulo para apaziguar o espírito de Remo. A Equíria, estabelecida por Rômulo, era dedicada ao deus Marte e ocorria em 27 de fevereiro, segundo o calendário romano. Neste festival, a divindade era celebrada através de corridas de cavalo, prática corrente em outras festividades como a Consuália. Segundo Tito Lívio, a Consuália foi criada por Rômulo em homenagem ao deus Conso com o intuito de atrair novos moradores para Roma. A Saturnália, estabelecida por Rômulo ou Numa Pompílio, era celebrada em honra ao deus Saturno, originalmente em 17 de dezembro. Era comemorada com um sacrifício no templo de Saturno e um banquete público, seguido por oferendas privadas, festas contínuas, e uma atmosfera de carnaval onde os mestres serviam os escravos.

Homens romanos com togas pretextas participando de uma cerimônia religiosa, provavelmente a Compitália. Afresco encontrado nos arredores de Pompeia

A Fornocália, instituída por Numa Pompílio, era dedicada à deusa Fornax a fim de que os grãos fossem devidamente cozidos. A Robigália, outro festival instituído por Numa, era realizada em 25 de abril e consistia no sacrifício de um cão para proteger as culturas de grãos de doenças. Devido à presença do rei e do flâmine quirinal nas festividades, especula-se que seja de origem sabina. A Fordicídia, realizada em 15 de abril, era um festival da fertilidade tanto das culturas como dos animais. Instituído por Numa, envolvia o sacrifício de uma vaca grávida para Telo, deusa da terra.

A Compitália, realizado uma vez por ano em honra aos lares compitais, foi, segundo alguns escritores, estabelecida por Tarquínio Prisco, em consequência de ter assistido o milagre do nascimento de Sérvio Túlio, que era supostamente o filho de um lar familiar, uma deidade guardiã da família; Dionísio de Halicarnasso afirma que quem estabeleceu o festival foi o próprio Sérvio Túlio. Celebrado dias depois da Saturnália, a Compitália consistia na oferenda de bolos de mel para os lares. Cada família depositava em frente à sua residência uma estátua da deusa Mania, assim como bonecos masculinos e femininos de lã em reverência aos lares e à deusa; os escravos ofereciam bolas de lã.

Ver artigo principal: Direito romano
O célebre Lápis Níger, do Fórum Romano, está entre os mais antigos objetos romanos (século VII a.C.), Museu Nacional Romano

Durante a monarquia romana, segundo alguns autores, o conjunto de leis que vigorou em Roma foram as "leis do rei" (leges regiae). Suas origens remontam à instituição tanto do senado como da assembleia das cúrias por Rômulo. Sua função, mais do que apenas um instrumento do poder dos reis, era de criar leis que respondessem à necessidade de uma sociedade constituída por diferentes tribos, principalmente em assuntos em que os mores (costumes) não fosse suficientes. Concediam aos reis uma maneira de resolver questões religiosas e militares, quer diretamente quer por meio de algum auxiliar como o mestre do povo (magister populi) do período dos Tarquínios. Desse modo, enquanto por um lado as leis do rei criavam novas leis diferentes dos costumes, por outro lado transformaram alguns deles em leis.

As leis do rei foram estabelecidas com bases na influência externa sofrida pelos romanos ao longo dos séculos. Inicialmente nota-se uma clara influência grega, uma vez que desde oséculo VIII a.C. há indícios de relações comerciais e/ou políticas entre romanos e gregos. Além disso, segundo autores clássicos, Rômulo estudou em Gábios, um centro sob influência grega. Outra influência é a sabina, que se reflete no uso de pele de boi como um suporte para a escrita, assim como no teor de algumas das leis. E por fim, a influência etrusca torna-se evidente a partir do governo dos reis etruscos tendo ela sido de natureza política, econômica e judicial. Um exemplo desta influência seria a postura dos reis em relação as gentes que perderam muito de suas funções durante seus reinados.

Segundo fragmentos de Sexto Pompônio e de outros autores clássicos, as leis do rei eram deliberadas tanto pelo senado como pela assembleia das cúrias (comitia curiata) e aprovadas pelo rei das coisas sagradas e pelo pontífice máximo. No entanto, há quem defenda que, devido ao poder dos reis, eram eles que decidiam, sem o veto das cúrias, tendo apenas o apoio do Colégio de Pontífices, além da deliberação do senado. Especula-se que as cúrias possuíam apenas a função de participar publicamente na promulgação das leis. Em certas ocasiões os reis realizaram assembleias comiciais semelhantes às do período republicano. Isso é atestado pelas palavras Q(uando), R(ex), C(omitiavit), F(as) presentes no primeiro calendário romano.

As leis do rei foi, em suma, aplicado para sancionar instâncias de natureza religiosa, no entanto, estas não foram as únicas sanções em uso. Outras incluem o confisco de propriedade e a pena de morte, que não foi administrada em nome de qualquer princípio sacro, mas na retribuição de um crime com um castigo igual.

Fragmentos de placas decorativas etruscas de terracota de Régia, no Fórum Romano (ca.século VI a.C.)
Ver artigo principal: Queda da monarquia romana

O período entre a fundação de Roma e a expulsão de seu último rei durou dois séculos e meio. Tendo começado, como outras cidades do Lácio, como um simples refúgio de pastores, o assentamento no Palatino expandiu-se até dominar todo o círculo das sete colinas. Lentamente, em paralelo com esse crescimento interno, uma sucessão de conquistas levou as fronteiras às duas margens do Tibre, até ao mar Tirreno, a uma longa faixa do Lácio, desde Óstia até Circeios, e desde a fronteira sabina e às terras altas dos volscos. Devido à política liberal, houve um constante fluxo de novos colonizadores, que trouxeram força e conhecimentos à comunidade. Com o passar do tempo, a presença dessa nova população, fora do círculo privilegiado dos fundadores, trouxe problemas que foram superados e contribuíram para a formação de legisladores e estadistas entre as classes dirigentes. Assim, após mais de dois séculos de existência, em509 a.C., terminou o período real e a República Romana inicia-se sem que se verifique qualquer ruptura violenta das tradições.

Um dos principais fatores que sustentam a transição gradual é o grande contingente etrusco que habitava Roma no fim do reino. Um dos povos que mais influenciou Roma neste período, importaram para a cidade diversos elementos como o fasces (feixe de varas e machados que simbolizava o imperium dos reis), os jogos, os triunfos, certas práticas cultuais e cerimoniais, as túnicas, os deuses e as artes (arquitetura, cerâmica de búcaro, artes decorativas). Em509 a.C., quando o senado destitui Tarquínio do trono e em seu lugar elegeu dois magistrados, inicialmente chamados de pretores e depois de cônsules, não se verifica uma expulsão maciça dos etruscos; tal característica da Roma arcaica de absorver os imigrantes também é atestada em muitas cidades etruscas onde pode-se há contingentes gregos, latinos e itálicos. Seja como for, com o fim do poder dos monarcas, os cônsules restauraram os trezentos membros do senado que haviam sido reduzidos sob Tarquínio e iniciaram seu mandato sob supervisão dos senadores que durante a república adquiriram plenos poderes de decisão dos assuntos do Estado e, até o advento do império, seriam a força atuante na política da Roma Antiga.

Os últimos reis romanos, ao contrário de seus antecessores, basearam sua posição no apoio popular e desafiaram o poder e os privilégios dos aristocratas. Para tanto, tal como os tiranos gregos, levaram a cabo uma ambiciosa política exterior, fomentaram as artes e empreenderam grandes projetos arquitetônicos. Além disso, tentaram legitimar sua posição atribuindo-se um especial e pessoal favor dos deuses (Sérvio Túlio alegou parentesco com Fortuna) e adotaram um governo de caráter populista; autores como Tim Cornell afirmam que as reformas de Sérvio Túlio se enquadram nesse âmbito. O caráter populista e aristocrático do regime dos últimos reis é confirmado pela posterior atitude romana com respeito à autoridade monárquica. Na República, a simples ideia de rei provocava profunda repulsa, uma vez que ia em desencontro com a ideologia aristocrática da classe dominante. Assim, dentre os membros da oligarquia rural, havia o horror de que um deles tentasse situar-se acima de seus iguais ao defender as necessidades das classes baixas e por isso ganhasse o apoio delas; Espúrio Mélio, Marco Mânlio Capitolino e os irmãos Graco foram executados pela acusação de monarquismo (regnum).


[a] ^ Embora a tradição mencione sete reis, durante o reinado do imperador Cláudio foram descobertos certos indícios que apontam que Roma teria tido, ao menos, mais um rei, Mastarna.


[b] ^ Na época clássica os romanos festejavam no dia 11 de dezembro o Septimôncio, festividade associada à arcaica Liga Septimoncial que agrupava as comunidades de sete montes: Palatual, Germal (que fazem parte do Palatino), Císpio, Fagutal, Ópio (que fazem parte do Esquilino), Vélia e Célio. Os montes Quirinal, Viminal, Capitólio e Aventino não foram incorporados à liga.


[c] ^ O sistema de dois nomes também está presente no contexto social de outros povos italiotas, que possivelmente também tinham a gente como base social.


[d] ^ "Posteriormente, ambos os monarcas exerceram o poder real não apenas em conjunto, mas sim em harmonia."


[e] ^ As referências clássicas afirmam que o exército de Porsena foi repelido graças aos esforços de Horácio Cocles, parente dos irmãos Horácios, no entanto, outras fontes afirmam que Porsena conseguiu tomar a cidade.


[f] ^ A manutenção da castidade das vestais era, segundo as crenças, imprescindível para a sobrevivência de Roma. Desse modo, Numa Pompílio estabeleceu que as vestais que quebrassem o voto de castidade deveriam ser apedrejadas até à morte. Tarquínio Prisco considerou que, como castigo, as vestais que descumprissem seu voto deveriam passar por um ritual fúnebre e depois deveriam ser colocadas em uma capela subterrânea próxima das muralhas da cidade.


[g] ^ Segundo Plutarco, Reia Sílvia, mãe de Rômulo e Remo, foi consagrada vestal por seu tio, Amúlio.


[h] ^ A distinção entre augúrio e auspício é frequentemente incerta. O auspício é a observação de aves como sinais da vontade divina, uma prática criada e realizada por Rômulo, enquanto a instituição do augúrio foi atribuída a Numa Pompílio.


[i] ^ Júpiter, quando incorporado à tríade capitolina foi associado ao deus etrusco Tinia; posteriormente foi associado ao deus grego Zeus.


[j] ^ De acordo com Dionísio de Halicarnasso, quando uma porca deu à luz uma ninhada de 30 leitões, Eneias sacrificou estes animais em honra aos Lares Grundais (lares grundules). O corpo da porca foi mantido em Lavínio, preservado em sal, como um objeto sagrado. Os 30 leitões iriam fornecer a justificativa teológica para os 30 povos albenses das Férias Latinas, os 30 bairros fortificados supostamente fundados por Eneias em Lavínio, e das 30 cúrias de Roma.


[k] ^ Especula-se que a palavra "Lácio" tenha se originado da palavra grega latio que significa refúgio. Tal teoria se sustenta no conto mitológico de Saturno que, depois de ser derrotado pelos deuses olímpicos, refugiou-se no Lácio onde construiu uma vila à beira do rio Tibre, no lugar onde depois seria erguida a cidade de Roma; ele ensinou aos habitantes locais como melhor lavrar o solo e cultivar parreiras para produzir vinho. Um festival conhecido como Saturnália, ocorrido em dezembro, foi instituído em sua homenagem.


[l] ^Como aconteceria futuramente com o deus Plutão, o nome do deus Orco foi associado com o nome do submundo.


[m] ^ A palavra Libitina tornou-se, com o tempo, metonímia para morte. Posteriormente foi associada com a deusa Vênus, tornando-se seu epíteto.


[n] ^ Os autores clássicos que deram o crédito para Numa Pompílio explicam sua motivação como a prevenção de conflitos violentos sobre a propriedade. Além disso, Plutarco afirma que Término, uma vez estabelecido para manter a paz, não possuía sacrifícios de sangue.


[o] ^ Segundo Plínio, o Velho, Velho Lácio (Latium Vetus), a região onde originalmente os latinos habitavam, dividia-se em trinta comunidades que confederaram-se nos povos albenses.


[p] ^ Vale notar que nos primeiros momentos da República Romana, os oficiais chamados cônsules eram conhecidos como pretores

Referências

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Reino de Roma
reino, roma, língua, vigiar, editar, latim, regnum, romanum, também, designado, como, monarquia, romana, período, régio, expressão, utilizada, convenção, para, definir, estado, monárquico, romano, desde, origem, abril, até, queda, realeza, documentação, deste,. Reino de Roma Reino de Roma Lingua Vigiar Editar Reino de Roma em latim Regnum Romanum tambem designado como monarquia romana ou periodo regio e a expressao utilizada por convencao para definir o estado monarquico romano desde a sua origem 21 de abril de 753 a C ate a queda da realeza em 509 a C A documentacao deste periodo e precaria e ate mesmo os nomes dos reis sao incertos citando se apenas os reis lendarios apresentados nas obras de Virgilio Eneida e Tito Livio Ab Urbe condita libri Suas origens sao imprecisas se bem parece claro que foi a primeira forma de governo da cidade um dado que a arqueologia e a linguistica parecem confirmar Reino de Roma 753 a C 509 a C Estado romano ca 500 a C Regiao Peninsula Italica LacioCapital RomaPaises atuais ItaliaLinguas oficiais Latim Sabino EtruscoReligiao Romana EtruscaForma de governo Monarquia absolutaRei 753 717 a C Romulo 717 673 a C Numa Pompilio 673 642 a C Tulio Hostilio 640 616 a C Anco Marcio 616 579 a C Tarquinio Prisco 578 535 a C Servio Tulio 534 509 a C Tarquinio o SoberboPeriodo historico Antiguidade 753 a C Romulo funda Roma 509 a C Tarquinio e deposto pelo senadoEstados antecessores e sucessores Latinos Etruscos Sabinos Alba Longa Republica Romana Segundo a tradicao lendaria Roma foi governada por sete reis a Os antigos atribuem a cada soberano uma inovacao para a formacao das instituicoes romanas Romulo r 753 717 a C fundou a cidade e raptou as sabinas Numa Pompilio r 717 673 a C criou as instituicoes religiosas os sacerdocios e os ritos Tulio Hostilio r 673 642 a C destruiu Alba Longa Anco Marcio r 640 616 a C fundou a colonia de ostia Tarquinio Prisco r 616 579 a C realizou grandes trabalhos de construcao em Roma Servio Tulio r 578 535 a C dividiu a sociedade romana em classes censitarias e Tarquinio o Soberbo r 534 509 a C representou o tipico tirano romano 1 O rei rex acumulava funcoes executivas judiciais legislativas e religiosas A ratificacao de leis era feita pela Assembleia das curias composta por todos os cidadaos em idade militar ate 45 anos e o senado ou conselho de ancioes atuava como conselho regio e escolhia novos reis Na fase final da realeza a partir do fim do seculo VII a C Roma foi dominada pelos etruscos Eles influenciaram os romanos tanto no plano cultural disseminacao do uso de tunicas praticas religiosas e culto a novos deuses como no plano material ampliacao do comercio e criacao de canais de drenagem para secagem de pantanos locais As cronicas tradicionais que chegaram ate a atualidade atraves de autores como Tito Livio Plutarco Dionisio de Halicarnasso entre outros contam que houve uma sucessao de sete reis A cronologia tradicional narrada por Marco Terencio Varrao mostra que foram 243 anos de duracao total para estes reinados isto e ha uma media de 35 anos por reinado muito maior que qualquer dinastia documentada ainda reavaliada atualmente desde o trabalho de Barthold Georg Niebuhr Os reinados dos primeiros monarcas levantam grandes duvidas aos historiadores devido a sua grande duracao media e ao fato de alguns parecerem estar arredondados Indice 1 Fundacao 1 1 Lenda 1 2 Arqueologia 1 2 1 Localizacao 1 2 2 Desenvolvimento 2 Sociedade 3 Instituicoes politicas 3 1 Senado 3 2 Assembleias legislativas 3 3 Magistraturas executivas 3 3 1 Reis romanos 3 3 1 1 Romulo 3 3 1 2 Numa Pompilio 3 3 1 3 Tulio Hostilio 3 3 1 4 Anco Marcio 3 3 1 5 Tarquinio Prisco 3 3 1 6 Servio Tulio 3 3 1 7 Tarquinio o Soberbo 4 Religiao 4 1 Sacerdocios 4 2 Cultos e rituais 4 3 Festivais 5 Direito romano 6 Fim do reino e comeco da republica 7 Notas 8 Referencias 9 Bibliografia 9 1 Fontes primarias 9 2 Fontes secundariasFundacao Editar Ver artigo principal Fundacao de Roma Lenda Editar Ver artigos principais Eneias Romulo e Remo e Romulo Eneias carregando Anquises enocoa com pintura negra atica c 520 510 a C Museu do Louvre Verso de um didracma romano autor anonimo ca 269 266 a C Na Eneida de Virgilio e na Ab Urbe condita libri de Tito Livio Eneias filho da deusa Venus foge de Troia com seu pai Anquises seu filho Ascanio e os sobreviventes da cidade Com este realiza diversas peregrinacoes que o levam por fim ao Lacio na Italia onde e recebido pelo rei local Latino que oferece a mao de sua filha Lavinia Isto provoca a furia do rei dos rutulos Turno um poderoso monarca italico que havia se interessado por ela Uma terrivel guerra entre as populacoes da peninsula eclode e como resultado Turno e morto Eneias agora casado funda a cidade de Lavinio em homenagem a sua esposa Seu filho Ascanio governa na cidade por trinta anos ate que resolve se mudar e fundar sua propria cidade Alba Longa 2 Cerca de 400 anos depois o filho e legitimo herdeiro do decimo segundo rei de Alba Longa Numitor e deposto por um estratagema de seu irmao Amulio Para garantir o trono Amulio assassina os descendentes varoes de Numitor e obriga sua sobrinha Reia Silvia a tornar se vestal sacerdotisa virgem consagrada a deusa Vesta 3 no entanto esta engravida do deus Marte e desta uniao foram gerados os irmaos Romulo e Remo nascidos em marco de 771 a C 4 5 Como punicao Amulio prende Reia em um calabouco e manda jogar seus filhos no rio Tibre Por milagre o cesto onde estavam as criancas acaba se atolando em uma das margens do rio no sope do monte Palatino onde sao encontrados por uma loba que os amamenta 6 proximos as criancas estava um pica pau ave sagrada para os latinos e para o deus Marte que os protege 7 Tempos depois um pastor de ovelhas chamado Faustulo encontra os meninos proximo ao pe da Figueira Ruminal Ficus Ruminalis na entrada de uma caverna chamada Lupercal 8 9 Ele os recolhe e leva os para sua casa onde sao criados por sua mulher Aca Larencia 10 11 Romulo e Remo crescem junto dos pastores da regiao praticando caca corrida e exercicios fisicos saqueavam as caravanas que passavam pela regiao a procura de espolio Em um dos assaltos Remo e capturado e levado para Alba Longa Faustulo entao revela a Romulo a historia de sua origem Este parte para a cidade de seus antepassados liberta seu irmao mata Amulio repoe Numitor no trono e da a sua mae todas as honrarias que lhe eram devidas 12 Percebendo que nao teriam futuro na cidade os gemeos decidem partir da cidade junto com todos os indesejaveis para entao fundarem uma nova cidade no local onde foram abandonados 13 14 Romulo queria chama la Roma e edifica la no Palatino enquanto Remo desejava nomea la Remora e funda la sobre o Aventino Como forma de decidir foi estabelecido que se deveria indicar atraves dos auspicios quem seria escolhido para dar o nome a nova cidade e reinar depois da fundacao Tal gerou divergencia entre os espectadores o que originou uma acirrada discussao entre os irmaos que terminou com a morte de Remo 15 Uma versao alternativa afirma que para surpreender o irmao Remo teria escalado o recem construido pomerio quadrangular da cidade e 16 tomado em furia Romulo te lo ia assassinado 17 Arqueologia Editar Mapa das Sete colinas de Roma Cabanas primitivas encontradas no monte Palatino seculo VIII a C Autores classicos como Tito Livio Plutarco e Dionisio de Halicarnasso basearam seus relatos em fragmentos de obras de escritores mais antigos como Helanico de Mitilene autor grego do seculo V a C Alem disso tais autores tentaram encontrar explicacoes racionais para passagens improvaveis do mito de criacao da cidade como a loba capitolina Os romanos designavam pela mesma palavra lupa a femea do lobo e a prostituta Dessa forma historiadores afirmam que na realidade a ama dos gemeos teria sido Aca Larencia mulher de Faustulo que teria exercido o oficio de prostituta 18 19 Os primeiros habitantes de Roma os latinos e sabinos integram o grupo de populacoes indo europeias originarias da Europa Central que vieram para a peninsula Italica em ondas sucessivas em meados do milenio II a C Velho Lacio Latium Vetus era o antigo territorio dos latinos atualmente o sul do Lacio em caso de perigo as habitacoes latino sabinas uniam se em confederacoes para enfrentar seus inimigos b As colinas de Roma comecaram a ser ocupadas nos primordios do milenio I a C restos arqueologicos datados entre os seculos XIV X a C sao as primeiras evidencias de habitacao no Palatino 20 21 Tres recintos muralhados sucessivos sobrepostos foram datados no local dois dos seculos VIII VII a C e um dos seculos VII VI a C 22 Localizacao Editar Roma cresceu na margem esquerda de um trecho navegavel do rio Tibre a cerca de 25 quilometros de sua foz portanto com acesso facil ao mar Tirreno Tinha as vantagens de uma posicao ao mesmo tempo maritima e do interior Situada a cerca de vinte quilometros das colinas Albanas que constituem uma defesa natural numa planicie suficientemente afastada do mar a cidade nao precisaria temer incursoes dos piratas Alem disso tanto o proprio rio e a ilha Tiberina como os montes Capitolio e Palatino operavam como cidadelas naturais facilmente defensaveis Contudo o maior trunfo de Roma quanto a sua localizacao foi a proximidade com o rio Tibre Este desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento economico da cidade porque as mercadorias que provinham do mar tinham que subir pelo curso do rio para serem dirigidas quer para a Etruria quer para a Campania grega Magna Grecia Desse modo Roma era capaz de monopolizar o trafego terrestre uma vez que estava situada na interseccao das principais estradas do interior italiano 23 24 Alem disso por haver importantes salinas nas proximidades da cidade Roma conseguiu transformar se em ponto de mercado perfeito da via do sal futuramente conhecida como via Salaria 18 25 Desenvolvimento Editar Urna funeraria de terracota datada do seculo VIII a C encontrada no Lacio Sua forma seria uma representacao artistica das habitacoes do periodo Mais informacoes aqui Roma inicialmente era um pequeno povoado ou grupo de povoados situado no Palatino e nas colinas vizinhas Sua populacao girava em torno de poucas centenas de habitantes que baseavam sua economia na agricultura trigo cevada ervilha feijao pecuaria cabras porcos pesca caca e coleta a manufatura de artigos ceramicos roupas e outros artigos de uso domestico eram produzidos pelas familias para consumo interno nao havia estratificacao social definida A partir de ca 770 a C sitios arqueologicos da regiao em especial necropoles comecaram a demonstrar maior numero de restos humanos o que indica crescimento humano influencias externas derivadas de contatos comerciais em especial com as colonias gregas da Campania maior especializacao artesanal emprego de roda de oleiro e o aparecimento de classes sociais economicamente diferenciadas tais processos intensificaram se entre o final do seculo VIII e o VII a C 26 Muitas sepulturas do periodo encontradas em diversos locais no Lacio contem individuos com ornamentos pessoas que ressaltam sua riqueza o que pode ser entendido como indicios da formacao progressiva de uma aristocracia dominante que controlou os meios de producao bem como os excedentes adquirindo uma caracteristica hereditaria na manutencao do poder Nesse contexto muitos assentamentos apresentam notorio crescimento tornando se nucleos de poder que foram fortificados com terracos e fossas restos de uma muralha datada de 730 a C foi encontrada no nordeste no Palatino 27 Roma antes um pequeno povoado no Palatino abrangia em meados do seculo VII a C o Vale do Forum o Quirinal parte do Esquilino e o Celio No final do seculo VII a C indicios arqueologicos apontam para um intenso processo de urbanizacao cabanas foram substituidas por casas mais solidas alicerces de pedra estruturas de madeira e cobertura de telhas no Forum foi aberta uma praca publica vestigios de predios publicos santuarios e templos foram detectados juntamente com telhas terracotas e frisos decorativos 26 Sociedade Editar Ver artigo principal Sociedade romana Representacao de uma familia romana Museu do Vaticano A base social romana eram as gentes clas associacoes de parentesco entre familias que acreditavam descender de ancestrais comuns 28 que de modo a expressar sua relacao utilizavam o mesmo nome Nestas condicoes cada membro de um gente o gentil possuia dois nomes um pessoal prenome p ex Marco Cneu Tito e um gentilicio nome por exemplo Marcio Nevio Tacio c devido a autonomia evidencia que as gentes possuiam no contexto social especula se que existam desde antes da formacao do Estado romano Cada familia que compunha a gente era controlada por um respectivo pater familias que exercia poder absoluto in potestate sobre sua propriedade animais escravos filhos e mulher 29 baseado em seu poder patria potestas o pater familias tinha o direito de matar ou vender qualquer membro de sua familia a representava em suas relacoes com outras familias e com a comunidade e efetuava os ritos e sacrificios em honra aos antepassados e deuses Desse modo mesmo adultos seus filhos nao adquiriam autonomia legal ate a morte do pater familias quando por direito proprio eram considerados patres familiarum 30 A partir do termo pater foi cunhado o termo patricio nome da camada social dominante em Roma Esta camada ostentava maior numero de rebanhos terras e escravos da mesma forma que a eles era legado o direito a exercer funcoes publicas militares religiosas juridicas e administrativas 31 por vezes apropriavam se das ager publicus terras que pertenciam ao governo 32 Abaixo dos patricios estava a clientela singular cliente classe constituida por plebeus escravos libertos estrangeiros ou filhos ilegitimos que associavam se aos patricios prestando lhes diversos servicos em troca de auxilio economico e protecao social Esta relacao entre patricios e a clientela baseava se principalmente em conotacoes morais ao inves de legais uma vez que o clientes gozava da confianca fides de seus senhores A clientela tinha entre suas obrigacoes o cultivo de parte das terras dos patricios bem como prestacoes de servicos militares 30 Quanto maior fosse o numero de clientes sob protecao de um patricio maior era seu prestigio social e politico 33 Os plebeus de plebs multidao eram camponeses pequenos agricultores artesaos e comerciantes No periodo monarquico os plebeus nao possuiam direitos politicos embora estivessem sujeitos a carga tributaria e a obrigacoes militares Era proibido o casamento entre plebeus e patricios para evitar a mistura de ambas as classes sociais No limiar da piramide social romana estavam os escravos que eram vencidos de guerra ou plebeus endividados No caso dos plebeus a escravidao podia ocorrer de duas formas A primeira ocorria quando uma familia empobrecida vendia os seus proprios filhos na condicao de escravos A segunda era uma forma de pagamento de dividas ou seja o devedor impossibilitado de saldar suas dividas podia se tornar escravo do credor Eram vistos como instrumentos de trabalho sendo considerados como propriedade de seu senhor podendo ser vendidos trocados alugados ou castigados Como escravo a pessoa nao detinha nenhum direito como o de se casar deslocar se de um lugar para outro participar das assembleias e tomar decisoes 34 Durante a monarquia eram pouco numerosos 35 As mulheres romanas as matronas matronae tinham direito de possuir propriedade ser educadas e participar mais ativamente de atividades sociais como os banquetes e campanhas eleitorais 29 Instituicoes politicas EditarSenado Editar Ver artigo principal Senado romano Cicero denuncia Catilina afresco que representa o senado romano reunido na Curia Hostilia Palazzo Madama Roma O termo latino senatus e derivado de senex que significa homem velho Portanto senado significa literalmente conselho de anciaos Sua origem possivelmente provem da estrutura tribal das comunidades do Lacio nas quais muitas vezes havia um conselho aristocratico de anciaos tribais 36 As familias romanas primitivas eram denotadas gentes ou clas 37 que eram governadas por um patriarca o pai pater Quando estas primeira familias agregaram se para formar Roma os patriarcas das principais gentes foram selecionados 38 para participar de um conselho de anciaos o futuro senado Com o tempo contudo reconheceram a necessidade de um unico lider levando o a eleger um rei rex e investir nele seu poder soberano Quando o rei morria o poder seria naturalmente revertido para eles 39 O senado tinha tres responsabilidades principais funcionava como repositorio definitivo para o poder executivo 40 conselheiro do rei e como corpo legislativo em sintonia com o povo de Roma Os senadores romanos reuniam se em um templo templum ou qualquer outro local que havia sido consagrado por um funcionario religioso augure 41 Durante a monarquia a mais importante funcao do senado foi a de selecionar novos reis O periodo entre a morte de um rei e a eleicao do proximo era conhecida como interregno 40 Quando um rei morria um membro do senado o inter rei indicava um candidato para substitui lo No primeiro interregno ocorrido apos o sumico de Romulo o senado que entao era composto por cem homens dividiu se em dez decurias cada uma regida por um decuriao que exerceu a funcao de inter rei por cinco dias 30 Por um ano os decurios alternaram se no poder ate que o novo rei foi aclamado 42 Apos o senado dar sua aprovacao inicial do candidato ele era formalmente eleito pelo povo e 43 em seguida receberia a aprovacao final do senado 44 Assim apesar do rei ser oficialmente eleito pelo povo efetivamente a decisao era do senado O mais significativo papel do senado alem das eleicoes reais era a de conselho consultivo do rei Apesar do rei nao estar limitado pelo conselho senatorial o crescente prestigio do senado fez seu conselho cada vez mais imprudente Tecnicamente o senado poderia fazer leis apesar de que seria incorreto ver os decretos do senado como legislacao em sentido moderno Apenas o rei poderia decretar novas leis embora muitas vezes envolvesse tanto o senado quanto a assembleia curial assembleia popular no processo No entanto o rei era livre para ignorar qualquer decisao que o senado tivesse aprovado 41 Assembleias legislativas Editar Ver artigo principal Assembleia das curias Muralha Serviana em vermelho e seus respectivos portoes As assembleias legislativas foram as principais instituicoes Uma delas a assembleia das curias embora tivesse alguns poderes legislativos 45 possuia apenas direito de ratificar simbolicamente decretos emitidos pelo rei As funcoes de outra a Assembleia calada comitia calata eram puramente religiosas Nesse periodo todos os cidadaos de Roma ou seja individuos em idade militar ate 45 anos eram divididos num total de 30 curias as unidades basicas de divisao nas duas assembleias populares Os membros de cada curia votariam e ai a maioria determinava como que a curia votaria antes da assembleia 46 A assembleia das curias comitia curiata foi a unica assembleia popular com algum significado politico durante o Reino de Roma 45 O rei presidia a assembleia e submetia decretos para a assembleia ratificar Um inter rei presidia a assembleia durante os periodos intercalares entre reis Apos a selecao de um novo rei e a aprovacao inicial do senado ser concebida o inter rei realizava a eleicao formal antes da assembleia das curias O novo rei interpretava os auspicios pressagios dos deuses e caso estes fossem favoraveis eram concedidos poderes legais a lex curiata de imperio ao candidato 44 Nas Calendas primeiro dia do mes e nas Nonas quinto ou setimo dia do mes esta assembleia se reunia para ouvir anuncios Apelacoes ouvidas pela assembleia curial muitas vezes tratavam de questoes relativas ao direito familiar 47 Durante dois dias fixos na primavera agendava se a assembleia para testemunhos de vontades e adoracoes Todas as outras reunioes nao tinham datas pre fixadas e eram realizadas conforme necessario Ela tambem tinha jurisdicao sobre a admissao de novas familias para uma curia a transferencia de familia entre duas curias bem como a transferencia de individuos plebeus para o estado patricio ou vice versa ou a restauracao da cidadania a um individuo A assembleia geralmente decidia tais questoes sob a presidencia de um pontifice maximo Uma vez que a assembleia era principalmente uma assembleia legislativa era teoricamente responsavel por ratificar leis No entanto a rejeicao de tais leis pela assembleia nao impedia sua promulgacao Em algumas ocasioes a assembleia das curias reafirmou a autoridade legal de um rei e por vezes ratificou a decisao de ir para a guerra 48 A Assembleia calada comitia calata foi a mais antiga assembleia romana Reunia se no Capitolio e era convocada pelas assembleias das curias e ou das centurias A assembleia tinha a funcao de inaugurar o rei das coisas sagradas rex sacrorum ou qualquer flamine ou vestal 49 50 Ocasionalmente o povo era convocado para as reunioes que tratavam casos como o detentatio sacrorum ou seja situacoes onde um individuo renunciava o culto de seu gente e atraves da adocao pratica muito corriqueira com finalidade de estabelecer se lacos entre os gentes adotava o culto de seu novo gente 51 52 o povo tinha participacao nominal na assembleia 53 Magistraturas executivas Editar Ver artigo principal Cursus honorum Circo Maximo em vermelho Durante o reino de Roma o rei era a principal magistratura executiva Ele era o chefe executivo sumo sacerdote chefe legislador juiz supremo e comandante em chefe do exercito 54 Seus poderes repousavam na lei e precedencia legal e ele so poderia receber esses poderes atraves do processo politico de uma eleicao democratica Na pratica ele nao tinha restricoes reais em seu poder Quando rebentava uma guerra ele tinha a competencia exclusiva para organizar as tropas selecionar lideres para o exercito e conduzir a campanha como bem entendesse Ele controlava todos os bens em poder do Estado tinha a competencia exclusiva para dividir a terra e os espolios de guerra era o principal representante da cidade na relacao com os deuses ou os lideres de outras comunidades e podia decretar unilateralmente qualquer nova lei De acordo com o historiador Salustio o grau de autoridade legal imperium detido pelo rei romano era conhecido como legitimum imperium Isso provavelmente significa que a unica restricao sobre o rei era a mos maiorum Isso por exemplo sugere mas nao exige que ele deveria consultar o senado antes de tomar decisoes 47 Enquanto o rei podia declarar guerra unilateralmente por exemplo ele normalmente preferia ter essas declaracoes ratificadas pela assembleia popular 48 38 Alem disso ele normalmente nao decidia questoes que tratavam do direito familiar romano antes deixava a assembleia popular decidir essas questoes Enquanto o rei tinha poder absoluto sobre os julgamentos criminais e civis provavelmente ele so atuou em processos em seu estagio inicial in iure encaminhando em seguida o caso para um de seus assistentes um juiz em latim iudex para decisao Nos casos penais mais graves o rei podia remeter o processo para o povo reunido em assembleia popular para julgamento Alem disso o rei costumava receber consentimento dos outros sacerdotes antes de introduzir novas divindades 47 As vezes ele apresentava seus decretos tanto a assembleia popular quanto ao senado para uma ratificacao cerimonial mas a rejeicao de seus decretos nao impedia a promulgacao dos mesmos O rei escolhia varios oficiais para ajuda lo e concedia unilateralmente os seus poderes Quando o rei deixava a cidade um prefeito urbano praefectus urbi presidia a cidade em seu lugar O rei tambem tinha dois questores como assistentes gerais enquanto varios outros oficiais os duunviros perdulioes duumviri perduellionis auxiliavam o durante os casos de traicao Na guerra o rei comandava ocasionalmente apenas a infantaria e delegava o comando da cavalaria para um de seus guarda costas pessoais o tribuno dos celeres tribunus celerum 38 Segundo algumas teorias a partir do seculo VI a C com a decadencia do sistema monarquico os reis foram substituidos por mestres do povo magistri populi vitalicios ditador na conduta executiva 55 Reis romanos Editar As cronicas tradicionais que chegaram ate a atualidade atraves de autores como Tito Livio Plutarco Dionisio de Halicarnasso etc contam que houve uma sucessao de sete reis A cronologia tradicional narrada por Marco Terencio Varrao mostra que foram 243 anos de duracao total para estes reinados isto e ha uma media de 35 anos por reinado muito maior que qualquer dinastia documentada ainda reavaliada atualmente desde o trabalho de Barthold Georg Niebuhr Os gauleses liderados por Breno saquearam Roma apos a vitoria na Batalha do Alia em 390 387 a C de forma que todos os registros historicos da cidade foram destruidos incluindo aqueles de fases mais antigas Assim as fontes posteriores referentes ao periodo mais antigo tem de ser analisadas com cautela por terem sido escritas seculos depois dos eventos 56 Os reinados dos primeiros monarcas levantam grandes duvidas aos historiadores devido a sua grande duracao media e ao fato de alguns parecerem estar arredondados em torno dos 40 anos de duracao Este dado curioso que se destaca ainda mais quando comparado com os reinados da atualidade em que a esperanca de vida e maior era explicado nas tradicoes romanas devido a que a maioria dos reis havia sido parente de seu predecessor Nao obstante e mais provavel que somente os ultimos reis tenham existido realmente e por enquanto ainda nao foram descobertas evidencias historicas referentes aos primeiros 57 Romulo Editar Ver artigo principal Romulo Romulo transporta rico espolio para o templo de Jupiter Jean Auguste Dominique Ingres Ecole des Beaux Arts Paris Rapto das Sabinas oleo de Pietro de Cortona ca 1627 1629 Museus Capitolinos Roma Romulo foi nao so o primeiro rei de Roma como tambem seu fundador junto a seu gemeo Remo No ano 753 a C ambos comecaram a construir a cidade junto ao monte Palatino 58 quando segundo a lenda Romulo matou Remo por ter atravessado sacrilegamente o pomerio 59 Apos a fundacao da urbe cidade Romulo convidou criminosos escravos fugidos e auxiliares para darem auxilio na nova cidade chegando assim a povoar cinco das sete colinas de Roma Para conseguir esposas para seus cidadaos Romulo convidou os sabinos a um festival onde raptou as mulheres sabinas e as levou a Roma 60 Apos a conseguinte guerra com os sabinos Romulo uniu os sabinos e os romanos sob o governo de uma diarquia junto com o lider sabino Tito Tacio 61 d Romulo dividiu a populacao de Roma entre homens fortes e aqueles nao aptos para combater Os combatentes constituiram as primeiras legioes romanas embora o resto tenha se convertido em plebeus de Roma Romulo selecionou cem dos homens de linhagem mais alta como senadores 62 Estes homens foram chamados pais e seus descendentes seriam os patricios a nobreza romana Apos a uniao entre romanos e sabinos Romulo agregou outros cem homens ao senado Sob o reinado de Romulo se estabeleceu tambem a instituicao dos augures como parte da religiao romana assim como a assembleia das curias Romulo dividiu o povo de Roma em tres tribos romanos ramnes sabinos ticios e o resto luceres Cada tribo elegia dez curias comunidade de varoes fornecendo tambem 100 cavaleiros celeres e 1 000 soldados de infantaria milites cada uma formando assim a primeira legiao de 300 ginetes e 3 000 infantes ocasionalmente podia convocar uma segunda legiao em caso de urgencia 63 Estes contingentes tribais eram comandados pelos tribunos militares tribuni militum e tribunos de cavalaria tribuni celerum 30 Depois de 38 anos de reinado Romulo havia travado numerosas guerras estendendo a influencia de Roma por todo o Lacio e outras areas circundantes Pronto seria recordado como o primeiro grande conquistador e como um dos homens mais devotos da historia de Roma Apos sua morte aos 54 anos de idade foi divinizado como o deus da guerra Quirino honrado nao so como um dos tres deuses principais de Roma 59 Numa Pompilio Editar Ver artigo principal Numa Pompilio Numa Pompilio e a ninfa Egeria oleo sobre tela c 1631 1633 Museu Conde Numa Pompilio de origem sabina foi o sucessor de Romulo Relutante quanto ao cargo foi convencido por seu pai com a alegacao de que estaria servindo a vontade dos deuses 64 Recordado por sua sabedoria seu reinado foi marcado pela paz e prosperidade 65 Numa reformou o calendario romano ajustando o para o ano solar e lunar adicionando tambem os meses de janeiro e fevereiro ate completar os doze meses do novo calendario 66 67 Instituiu numerosos rituais religiosos romanos p ex a Agonalia e designou novos sacerdocios os salios salii para adorar Marte e um flamine maior flamen maioris como sacerdote supremo de Quirino o flamine quirinal flamen quirinalis Organizou o territorio circundante de Roma em distritos para uma melhor administracao e repartiu as terras conquistadas por Romulo entre os cidadaos organizando a cidade em gremios e oficios 68 Numa foi recordado como o mais religioso dos reis mesmo acima do proprio Romulo Sob seu reinado se erigiram templos a Vesta e Jano se consagrou um altar no Capitolio ao deus da fronteira Termino e se organizaram os flamines as vestais e os pontifices de Roma assim como o Colegio de Pontifices 69 A tradicao conta que durante o governo de Numa um escudo de Jupiter caiu do ceu com o destino de Roma escrito nele O rei ordenou fazer onze copias do mesmo que foram reverenciadas como sagradas pelos romanos 70 Como homem bondoso e amante da paz Numa semeou ideias de piedade e de justica na mentalidade romana Durante seu reinado as portas do Templo de Jano estiveram sempre fechadas como mostra de que nao havia empreendido nenhuma guerra ao longo de seu mandato 71 67 Apos 43 anos de reinado a morte de Numa ocorreu de forma pacifica e natural 72 Tulio Hostilio Editar Ver artigo principal Tulio Hostilio Tulio Hostilio derrota exercito proveniente de Veios e Fidenas oleo sobre madeira de Cavalier D Arpino ca 1601 Petit Palais Paris Tulio Hostilio de origem latina foi o sucessor de Numa Pompilio Muito parecido a Romulo quanto a seu carater guerreiro 73 era completamente oposto a Numa em sua falta de atencao com os deuses Tulio fomentou varias guerras contra Alba Longa Fidenas e Veios que granjearam a Roma novos territorios e maior poder Foi durante o reinado de Tulio que Alba Longa foi completamente destruida sendo toda a populacao escravizada e enviada a Roma Desta forma Roma se impos a sua cidade materna como poder hegemonico do Lacio 74 Apesar de sua natureza beligerante Tulio Hostilio selecionou um terceiro grupo de individuos que chegaram a pertencer a classe patricia de Roma eleito entre todos aqueles que haviam chegado a Roma buscando asilo e uma nova vida Tambem erigiu um novo edificio para albergar o senado a Curia Hostilia 75 76 77 Em seu reinado o rei envolveu se em tantas guerras que descuidou sua atencao das divindades o que levou segundo sustentam as lendas a que uma praga se abatesse sobre Roma que afetou muitos romanos incluindo o proprio rei Quando Tulio solicitou ajuda a Jupiter o deus respondeu como um raio que reduziu a cinzas tanto o monarca como sua residencia Seu reinado chegou ao fim apos 32 anos de duracao 75 76 77 Anco Marcio Editar Ver artigo principal Anco Marcio Denario de Caio Censorino emitido em 88 a C com efigie de Numa Pompilio e Anco Marcio Com a morte de Tulio Hostilio os romanos elegeram o sabino Anco Marcio um personagem pacifico e religioso Era neto de Numa Pompilio e como seu avo apenas estendeu os limites de Roma lutando em defesa dos territorios romanos quando foi preciso Durante seu reinado fortificou o monte Janiculo na margem ocidental do rio Tibre para assim garantir maior protecao a cidade por este flanco tambem construindo a primeira ponte de Roma a Ponte Sublicia assim como a primeira prisao romana a Prisao Mamertina Outras das obras do rei foram a construcao do porto romano de ostia na costa do Tirreno assim como as primeiras fabricas de salga aproveitando a rota fluvial tradicional do comercio de sal via Salaria que abastecia os agricultores sabinos 78 A extensao da cidade de Roma foi incrementada devido a diplomacia exercida por Anco permitindo a uniao pacifica de varias aldeias menores atraves de aliancas Gracas a este metodo conseguiu o controle dos latinos realojados no Aventino consolidando assim a classe plebeia de Roma Todavia ainda sao evidentes os conflitos entre romanos e latinos durante seu reinado 78 Apos 24 anos de reinado morreu possivelmente de morte natural como seu avo sendo recordado como um dos grandes pontifices de Roma Foi o ultimo dos reis latino sabinos de Roma 79 Tarquinio Prisco Editar Ver artigo principal Tarquinio Prisco Tulia dirige sobre o cadaver de seu pai oleo sobre lona de Jean Bardin c 1735 Museu Estadual de Moguncia Tarquinio Prisco foi o quinto rei de Roma e o primeiro de origem etrusca presumivelmente de ascendencia corintia Apos emigrar a Roma obteve o favor de Anco que o adotou como seu filho Ao ascender ao trono combateu em varias guerras vitoriosas contra sabinos e etruscos dobrando assim o tamanho de Roma e obtendo grandes tesouros para a cidade 80 Uma de suas primeiras reformas foi adicionar cem novos membros ao senado procedentes das tribos etruscas conquistadas pelo que o numero de senadores ascendeu a um total de trezentos 81 Tambem ampliou o exercito duplicando o numero de efetivos ate 6 000 infantes e seiscentos ginetes 82 Alem disso a ele e creditada a criacao dos Jogos Romanos 83 Tarquinio Prisco utilizou o grande butim obtido em suas campanhas militares para construir grandes monumentos em Roma dos quais destaca se o grande sistema de esgoto na cidade a Cloaca Maxima cujo fim era drenar as aguas de pequenos corregos que tendiam a estagnar nos vales situados entre as colinas de Roma para o rio Tibre o Forum Romano e o Circo Maximo um grande estadio que albergava carreiras de cavalos e que contava com um templo fortaleza sobre a colina do Capitolio consagrado a Jupiter 83 Tarquinio foi assassinado apos 38 anos de reinado pelos filhos de seu predecessor Anco Marcio Seu reinado e recordado por haver introduzido os simbolos militares romanos e os cargos civis assim como pela celebracao do primeiro triunfo romano 84 Servio Tulio Editar Ver artigo principal Servio Tulio Versao retocada digitalmente dum afresco etrusco situado na Tumba Francois Vulcos Nele estao representados o nobre etrusco Celio Vibena Mastarna e Servio Tulio Ver original aqui Servio Tulio genro de Tarquinio Prisco assumiu o trono e como seu predecessor travou varias guerras vitoriosas contra os etruscos O butim adquirido foi utilizado para o financiamento das primeiras muralhas que cercavam as sete colinas romanas sobre o pomerio as chamadas muralhas servianas 85 assim como um templo dedicado a Diana na colina do Aventino 86 No ambito belico 87 Servio Tulio introduziu novas taticas militares aos moldes etruscos e gregos e empenhou se em tornar o exercito romano mais disciplinado e basicamente composto de infantaria pesada a exemplo das falanges hoplitas gregas Seu exercito composto por 6 000 infantes e 600 ginetes era formado de homens com quantidade minima de bens chamados adsiduos adsidui de modo a diferencia los dos proletarios proletarii os pobres da sociedade que compunham a infra classem classe inferior e que nao tinham direito a participar do exercito 88 No ambito social desenvolveu uma nova constituicao para os romanos com maior atencao as classes cidadas Instituiu o primeiro censo da historia dividindo a populacao de Roma em cinco classes censitarias criando tambem a Assembleia das centurias Utilizou tambem o censo para dividir a cidade em quatro tribos urbanas tribus urbanae baseadas em sua localizacao espacial dentro da cidade e o restante do territorio romano em 16 tribos rurais tribus rusticae estabelecendo a assembleia tribal comitia tributa 89 As reformas de Servio supuseram uma grande mudanca na vida romana o direito a voto foi estabelecido com base na riqueza economica pelo qual grande parte do poder politico permaneceu reservado as elites romanas Contudo no tempo de Servio as classes mais desfavorecidas foram gradualmente favorecidas para desta forma obter maior apoio por parte dos plebeus razao pela qual sua legislacao pode definir se como insatisfatoria para a classe patricial O grande reinado de 44 anos de Servio Tulio terminou com seu assassinato em uma conspiracao urdida por sua propria filha Tulia e seu marido Tarquinio seu sucessor no trono 90 A morte de Lucrecia oleo sobre tela Eduardo Rosales ca 1871 Museu do Prado Os lictores trazem os filhos de Bruto Jacques Louis David 1784 Tarquinio o Soberbo Editar Ver artigos principais Tarquinio o Soberbo e Queda da monarquia romana O setimo e ultimo rei de Roma foi Tarquinio o Soberbo Filho de Prisco e genro de Servio Tarquinio tambem era de origem etrusca Usou a violencia o assassinato e o terror para manter o controle sobre Roma como nenhum rei anterior havia utilizado revogando inclusive muitas das reformas constitucionais que haviam estabelecido seus predecessores Sua melhor obra para Roma foi a finalizacao do templo de Jupiter iniciado por seu pai Prisco 91 chamou o escultor etrusco Vulca de Veios para produzir a estatua de Jupiter do templo 92 Tarquinio aboliu e destruiu todos os santuarios e altares sabinos da rocha Tarpeia enfurecendo desta forma o povo romano 91 O ponto crucial de seu reinado tiranico sucedeu quando permitiu a violacao de Lucrecia uma patricia romana por seu filho Sexto Tarquinio Um parente de Lucrecia e sobrinho do rei Lucio Junio Bruto antepassado de Marco Junio Bruto convocou o senado que decidiu a expulsao de Tarquinio no ano 509 a C Tarquinio pode ter recebido entao ajuda do lars Porsena que nao obstante ocupou Roma para seu proprio beneficio e Tarquinio fugiu em seguida para a cidade de Tusculo e posteriormente para Cumas onde morreria no ano 495 a C 93 Esta expulsao supostamente pos fim a influencia etrusca tanto em Roma como no Lacio e levou ao estabelecimento de uma constituicao republicana 94 Apos a expulsao de Tarquinio o senado decidiu abolir a monarquia convertendo Roma em uma republica no ano 509 a C 95 Lucio Junio Bruto e Lucio Tarquinio Colatino sobrinho de Tarquinio e viuvo de Lucrecia se converteram nos primeiros consules p do novo governo de Roma 96 Neste mesmo ano durante a embaixada de membros da familia real em Roma um estratagema conhecido como Conspiracao Tarquiniana foi planejado por patricios e membros do senado que eram apoiantes da monarquia tombada entre os participantes do golpe estavam os filhos de Bruto Tito Junio Bruto e Tiberio Junio Bruto 97 O estratagema contudo mostrou se falho e os conspiradores foram condenados a morte 98 Religiao Editar Ver artigo principal Religiao na Roma Antiga Assim como as demais instituicoes romanas as praticas religiosas da Roma Antiga segundo a tradicao foram estabelecidas durante o Reino de Roma De acordo com Tito Livio Numa Pompilio fundou a religiao romana apos ter dedicado um altar a Jupiter Elicio no monte Aventino e consultar os deuses por meio de um augurio Ele dividiu o sistema de ritos religiosos romanos o que inclui a forma e o tempo dos sacrificios a supervisao dos fundos religiosos autoridade sobre todas as instituicoes religiosas publicas e privadas e instrucao da populacao nos ritos celestes e funerarios 99 Numa tambem estabeleceu as cerimonias caerimoniae originalmente as instrucoes rituais secretas que sao descritas como statae et sollemnes estabelecidas e solenes e que foram interpretadas e supervisionadas pelo Colegio de Pontifices flamines o rei das coisas sagradas e as vestais 100 Sacerdocios Editar Augure em representacao etrusca da Tumba dos Augures Necropole de Monterozzi O Colegio de Pontifices o sacerdocio mais importante da Roma Antiga assim como o cargo de pontifice maximo pontifex maximus foram estabelecidos no reinado de Numa Pompilio 99 101 Os pontifice tinham a superintendencia judicial e pratica suprema de todos os assuntos privados ou publicos e da religiao alem de serem os guardioes dos livros que continham as ordenacoes rituais dos romanos Os detalhes acerca de suas atribuicoes e funcoes estavam contidos nos chamados livros pontificios libri pontificalis ou libri pontificii os textos fundamentais da religiao romana que sobreviveram em transcricoes fragmentarias e comentarios dos quais os primeiros escritos foram creditados a Numa Pompilio a quem se atribui a codificacao dos textos e principios fundamentais do direito civil e religioso ius divinum e ius civile de Roma 102 103 104 105 Esses livros foram sancionados durante o reinado de Anco Marcio 106 Os flamines sacerdotes romanos dedicados ao servico de deuses particulares estiveram entre os mais importantes sacerdocios da Roma Antiga Durante a monarquia foram estabelecidos os tres que compunham o grupo chamado flamine maior aqueles que eram escolhidos entre os patricios e dedicados aos deuses Jupiter flamine dial Marte flamine marcial e Quirino flamine quirinal Posteriormente estabeleceram se outros 15 flamines os flamines menores que eram escolhidos entre os plebeus para dedicarem se a deuses menores como Carmenta Ceres Flora Pomona e Vulcano Segundo Plutarco Romulo estabeleceu em seu reinado o sacerdocio dos dois primeiros no entanto a maior parte dos estudiosos acredita que estes assim como o flamine quirinal foram criados por Numa Os flamines cujos cargos eram vitalicios eram inaugurados pela assembleia calada e estavam sujeitos a autoridade do pontifice maximo 107 O rei das coisas sagradas cargo caracteristico da religiao etrusca assim como de algumas cidades latinas Tusculo Lavinio e Velitras teve importancia notoria na religiao romana Em Roma o sacerdocio foi deliberadamente despolitizado 108 de modo que o rei das coisas sagradas nao era eleito e sim escolhido pelo pontifice maximo entre os patricios subordinados a ele e sua inauguracao era testemunhada pela assembleia calada Com a derrubada em 509 a C dos reis de Roma o rei das coisas sagradas assumiu algumas das obrigacoes sacrais antes exercidas por eles 109 110 Ceramica etrusca encontrada perto de Regia no Forum Romano contendo uma inscricao de um rex ca seculos VI V a C Ainda e um misterio se a palavra rex gravada esteja mencionando um dos reis de Roma ou entao um rei das coisas sagradas Busto do imperador romano Lucio Vero r 161 169 como um arval Museu do Louvre As vestais sacerdotisas castas f da deusa Vesta foram criadas como sacerdocio durante o reinado de Numa Pompilio Contudo segundo Tito Livio as origens das vestais provem de Alba Longa g 99 Numa segundo Plutarco fundou o Templo de Vesta nomeou as primeiras quatro sacerdotisas duas dos ticios e duas dos ramnes e nomeou um pontifice maximo para assisti las Tarquinio Prisco segundo Plutarco 111 ou Servio Tulio segundo Dionisio de Halicarnasso adicionou outras duas vestais ao templo estas provenientes dos luceres Tinham como principais funcoes vigiar em turnos o fogo eterno que ardia no altar da deusa Vesta e as reliquias sagradas de Roma as fatale pignus imperii apresentar ofertas a deusa em prazos estabelecidos participar da consagracao de templos banquetes sacerdotais e de festivais como o de Bona Dea e aspergir e purificar o santuario todas as manhas com agua que de acordo com Numa deveria ser proveniente da fonte egeriana frequentada pela ninfa Egeria Posteriormente considerou se que qualquer agua que proviesse de uma fonte ou um riacho era aceitavel 112 Em rituais sacrificiais oficiais preparavam e aspergiam uma mistura conhecida como mola salsa farinha de trigo e ou cevada com sal sobre a testa e entre os chifres de vitimas sacrificiais bem como no altar e no fogo sagrado 113 Tal pratica muito popular durante os sacrificios romanos foi atribuida a Numa Pompilio 114 Os augures tiveram notoria participacao nas religiao romana uma vez que eram eles que interpretavam as vontades divinas acerca de acoes propostas atraves da interpretacao de auspicios e ou augurios h Durante o periodo monarquico um dos rituais dos augures a inauguracao inauguratio que consistia em um rito no qual os deuses aprovavam por meio de sinais a nomeacao e ou posse de alguem foi privilegio do rei e dos sacerdotes principais 115 116 Na republica o rei das coisas sagradas 117 118 os flamines maiores 119 120 os augures e os pontifices adquiriram o direito de serem aprovados no ritual 121 122 Os salios usualmente conhecidos como salios palatinos salii palatini foram sacerdotes instituidos por Numa e eram escolhidos entre os patricios de Roma para dedicarem se a Marte Gradivo em seu templo no Palatino Tulio Hostilio em cumprimento de um voto feito durante a segunda Guerra com Fidenas e Veios estabeleceu outro grupo de salios 123 os salios colinos salii collini que dedicavam se a Quirino Os salios palatinos tiveram como uma de suas obrigacoes o cuidado dos 12 ancis de bronze ancilia de Marte que encontravam se no Palatino Alem disso celebravam em 1 de marco o festival de Marte no qual percorriam a cidade carregando os cantando e dancando no fim do percurso havia um celebracao ao deus no Templo de Marte no Palatino 124 Os feciais fetiales estabelecidos em Roma por Anco Marcio foram um sacerdocio dedicado ao deus Jupiter Suas principais funcoes consistiam na declaracao formal de paz e de guerra confirmacao de tratados e em casos especificos o exercicio de missoes como diplomatas ou embaixadores 125 126 127 Outros os irmaos arvais fratres arvales eram sacerdotes que dedicavam se a prestacao de oferendas publicas para os deuses campestres da fertilidade Especula se que tenham sido estabelecidos durante o reinado de Romulo e que presumivelmente possuiam afinidades com os sacerdotes conhecidos como sodais ticios titii sodales que segundo a tradicao foram estabelecidos por Tito Tacio 128 Cultos e rituais Editar Ver artigo principal Mitologia romana Esculturas representando a triade capitolina Museu Arqueologico Prenestino em Palestrina Modelo representando a estrutura do Templo de Jupiter Capitolino erigido por Tarquinio o Soberbo Na Roma Antiga os cultos sacer singular sacra eram os cultos tradicionais publicos publica ou privados privata ambos supervisionados pelo Colegio de Pontifices A criacao do culto publico sacra publica e atribuida a Numa Pompilio embora muitos considerem uma origem previa possivelmente anterior a fundacao de Roma Desse modo Numa pode ser visto como o reformador e reorganizador do culto de acordo com seus proprios pontos de vista e sua educacao 129 130 131 132 133 Os cultos publicos eram realizadas e custeadas pelo Estado de acordo com as disposicoes deixadas por Numa e contavam com a presenca de todos os senadores e magistrados 99 Os cultos publicos sacer publica eram realizados em nome de todo o povo romano ou suas subdivisoes principais as tribos e curias Eles incluiam ritos em nome do povo romano sacra por populo ou seja todos os feriados publicos feriae publicae do calendario romano e as outras festas que eram consideradas de interesse publico incluindo as relativas as colinas de Roma 134 aos pagos as curias e aos santuarios sacelos 135 Os cultos publicos destinavam se aos gentes a uma familia ou a um individuo Os individuos tinham cultos em datas peculiares para eles tais como aniversarios o dia da consagracao dies lustricus funerais e expiacoes 136 Familias tinham seu culto caseiro ou na tumba de seus ancestrais Estes foram considerados necessarios e impereciveis e o desejo de perpetuar o culto familiar foi um dos motivos para a adocao na idade adulta 137 52 No seio dos cultos publicos havia os cultos gentilicios sacer gentilicia ritos privados particulares de uma gente Estes ritos estavam relacionados com a crenca de ancestralidade comum dos membros de uma gente o que esta na base das praticas de culto dos mortos 138 Devido ao contato com os etruscos os romanos assimilaram diversos deuses destes que comecaram a ser cultuados por eles ao modo romano Durante o processo de conquista ocorrido a partir da republica tais deuses tenderam a adquirir caracteristicas de divindades cultuadas em outras regioes em especial da Grecia 139 Roma nao ofereceu nenhum mito nativo da criacao e a mitografia romana pouco explica o carater de suas divindades suas relacoes ou suas aspiracoes com o mundo humano mas reconheceu que a teologia romana de deuses imortais di immortales que governaram todos os reinos dos ceus e da terra Havia deuses dos ceus deuses do submundo e uma miriade de divindades menores 140 141 Entre todos os deuses cultuados os que se destacavam compunham as chamadas triades a triade arcaica Jupiter Marte e Quirino de origem indo europeia e a triade capitolina Jupiter i Juno e Minerva de origem etrusca 142 Segundo alguns estudiosos Vulcano deus das forjas e do fogo tem seu nome originado de palavras latinas ligadas ao relampago fulgur fulgure fulmen que por sua vez estao relacionadas com chamas 143 Por outro lado estudos recentes apontam para que possivelmente a palavra Vulcano esteja relacionada com o deus cretense Velcano ligado a natureza e ao mundo inferior que por sua vez esta relacionado com o deus etrusco Velchans 144 Foi um dos mais antigos deuses romanos e a ele foi dedicado o mais antigo santuario de Roma o Vulcanal no pe do Capitolio no Forum Romano que havia sido fundado por Tito Tacio no seculo VIII a C 145 146 147 e foi ponto de encontro dos aruspices etruscos 148 149 Um fragmento de ceramica grega encontrado no Vulcanal datado do seculo VI a C tem uma representacao do deus Hefesto o que pode ser encarado como um indicativo da uniao de ambos os deuses 150 Ruinas do Templo de Vesta Forum Romano Ruinas do Templo de Saturno Forum Romano Vesta deusa protetora do lar tem seu nome proveniente segundo Georges Dumezil de uma raiz indo europeia 151 segundo estudiosos suas origens estao associadas com o deus vedico Agni Vinculada com o fogo sagrado da fecundidade esteve envolvida em uma versao do nascimento de Romulo 152 Servio Tulio 153 154 e de Ceculo fundador de Palestrina 155 Alem de Vesta os romanos cultuavam outras entidades que atuavam como guardioes do lar assim como por extensao dos romanos os lares penates genios e junos Os lares eram espiritos que atuavam tanto como entidades boas protetores dos lares familias marinheiros e militares campos estradas e da propria Roma j ou ruins Os penates originarios de Troia foram trazidos por Eneias eram uma dupla de deuses protetores da despensa das residencias romanas Os genios segundo a tradicao romana eram entidades que atuavam como protetores de todos os homens as mulheres eram protegidas pelas junos servas da deusa Juno de modo que cada um tinha o seu ate mesmo Roma apresentavam se como figuras aladas ou como homens com uma cornucopia 156 Diana deusa associada a caca a Lua e aos partos tem em seu nome uma raiz indo europeia a mesma da qual deriva o nome do deus vedico Diaus e as palavras latinas deus e dies dia luz do dia em tabuletas de Pilos o teonimo diϝia e segundo estudiosos uma referencia a Diana Seu culto presumivelmente iniciou se em Aricia 157 com cultos ao ar livre entre os latinos 158 159 160 tendo se espalhado para as cercanias de Roma onde no seculo VI a C Servio Tulio erigiu no monte Aventino um templo dedicado a ela 86 O culto aos deuses romanos que simbolizavam o Sol 161 e a Lua Luna segundo a tradicao foi estabelecido em Roma por Tito Tacio a partir de divindades sabinas 147 146 Sol foi identificado como o avo do rei latino 162 A Luna foram dedicados dois templos um no monte Aventino abaixo do Templo de Diana e outro no Palatino 163 No panteao romano havia uma infinidade de divindades ligadas com os cultos campestres Ceres deusa da fertilidade pastoral agricola e humana hipoteticamente possui uma origem indo europeia como sugere a raiz de seu nome Cultos arcaicos sao evidenciados entre muitos vizinhos dos romanos como latinos oscos samnitas e uma inscricao falisca datada de seculo 600 a C ressalta preces a deusa Ao longo do tempo em solo romano o nome Ceres tornou se sinonimo de graos e por extensao de pao 164 165 Saturno deus ligado aos primordios da agricultura e do cultivo de parreiras foi cultuado como uma das divindades fundadoras romanas um templo iniciado durante o reinado de Tarquinio o Soberbo e concluido em 497 a C localizado no Capitolio foi dedicado a ele 166 167 k Ops esposa de Saturno foi a deusa vinculada a colheita 168 riqueza abundancia e prosperidade foi introduzida nos cultos romanos por Tito Tacio a partir de uma divindade sabina a ela foi dedicado um templo no Capitolio proximo aquele dedicado a seu esposo 169 Fauno padroeiro da agricultura e protetor dos pastores 170 por vezes e identificado nomeadamente na obra de Virgilio como um dos antigos reis do Lacio tendo sido filho de Pico filho de Saturno Foi como Numa um disseminador de cultos no Lacio e segundo as tradicoes em seu reinado chegaram ao Lacio os herois Evandro e Hercules 171 Conso deus protetor dos graos e silos de possivel origem etrusca ou sabina foi uma das mais antigas divindades agrarias romanas Representado como uma semente a ele foi dedicado um altar 172 proximo do Circo Maximo 173 Mater Matuta originalmente uma deusa sabina foi incorporada ao panteao romano e a ela foi dedicado um templo erigido por Servio Tulio proximo ao local onde futuramente seria fundado o Forum Boario 174 Imagem do templo de Jano em um sestercio do reinado de Nero r 54 68 Durante a monarquia antes da propagacao do culto de alguns deuses como Plutao e Proserpina os romanos criaram os primeiros conceitos de seu submundo atraves de divindades indo europeias Orco l deus dos mortos e dos juramentos posteriormente associado com outro deus romano Dis Pater foi uma das primeiras divindades do submundo 175 seu culto foi amplo em meios rurais 176 Outra divindade importante do submundo foi Libitina m deusa dos funerais e sepultamentos A ela foi dedicado um bosque situado no monte Esquilino que assim como outras localidades associadas com entidades do submundo foi considerado insalubre e de mau agouro 177 Servio Tulio em seu reinado estabeleceu uma taxacao conhecida como imposto da morte que consistia no pagamento de uma moeda para o templo de Libitina quando uma pessoa falecia 178 179 180 181 Segundo autores classicos Romulo e Tito Tacio 143 ou Numa Pompilio 182 183 184 n estabeleceram o culto a Termino deus dos marcos de fronteira a partir de uma divindade sabina uma vez que a palavra Termino em latim Terminus significava em latim pedra fronteirica 185 presumivelmente esta divindade originou se de um deus protoindo europeu Especula se que uma pedra dedicada ao deus estava situada no monte Capitolio antes de Tarquinio Prisco ou Tarquinio o Soberbo erigirem um templo no local a pedra foi levada ao templo e acreditava se que sua imobilidade era um bom pressagio para a permanencia das fronteiras da cidade 186 187 188 Fortuna deusa romana da sorte e da fortuna 189 foi estabelecida por Anco Marcio 190 ou Servio Tulio 191 O primeiro templo dedicado a ela foi erigido durante o reinado de Servio Tulio nas margens do rio Tibre em Trastevere 192 Sanco originalmente uma divindade umbria 193 introduzida ao panteao romano por Tito Tacio 194 195 196 foi o deus da verdade honestidade e juramentos Durante o reinado de Tarquinio o Soberbo foi erigido um templo em sua homenagem 197 198 199 Numa Pompilio associou Jano deus dos comecos e transicoes ao primeiro mes do calendario Janeiro Devido a suas caracteristicas como divindade a ele foram associadas diversos elementos como a luz 200 a Lua 201 o Sol 202 203 204 o tempo 205 o movimento 206 o ano as portas 207 208 209 e as pontes 210 Numa erigiu o Jano Gemino Ianus Geminus templo consagrado ao deus que foi ritualmente aberto em tempos de guerra e fechado quando as forcas romanas descansavam 211 212 alem de uma estatua ambos localizadas em Argileto antiga estrada romana 213 Especula se que o epiteto Gemeo Geminus tenha sido cunhado durante o reinado de Numa 214 215 Festivais Editar Ver artigo principal Lista de festivais da Roma Antiga Festival de Pales ou O verao oleo sobre lona Joseph Benoit Suvee ca 1783 Museu de Belas Artes de Ruao Ave Caesar Io Saturnalia oleo sobre painel Lawrence Alma Tadema ca 1880 Museu de Arte de Akron Os calendarios romanos mostram cerca de 40 festivais religiosos anuais Alguns duravam varios dias outros um unico dia ou menos havia no calendarios os dias sagrados dies fasti em menor numeros e os nao sagrados dies nefasti 216 A comparacao de calendarios religiosos romanos sobreviventes sugere que festivais oficiais foram organizados de acordo com grandes grupos sazonais que permitiram diferentes tradicoes locais Alguns festivais podem ter exigido apenas a presenca e os ritos de seus sacerdotes e acolitos 217 ou grupos especificos 218 Um dos mais antigos rituais conhecidos dos romanos foi o Ferias latinas Feriae Latinae celebrado desde antes da fundacao de Roma num contexto pastoril pre urbano 219 de modo a reafirmar a alianca entre os membros da povos albenses em latim populi albenses seculo X seculo VIII a C o e da liga Latina seculo VII 338 a C Cada cidade latina enviava um representante com ofertas tais como ovelhas queijo ou outros produtos pastorais O lider romano que estivesse presidindo o festival oferecia uma libacao de leite e realizava um sacrificio de uma ovelha sendo a carne do sacrificio consumida como parte de uma refeicao comunal Em meio as festividades figurinhas chamadas oscila eram penduradas nas arvores 220 A Lupercalia outro festival pastoral romano presumivelmente foi estabelecido antes da fundacao da cidade Realizado entre 13 15 de fevereiro tinha como finalidade evitar maus espiritos e purificar a cidade propiciando saude e fertilidade Na Antiguidade acreditava se que o nome Lupercalia demonstrava alguma ligacao com o antigo festival grego de Licaia em grego lykos romaniz lukos em latim lupus e a adoracao do deus Pa assumido como um equivalente do deus grego Fauno instituido por Evandro 221 222 223 224 225 226 227 durante a republica associou se o festival a loba capitolina 228 uma instituicao atribuida a Romulo e Remo Os ritos eram realizados pelos lupercos Quintilianos Quinctiliani e Fabianos Fabiani uma corporacao de sacerdotes de Fauno que vestiam se apenas com pele de cabra 229 A Parilia celebrada anualmente em 21 de abril visava a purificacao tanto dos pastores como das ovelhas Esse festival era celebrado em reconhecimento da divindade romana Pales patrona dos pastores e ovelhas 230 e segundo Ovidio antecede a fundacao de Roma durante a republica tardia foi associado ao aniversario da cidade 231 A Cerealia era um dos grandes festivais dedicados a deusa Ceres Era realizado durante sete dias a partir de meados para o final de abril no entanto as datas sao incertas Sua natureza arcaica e evidencia de sua relacao com um ritual noturno descrito por Ovidio no qual tochas eram amarradas na cauda de raposas vivas A finalidade e origem desse ritual sao desconhecidas mas pode ter sido destinado a limpar as culturas e protege las de doencas e pragas ou trazer calor e vitalidade para o seu crescimento 232 A Lemuria era celebrada nos dias 9 11 e 13 de maio Durante esse festival os romanos realizavam ritos para exorcizar os fantasmas lemures ou larvae 233 de suas residencias Sua origem provem de outro festival a Remuria instituida por Romulo para apaziguar o espirito de Remo 234 A Equiria estabelecida por Romulo 235 era dedicada ao deus Marte e ocorria em 27 de fevereiro segundo o calendario romano 236 Neste festival a divindade era celebrada atraves de corridas de cavalo pratica corrente em outras festividades como a Consualia 237 Segundo Tito Livio 238 a Consualia foi criada por Romulo em homenagem ao deus Conso com o intuito de atrair novos moradores para Roma 239 A Saturnalia estabelecida por Romulo ou Numa Pompilio era celebrada em honra ao deus Saturno originalmente em 17 de dezembro 240 Era comemorada com um sacrificio no templo de Saturno e um banquete publico seguido por oferendas privadas festas continuas e uma atmosfera de carnaval onde os mestres serviam os escravos 241 Homens romanos com togas pretextas participando de uma cerimonia religiosa provavelmente a Compitalia Afresco encontrado nos arredores de Pompeia A Fornocalia instituida por Numa Pompilio 242 era dedicada a deusa Fornax a fim de que os graos fossem devidamente cozidos A Robigalia outro festival instituido por Numa 243 era realizada em 25 de abril e consistia no sacrificio de um cao para proteger as culturas de graos de doencas 244 Devido a presenca do rei e do flamine quirinal nas festividades especula se que seja de origem sabina 245 246 A Fordicidia realizada em 15 de abril era um festival da fertilidade tanto das culturas como dos animais Instituido por Numa 247 envolvia o sacrificio de uma vaca gravida para Telo deusa da terra 248 A Compitalia realizado uma vez por ano em honra aos lares compitais foi segundo alguns escritores estabelecida por Tarquinio Prisco em consequencia de ter assistido o milagre do nascimento de Servio Tulio que era supostamente o filho de um lar familiar uma deidade guardia da familia 249 Dionisio de Halicarnasso afirma que quem estabeleceu o festival foi o proprio Servio Tulio 250 Celebrado dias depois da Saturnalia a Compitalia consistia na oferenda de bolos de mel para os lares Cada familia depositava em frente a sua residencia uma estatua da deusa Mania assim como bonecos masculinos e femininos de la em reverencia aos lares e a deusa os escravos ofereciam bolas de la 251 Direito romano Editar Ver artigo principal Direito romano O celebre Lapis Niger do Forum Romano esta entre os mais antigos objetos romanos seculo VII a C Museu Nacional Romano Durante a monarquia romana segundo alguns autores o conjunto de leis que vigorou em Roma foram as leis do rei leges regiae 252 Suas origens remontam a instituicao tanto do senado como da assembleia das curias por Romulo Sua funcao mais do que apenas um instrumento do poder dos reis era de criar leis que respondessem a necessidade de uma sociedade constituida por diferentes tribos principalmente em assuntos em que os mores costumes nao fosse suficientes Concediam aos reis uma maneira de resolver questoes religiosas e militares quer diretamente quer por meio de algum auxiliar como o mestre do povo magister populi do periodo dos Tarquinios 253 Desse modo enquanto por um lado as leis do rei criavam novas leis diferentes dos costumes por outro lado transformaram alguns deles em leis 254 As leis do rei foram estabelecidas com bases na influencia externa sofrida pelos romanos ao longo dos seculos Inicialmente nota se uma clara influencia grega uma vez que desde o seculo VIII a C ha indicios de relacoes comerciais e ou politicas entre romanos e gregos 255 Alem disso segundo autores classicos Romulo estudou em Gabios 256 257 um centro sob influencia grega Outra influencia e a sabina que se reflete no uso de pele de boi como um suporte para a escrita assim como no teor de algumas das leis 258 E por fim a influencia etrusca torna se evidente a partir do governo dos reis etruscos tendo ela sido de natureza politica economica e judicial Um exemplo desta influencia seria a postura dos reis em relacao as gentes que perderam muito de suas funcoes durante seus reinados 259 Segundo fragmentos de Sexto Pomponio 260 e de outros autores classicos as leis do rei eram deliberadas tanto pelo senado como pela assembleia das curias comitia curiata 261 262 e aprovadas pelo rei das coisas sagradas e pelo pontifice maximo No entanto ha quem defenda que devido ao poder dos reis eram eles que decidiam sem o veto das curias tendo apenas o apoio do Colegio de Pontifices 263 alem da deliberacao do senado Especula se que as curias possuiam apenas a funcao de participar publicamente na promulgacao das leis 264 Em certas ocasioes os reis realizaram assembleias comiciais semelhantes as do periodo republicano Isso e atestado pelas palavras Q uando R ex C omitiavit F as presentes no primeiro calendario romano 265 As leis do rei foi em suma aplicado para sancionar instancias de natureza religiosa 266 no entanto estas nao foram as unicas sancoes em uso Outras incluem o confisco de propriedade 267 e a pena de morte que nao foi administrada em nome de qualquer principio sacro mas na retribuicao de um crime com um castigo igual 268 Fim do reino e comeco da republica Editar Fragmentos de placas decorativas etruscas de terracota de Regia no Forum Romano ca seculo VI a C Ver artigo principal Queda da monarquia romana O periodo entre a fundacao de Roma e a expulsao de seu ultimo rei durou dois seculos e meio Tendo comecado como outras cidades do Lacio como um simples refugio de pastores o assentamento no Palatino expandiu se ate dominar todo o circulo das sete colinas Lentamente em paralelo com esse crescimento interno uma sucessao de conquistas levou as fronteiras as duas margens do Tibre ate ao mar Tirreno a uma longa faixa do Lacio desde ostia ate Circeios e desde a fronteira sabina e as terras altas dos volscos Devido a politica liberal houve um constante fluxo de novos colonizadores que trouxeram forca e conhecimentos a comunidade Com o passar do tempo a presenca dessa nova populacao fora do circulo privilegiado dos fundadores trouxe problemas que foram superados e contribuiram para a formacao de legisladores e estadistas entre as classes dirigentes Assim apos mais de dois seculos de existencia em 509 a C terminou o periodo real e a Republica Romana inicia se sem que se verifique qualquer ruptura violenta das tradicoes 269 Um dos principais fatores que sustentam a transicao gradual e o grande contingente etrusco que habitava Roma no fim do reino Um dos povos que mais influenciou Roma neste periodo importaram para a cidade diversos elementos como o fasces feixe de varas e machados que simbolizava o imperium dos reis os jogos os triunfos certas praticas cultuais e cerimoniais as tunicas os deuses e as artes arquitetura ceramica de bucaro artes decorativas Em 509 a C quando o senado destitui Tarquinio do trono e em seu lugar elegeu dois magistrados inicialmente chamados de pretores e depois de consules 270 nao se verifica uma expulsao macica dos etruscos tal caracteristica da Roma arcaica de absorver os imigrantes tambem e atestada em muitas cidades etruscas onde pode se ha contingentes gregos latinos e italicos 92 Seja como for com o fim do poder dos monarcas os consules restauraram os trezentos membros do senado que haviam sido reduzidos sob Tarquinio e iniciaram seu mandato sob supervisao dos senadores que durante a republica adquiriram plenos poderes de decisao dos assuntos do Estado e ate o advento do imperio seriam a forca atuante na politica da Roma Antiga 271 Os ultimos reis romanos ao contrario de seus antecessores basearam sua posicao no apoio popular e desafiaram o poder e os privilegios dos aristocratas Para tanto tal como os tiranos gregos levaram a cabo uma ambiciosa politica exterior fomentaram as artes e empreenderam grandes projetos arquitetonicos Alem disso tentaram legitimar sua posicao atribuindo se um especial e pessoal favor dos deuses Servio Tulio alegou parentesco com Fortuna e adotaram um governo de carater populista autores como Tim Cornell afirmam que as reformas de Servio Tulio se enquadram nesse ambito 272 O carater populista e aristocratico do regime dos ultimos reis e confirmado pela posterior atitude romana com respeito a autoridade monarquica Na Republica a simples ideia de rei provocava profunda repulsa uma vez que ia em desencontro com a ideologia aristocratica da classe dominante Assim dentre os membros da oligarquia rural havia o horror de que um deles tentasse situar se acima de seus iguais ao defender as necessidades das classes baixas e por isso ganhasse o apoio delas Espurio Melio Marco Manlio Capitolino e os irmaos Graco foram executados pela acusacao de monarquismo regnum 273 Notas Editar a Embora a tradicao mencione sete reis durante o reinado do imperador Claudio foram descobertos certos indicios que apontam que Roma teria tido ao menos mais um rei Mastarna 88 b Na epoca classica os romanos festejavam no dia 11 de dezembro o Septimoncio festividade associada a arcaica Liga Septimoncial que agrupava as comunidades de sete montes Palatual Germal que fazem parte do Palatino Cispio Fagutal opio que fazem parte do Esquilino Velia e Celio Os montes Quirinal Viminal Capitolio e Aventino nao foram incorporados a liga 22 c O sistema de dois nomes tambem esta presente no contexto social de outros povos italiotas que possivelmente tambem tinham a gente como base social 30 d Posteriormente ambos os monarcas exerceram o poder real nao apenas em conjunto mas sim em harmonia 274 e As referencias classicas afirmam que o exercito de Porsena foi repelido gracas aos esforcos de Horacio Cocles parente dos irmaos Horacios no entanto outras fontes afirmam que Porsena conseguiu tomar a cidade 88 f A manutencao da castidade das vestais era segundo as crencas imprescindivel para a sobrevivencia de Roma Desse modo Numa Pompilio estabeleceu que as vestais que quebrassem o voto de castidade deveriam ser apedrejadas ate a morte Tarquinio Prisco considerou que como castigo as vestais que descumprissem seu voto deveriam passar por um ritual funebre e depois deveriam ser colocadas em uma capela subterranea proxima das muralhas da cidade 112 g Segundo Plutarco Reia Silvia mae de Romulo e Remo foi consagrada vestal por seu tio Amulio 3 h A distincao entre augurio e auspicio e frequentemente incerta O auspicio e a observacao de aves como sinais da vontade divina uma pratica criada e realizada por Romulo enquanto a instituicao do augurio foi atribuida a Numa Pompilio 275 i Jupiter quando incorporado a triade capitolina foi associado ao deus etrusco Tinia posteriormente foi associado ao deus grego Zeus 139 j De acordo com Dionisio de Halicarnasso quando uma porca deu a luz uma ninhada de 30 leitoes Eneias sacrificou estes animais em honra aos Lares Grundais lares grundules O corpo da porca foi mantido em Lavinio preservado em sal como um objeto sagrado 276 Os 30 leitoes iriam fornecer a justificativa teologica para os 30 povos albenses das Ferias Latinas os 30 bairros fortificados supostamente fundados por Eneias em Lavinio 277 e das 30 curias de Roma 278 k Especula se que a palavra Lacio tenha se originado da palavra grega latio que significa refugio Tal teoria se sustenta no conto mitologico de Saturno que depois de ser derrotado pelos deuses olimpicos refugiou se no Lacio onde construiu uma vila a beira do rio Tibre no lugar onde depois seria erguida a cidade de Roma ele ensinou aos habitantes locais como melhor lavrar o solo e cultivar parreiras para produzir vinho Um festival conhecido como Saturnalia ocorrido em dezembro foi instituido em sua homenagem 279 168 l Como aconteceria futuramente com o deus Plutao o nome do deus Orco foi associado com o nome do submundo 175 m A palavra Libitina tornou se com o tempo metonimia para morte 280 281 Posteriormente foi associada com a deusa Venus tornando se seu epiteto 282 283 178 n Os autores classicos que deram o credito para Numa Pompilio explicam sua motivacao como a prevencao de conflitos violentos sobre a propriedade Alem disso Plutarco afirma que Termino uma vez estabelecido para manter a paz nao possuia sacrificios de sangue 182 183 184 o Segundo Plinio o Velho Velho Lacio Latium Vetus a regiao onde originalmente os latinos habitavam dividia se em trinta comunidades que confederaram se nos povos albenses 284 p Vale notar que nos primeiros momentos da Republica Romana os oficiais chamados consules eram conhecidos como pretoresReferencias Salles 2008a p 114 115 Plutarco seculo Ia p I 2 a b Plutarco seculo Ia p 3 2 Plutarco 1936 p 135 nota b Plutarco seculo Ia p 3 4 Livio 27 25 a C I 4 Plutarco seculo Ia p 4 2 3 Varrao seculo I a C a p V 54 Plutarco seculo Ia p 4 1 Plutarco seculo Ia p 3 5 6 Livio 27 25 a C I 5 7 Plutarco seculo Ia p 7 8 Livio 27 25 a C I 6 Plutarco seculo Ia p 9 1 2 Plutarco seculo Ia p 9 5 10 1 3 Plutarco seculo Ia p 9 4 11 1 Salles 2008a p 111 a b Salles 2008a p 112 Gaffiot 1934 p 1373 Coarelli 2008 p 127 135 136 Peroni 2008 p 11 a b Salles 2008 p 113 114 Havell 2003 p 544 Stobart 1978 p 10 Durando 2006 p 106 107 a b Cornell 2008 p 19 20 Carandini 2007 p 22 24 Rostovtzeff 1960 p 30 a b Funari 2001 p 84 85 94 a b c d e Cornell 2008 p 18 19 Cotrim 1999 p 64 Panazzo 2002 p 139 Apolinario 2009 p 191 Panazzo 2002 p 138 Vicentino 2011 p 140 Abbott 1901 p 12 Abbott 1901 p 1 a b c Abbott 1901 p 16 Abbott 1901 p 6 a b Abbott 1901 p 10 a b Abbott 1901 p 17 Livio 27 25 a C I 17 Byrd 1995 p 20 a b Abbott 1901 p 14 a b Abbott 1901 p 18 Byrd 1995 p 33 a b c Abbott 1901 p 15 a b Abbott 1901 p 19 Botsford 1909 p 155 165 Lintott 1999 p 49 Botsford 1909 p 104 154 a b Turcan 2000 p 44 Mousourakis 2003 p 105 Abbott 1901 p 8 Cornell 1995 p 139 Asimov 1991 Vicentino 2011 p 139 Livio 27 25 a C I 1 7 a b Plutarco seculo Ia p 10 Plutarco seculo Ia p 14 15 Plutarco seculo Ia p 19 20 Plutarco seculo Ia p 13 Plutarco seculo Ia p 20 Plutarco seculo Ib p 5 Livio 27 25 a C I 1 21 Plutarco seculo Ib p 18 19 a b Livio 27 25 a C I 1 19 Plutarco seculo Ib p 17 Plutarco seculo Ib p 9 11 Plutarco seculo Ib p 13 Plutarco seculo Ib p 20 Plutarco seculo Ib p 21 Livio 27 25 a C I 1 22 Livio 27 25 a C I 1 29 a b Niebuhr 1983 p 296 298 346 352 a b Cicero 54 51 a C p II 17 a b Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p III 1 36 a b Livio 27 25 a C I 33 Abbott 1901 p 9 Livio 27 25 a C I 34 Livio 27 25 a C p I 35 Roldan 1995 p 58 a b Livio 27 25 a C I 38 Floro seculos I II p I 5 6 Livio 27 25 a C I 44 a b Editores 1998 Lendon 2005 p 182 a b c Cornell 2008 p 20 21 Mousourakis 2003 p 59 60 Livio 27 25 a C I 48 a b Livio 27 25 a C I 55 56 a b Cornell 2008 p 23 Placido 1991 p 53 Cary 1976 p 55 Jannuzzi 2005 p 80 Salles 2008b p 178 Livio 27 25 a C II 3 4 Livio 27 25 a C II 5 a b c d Livio 27 25 a C I 20 Maximo 31 p 1 1 1 Hallet 1970 p 219 Sini 1983 p 22 Tondo 1973 p 20 21 Besnier 1953 p 1 Bickel 1961 p 303 Schmitz 1875 p 939 942 Ramsay 1875a p 540 541 Livio 27 25 a C II 2 1 Momigliano 1975 p 311 312 Cornell 1995 p 233 236 Plutarco seculo Ib p 9 5 10 a b Ramsay 1875 p 1189 1191 Staples 1998 p 154 155 Antolin 1996 p 272 Cicero 54 51 a C p II 8 17 Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p II 22 3 Livio 27 25 a C XXVII 36 5 XL 42 8 10 Aulo Gelio seculo I p XV 17 1 Livio 27 25 a C XXVII 8 4 XLI 28 7 XXXVII 47 8 XXIX 38 6 XLV 15 19 Macrobio seculo IV p II 13 11 Livio 27 25 a C XXX 26 10 Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p II 73 3 Livio 27 25 a C I 27 Smith 1875 p 1003 Propercio seculo I a C p IV 105 146 Plutarco seculo Ic p 8 4 Plutarco seculo Ia p 16 6 Whiston 1875 p 138 139 Plutarco seculo Ib p 14 6 7 Livio 27 25 a C V 21 16 Macrobio seculo IV p I 13 5 Seutonio 121 p 2 Arnobio 121 p II 73 17 18 Varrao seculo I a C a p VI 24 Smith 2006 p 44 Macrobio seculo IV p I 12 Cicero 54 51 a C p II 1 9 21 Fowler 1922 p 86 a b Wilkinson 2010 p 76 Rupke 2007 p 4 Beard 1998a p 10 43 Dumezil 1970 p 280 310 a b Varrao seculo I a C a p V 10 Capdeville 1994 Platner 1929 p 583 584 a b Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p II 50 3 a b Varrao seculo I a C a p V 74 Plutarco seculo Id p 47 Vitruvio seculo I a C p 1 7 Beard 1998b p 17 Dumezil 1967 p 217 220 Plutarco seculo Ia p II 7 Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p IV 2 1 4 Ovidio amp 8 p VI 633 636 Brelich 1939 p 70 97 98 Wilkinson 2010 p 83 Gordon 1932 p 178 181 Ovidio amp 8 p III 327 331 Varrao seculo I a C a p V 43 Plinio o Velho 77 79 p XLIV 91 242 Santo Agostinho seculo V p IV 23 Virgilio seculo I a C p XII 161 164 Varrao seculo I a C a p V 68 Spaeth 1990 p 1 33 182 Spaeth 1996 p 1 4 33 34 37 Palmer 1997 p 63 Mueller 2009 p 221 a b Wilkinson 2010 p 84 Roman Myth Index 2008a Wilkinson 2010 p 85 Roman Myth Index 2008 Lipka 2009 p 42 Guirand 1968 p 209 Livio 27 25 a C V 14 a b Scott 1998 Bernheimer 1979 p 43 Burke 1995 p 2268 a b Plutarco seculo Id p 23 Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p IV 15 5 Kyle 2001 p 166 Richardson 1992 p 409 a b Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p II 74 2 5 a b Plutarco seculo Ib p 16 a b Plutarco seculo Id p 15 Hornblower 2003 p 1485 7486 Ovidio amp 8 p II 639 684 Livio 27 25 a C I 55 Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p III 69 3 6 Kretschmer 1927 p 267 275 Platner 1929a p 212 214 Varrao seculo I a C a p VI 17 Livio 27 25 a C II 40 Latte 1960 p 227 Ovidio amp 8 p VI 217 218 Propercio seculo I a C p IV 9 74 Varrao seculo I a C a p V 52 Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p IX 60 Ovidio amp 8 p VI 213 Platner 1929 p 469 470 Jordan 1881 p 166 184 MacKay 1956 p 157 182 Schwegler 1867 p 218 223 Brelich 1949 p 28 39 Pettazzoni 1956 p 79 90 Speyer 1892 p 1 47 Renard 1953 p 5 21 Roscher 1894 p 15 55 Grimal 1945 p 15 121 Bailey 1932 p 46 47 Holland 1961 p 231 233 Horacio 17 a C p IV 15 8 Virgilio seculo I a C p VII 607 Riis 1953 p 121 Livio 27 25 a C I 19 2 Plinio o Velho 77 79 p XXXIV 33 Beard 1998a p 1 6 Beard 1998a p 1 47 49 296 Rupke 1998a p 4 Fowler 1908 p 95 Fowler 1908 p 96 97 Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p I 32 3 5 I 80 Livio 27 25 a C I 5 Justino seculo II p XLIII 6 Ovidio amp 8 p II 423 442 Plutarco seculo Ia p XXI 3 Plutarco seculo Id p 68 Virgilio seculo I a C p VIII 342 344 Ovidio 2014 Media Hiems 2013 Bowman 1996 p 816 817 Kearns 2003 p 406 Spaeth 1996 p 36 37 Thaniel 1973 p 182 187 Ovidio amp 8 p V 421 Sumi 2005 p 288 Wagenvoort 1956 p 225 Tertuliano 197 202 p 5 Livio 27 25 a C I 9 Peixoto 1989 p 32 Palmer 1997 p 62 Miller 2010 p 172 Plinio o Velho 77 79 p XVIII 2 Fowler 1922 p 108 Evans 2008 p 185 188 Franklin 1921 p 75 Schilling 1992a p 145 Ivanov 1994 p 64 66 Beard 1998a p 45 Plinio o Velho 77 79 p XXXVI 70 Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p IV 14 Chambers 1728 p 288 Watson 1991 p cap 8 Valditara 1989 Amelotti 1989 p 19 21 Valditara 1989 p 10 11 Plutarco seculo Ia p 7 6 8 2 Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p I 82 5 Tondo 1973 p 18 19 Pugliese 2012 p 12 Pomponio 529 534 p 1 1 1 2 Amarelli 2001 p 30 Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p II 14 1 2 Amelotti 1989 p 32 Amelotti 1989 p 19 29 Amelotti 1989 p 43 Pugliese 2012 p 11 Amelotti 1989 p 37 Amelotti 1989 p 40 41 Havell 2003 p 49 Havell 2003 p 69 Havell 2003 p 70 Cornell 2008 p 21 Cornell 2008 p 22 Livio 27 25 a C I 1 14 Schilling 1992b p 115 Varrao seculo I a C b p II 4 18 Venotti 1995 p 206 Liou Gille 1996 p 80 86 Kaltner 2009 p 31 Horacio 35 33 a C p II 16 19 Platt 2011 p 355 Cicero 45 a C p II 23 Dionisio de Halicarnasso seculo I a C p IV 15 Plinio o Velho 77 79 p III 69 Bibliografia EditarFontes primarias Editar Arnobio seculo IV Adversus nationes S l s n Aulo Gelio seculo I Noites Aticas S l s n Cicero 54 51 a C De Re publica S l s n CS1 manut Formato data link Cicero 45 a C Sobre a Natureza dos Deuses S l s n Dionisio de Halicarnasso seculo I a C Das antiguidades romanas S l s n Floro Publio Aneu seculos I II Epitoma de Tito Livio bellorum omnium annorum S l s n CS1 manut Formato data link Horacio 17 a C Carmen Saeculare S l s n Horacio 35 33 a C Satiras S l s n CS1 manut Formato data link Justino seculo II Historiarum Philippicarum libri S l s n Livio Tito 27 25 a C Ab Urbe condita libri S l s n CS1 manut Formato data link Macrobio seculo IV Saturnalia S l s n Maximo Valerio 31 d C Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoraveis S l s n Ovidio 8 d C Fastos S l s n Ovidio 2014 Livro II 15 de Fevereiro A Lupercalia Traduzido por Kline A S Poetry in Translation Plinio o Velho 77 79 d C Historia Natural S l s n CS1 manut Formato data link Plutarco seculo Ia Vida de Romulo S l s n Plutarco seculo Ib Vida de Numa Pompilio S l s n Plutarco seculo Ic Vida de Marcelo S l s n Plutarco seculo Id Moralia S l s n Plutarco 1936 Sobre a Fortuna dos Romanos Moralia Cambrigia Harvard University Press Pomponio Sexto 529 534 Digesta S l s n CS1 manut Formato data link Propercio seculo I a C Elegias S l s n Santo Agostinho seculo V A Cidade de Deus S l s n Suetonio 121 Vida dos Doze Cesares S l s n Tertuliano 197 202 Sobre os Espetaculos S l s n CS1 manut Formato data link Varrao Marco Terencio seculo I a C a Sobre a Lingua Latina S l s n Varrao Marco Terencio seculo I a C b As Coisas do Campo S l s n Virgilio seculo I a C Eneida S l s n Vitruvio seculo I a C Sobre Arquitetura S l s n Fontes secundarias Editar Abbott Frank Frost 1901 A History and Description of Roman Political Institutions Boston Elibron Classics ISBN 0 543 92749 0 Amarelli Francesco 2001 Storia del diritto romano Turim G Giappichelli Amelotti Mario 1989 Lineamenti di storia del diritto romano Milao Giuffre Antolin Fernando Navarro 1996 Lygdamus Corpus Tibullianum III 1 6 Lygdami Elegiarum Liber Leida Brill ISBN 9004102108 Apolinario Maria Raquel 2009 Historia Projeto Arariba Sao Paulo Moderna ISBN 978 85 16 05498 4 Asimov Isaac 1991 Asimov s Chronology of the World Barcelona Ariel S A ISBN 84 344 8016 6 Bailey C 1932 Phases in the Religion of Ancient Rome Berkeley University of California Press Beard M North J Price S 1998a Religions of Rome Volume I Cambrigia 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